Adventistas afirmam que foram barrados de realizar concurso em Manaus

In Educação, Geral

Até o momento, mais de 150 pessoas apontam intolerância religiosa e buscam a aplicabilidade dos seus direitos.

Laura Rezzuto

Mais de 150 Adventistas do Sétimo Dia culpam a Fundação Getúlio Vargas (FGV) de vetá-los de participar do concurso para o Corpo De Bombeiros Do Amazonas, que ocorreu no dia 12 deste mês.

De acordo com os participantes, os mesmos foram mandados entrar como candidatos não sabatistas, aguardaram por 4 horas e logo após foram dispensados sem ao menos poderem ver as questões.

Conforme o comunicado oficial da FGV publicado no dia 9, as provas seriam aplicadas das 14h às 17h30 para as ocupações da função de Bombeiro Militar, e das 14h às 18h30 para o cargo de 2° Tenente Bombeiro Militar. O mesmo boletim informava que os sabatistas precisariam entrar junto aos outros candidatos e aguardar até a passagem do pôr do sol, para após isso, realizar a prova.

“Logo que o edital do concurso foi lançado, a data das provas cairia em um domingo, mas foi alterada para o sábado por conta dos vestibulares da UEA (Universidade Estadual Do Amazonas). Depois que fizeram a modificação, eles comunicaram que no momento da inscrição, os adventistas deveriam optar pela opção Sabatista e que todos os nossos direitos seriam resguardados para que fizéssemos a prova após às 18h”, disse a estudante Valciene França, de 17 anos.

Segundo a estudante, ela selecionou a opção “sabatista”, finalizou o cadastro e realizou o pagamento da inscrição no valor de 100,00 reais. Enquanto isso, ela e mais de 150 adventistas investiram em tempo, curso preparatório e material de estudo para se dedicarem exclusivamente ao concurso para o Corpo de Bombeiros.

Dia da prova

No sábado (12) em que realizariam a prova, os candidatos chegaram com 1h30 de antecedência ao local onde ela seria aplicada, e logo os portões foram abertos para que todos entrassem. “No comunicado dizia que deveríamos entrar pelos portões junto com os demais candidatos não-sabatistas, mas que teríamos uma sala reservada e que faríamos a prova depois das 18h00”, afirmou Valciene.

Após isso, todos assinaram uma ficha que confirmava a sua presença na prova, foram verificadas por um fiscal todas as identidades e cada qual se acomodou em seus lugares. Segundo os participantes, as provas começaram a ser distribuídas e no mesmo instante avisaram as fiscais que eram adventistas, que confirmaram que eles apenas precisavam esperar até depois do pôr do sol para que as provas fossem entregues.

Cerca de 1h30 depois, foram levados para uma sala onde uma integrante da Coordenação da Fundação Getúlio Vargas estava. “Ela disse que só poderíamos realizar a prova se estivéssemos na lista das pessoas que haviam feito o pedido de atendimento especial, mas como nosso nome não estava, teríamos que fazer o exame no mesmo horário que todos os outros”, ressaltou a estudante de 17 anos. Foi então que a fiscal responsável deu apenas duas opções, responderem a prova naquele momento ou irem embora.

A maioria dos candidatos adventistas não conseguiram sequer ver as questões do exame, “É muito frustrante. Deixei de estudar para o vestibular para poder me dedicar ao concurso. Gastei dinheiro com cursinho, alguns de nós com passagem e até hospedagem. É horrível a sensação de ter o seu sonho indo por água abaixo por culpa de terceiros”, finaliza Valciene.

Outros casos

Essa não foi a primeira vez que houve a prática de intolerância religiosa em meio aos concursos fornecidos pelo Governo do Estado do Amazonas. Wellington Almeida, que prestou o concurso da Polícia Militar do estado, contou como foi prejudicado na prova por conta da desorganização dos Órgãos responsáveis. “O fiscal falou que não poderia marcar o horário para nós porque não tinha pincel e não podia ir falando quanto tempo faltava para o nosso tempo encerrar”.

De acordo com os candidatos, além do local do exame ter sido alterado de última hora, os mesmos não tinham noção da quantidade de tempo que restava enquanto respondiam a prova, o fiscal não se importou em informá-los, e quando deu o horário do término da avaliação, recolheu os exames, estando a grande maioria incompletos.

Para Wellington, a situação foi uma prorrogação do seu sonho. “Eu planejei inclusive as despesas que eu teria, porque a realidade de uma pessoa do interior é diferente. Emprestei dinheiro, já tinha pagado o hotel que eu ficaria, mudaram o local da prova, tive que viajar para Porto Velho, procurar outro hotel, e não consegui responder as últimas duas matérias que ainda faltavam. Eu me senti péssimo, acabou comigo, foram meses pagando cursinho, saí exausto, era um sonho nosso, né?”.

Ordem municipal

O vereador Jaildo Oliveira, da Câmara Municipal de Manaus, publicou uma nota de repúdio em suas redes sociais no domingo (13). De acordo com o membro da Câmara, a Lei Municipal 1.569/11 assegura aos Adventistas do Sétimo Dia o direIto da realização da prova em horário diferenciado, sem qualquer prejuízo.

 “Estarei averiguando o ocorrido e reitero que está em vigor a lei 1.569/11 de minha autoria, resguardando os Adventistas e que precisa ser respeitada, motivo pelos quais irei tomar as providências cabíveis, para que os inscritos no concurso façam a prova sem prejuízo de sua fé”, declarou o vereador.

Retorno

Foi pedida uma nota da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Governo do Amazonas, mas até o momento não tivemos retorno. A secretaria de comunicação do Estado, como outras páginas de comunicação também aguardam explicações. No momento em que as respostas forem enviadas, serão incluídas nessa matéria.

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