Desigualdade social se destaca após divulgação de dados do Enem 2020

In Educação, Geral

A edição com maior taxa de abstenção da história demonstrou os impactos da educação à distância durante a pandemia

Mariana Santos

Na edição de 2020, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) recebeu 5.893.369 inscrições e bateu o recorde de alunos faltantes: 3.029.391. Esta foi uma situação inédita no país devido à crise do coronavírus que inviabilizou a rotina de estudos da maioria dos estudantes brasileiros. 

Um levantamento feito pelo Estadão, em parceria com o cientista de dados Leonardo Sales identificou que quanto melhor a condição socioeconômica do estudante, maior a sua nota no Enem tende a ser. Infelizmente, o Brasil é o oitavo país mais desigual do mundo, o que coloca as comunidades de baixa renda à margem da educação de qualidade.

Durante o ano de 2020 os estudantes brasileiros precisaram se adaptar ao contexto de distanciamento social. A falta de internet, bem como a carência de computadores adequados para as aulas remotas foi uma pauta extremamente discutida, uma vez que especialistas de diversas áreas previram uma certa decadência no aprendizado de estudantes de todo o país.

A importância do Enem

O Enem tem o objetivo de avaliar o desempenho do estudante ao fim da escola básica. É por meio desse exame que os alunos conseguem ingressar em programas de acesso ao ensino superior gratuito, como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e o Programa Universidade para Todos (ProUni), que ofertam vagas em universidades públicas e privadas, respectivamente.

Considerando a distância entre as notas de corte das universidades e a média nacional no Enem, percebe-se que a concorrência pelas vagas em programas foi mais desigual esse ano do que em anos anteriores.

Pérola Lopes da Silva, tem 18 anos e passou na Universidade Federal Fluminense (UFF), para o curso de Ciências Contábeis. A estudante se formou no ano passado e fez o possível para se dedicar aos estudos pela internet. “No primeiro semestre do ano passado eu tentei estudar mais reguladinho com plano de estudos. Não consegui seguir muito bem, mas estava estudando pra escola normal.” A nota de corte média para a UFF foi de 690.24 pontos, desempenho que vai além da média nacional. 

Em todo o país, apenas 28 pessoas atingiram a nota mil na redação, ao passo que a média foi de 588,74 pontos. Na prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, a média foi de 523,98. A média geral de Matemática e suas Tecnologias chegou a 520,73, enquanto Ciências Humanas e suas Tecnologias ficou com a média geral de 511,64 pontos. A nota média mais baixa foi de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, 490,39.

Ao contrário do desempenho de Pérola, o estudante com a média nacional dificilmente ingressaria no ensino superior a menos que pagasse para estudar. Esse é um fato preocupante diante do cenário atual, uma vez que a desigualdade social inviabiliza uma disputa justa pelo acesso ao ensino superior público de qualidade no Brasil.

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