DIU: facilidade e segurança para mulheres

In Saúde

Os anticoncepcionais intrauterinos, mais conhecidos pela sigla DIU, são, atualmente, um dos métodos mais seguros e eficazes para evitar uma gravidez

Maria Teófilo

Depois que a mulher passou a ter autonomia para escolher ter filhos ou não, os métodos contraceptivos passaram a fazer parte das prateleiras das farmácias. Parece mentira que, até 1957, sua venda era proibida nos Estados Unidos. O dispositivo intrauterino (DIU) é um dos métodos mais utilizados atualmente para contracepção. Segundo uma pesquisa feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os diversos tipos de DIU são seguros e eficazes para evitar a gravidez, ajudar no fluxo sanguíneo, e até diminuir sintomas da TPM, como cólicas menstruais. Durante cinco anos de uso, a segurança do contraceptivo é de 99,3%. O nível é mais elevado comparado a maioria dos outros métodos anticoncepcionais reversíveis, como a pílula e camisinha. O resultado da pesquisa também mostra que o único método que apresenta eficácia completa é a laqueadura tubária – que não é reversível.

Como é o DIU?

Apesar de ser um dos dispositivos mais utilizados para contracepção, muitas mulheres ainda não conhecem o DIU. Ele consiste de um pequeno dispositivo de plástico em forma de uma letra (T) ou uma cruz, que geralmente é revestido por cobre ou hormônio progesterona. Ele entra fechado e abre apenas dentro do útero. Assim, não causa incômodo ou desconforto. O DIU pode ser usado por qualquer mulher sem contraindicação de idade. A paciente só precisa ter seus exames de rotina normais e passar por avaliação de um ginecologista, que aconselhará ou não o uso.

DIU ou SIU?

Os dois possuem siglas parecidas, mas possuem revestimentos diferentes. O sistema intrauterino (SIU), conhecido no mercado como DIU Mirena, é um dispositivo revestido com o hormônio progesterona. Por esse motivo, também é conhecido pelo nome alternativo de DIU hormonal. Já o DIU de cobre não contém o hormônio. Em ambos os casos, devem ser implantados por um/a médico/a especialista. Natanael Costa, médico ginecologista do Centro de Vida Saudável (Cevisa) em Engenheiro Coelho (SP), explica que o dispositivo não deve ser colocado por qualquer pessoa a fim de não haver falha durante o tempo de uso. “Há anos implanto o DIU hormonal em minhas pacientes e nunca tive problemas com nenhuma. Já sobre o de cobre não posso falar o mesmo, pois o risco de falha é de 2%. A cada dez mulheres, duas engravidam. Além de aumentar o fluxo e a cólica menstrual, ele também pode deixar resíduos do cobre dentro do útero. Eles não são o suficiente para um grande problema, mas pode prejudicar a saúde da mulher”, conclui o especialista.  Ainda de acordo com Costa, o procedimento é simples e rápido.  Vale ainda ressaltar que esse método só é eficaz para a contracepção e diminuição de alguns incômodos causados pelos sintomas da TPM, mas não para evitar as doenças sexualmente transmissíveis (DSTS), que podem ser evitadas com o uso da camisinha, por exemplo.

Vantagens e eficácia

Uma vez implantado, o DIU Mirena tem validade de cinco anos, enquanto o de cobre pode durar até 10. Eles podem ser retirados a qualquer momento, também por um/a especialista. O dispositivo não interfere na relação sexual do casal. O valor também é acessível: o de cobre varia de R$ 50 a R$ 150. Já o hormonal vai de R$ 600 a R$ 750. A professora Sabrina Anacleto faz o uso do DIU hormonal desde o início do ano. Antes, ela usava a pílula. Apesar de esta ser eficaz, Sabrina precisava regular melhor seu ciclo menstrual. “O DIU Mirena resolveu meu problema com o fluxo intenso e anemia. Além disso, notei uma redução nas espinhas e não senti nenhum efeito colateral”, constata Anacleto. A professora indica o uso do método para outras mulheres, já que, além de ser mais prático, evita possíveis incômodos com a menstruação. Assim Como Sabrina, Tatiana Aparecida, técnica em enfermagem, também indica o uso do DIU hormonal. Ela o utiliza há quatro anos. “O DIU me ajudou muito. Não menstruo! Eu recomendo, pois, mesmo no caso de algumas mulheres menstruarem, é bem pouquinho mesmo”, ressalta. No entanto, Tatiana sofreu um efeito adverso do método. “Infelizmente, tive ganho de peso bem grande, mas isso depende dos hormônios de cada mulher”, coloca. Isso não a impede de expor sua satisfação com o implante.

Como todo método contraceptivo, o DIU ou SIU também têm seus riscos. Ainda de acordo com o estudo da OMS, de 3 a 6% das pacientes podem apresentar problemas até mesmo no primeiro ano de uso. Em geral, isso é comum em mulheres mais jovens, que nunca tiveram filhos, ou que possuem um fluxo menstrual mais intenso. Natanael Costa destaca que, quando o SIU é implantado numa pessoa que tem o ciclo normal, a tendência é diminuir ou até mesmo parar a menstruação da paciente. Segundo ele, isso depende da mulher e de sua extensão uterina: quando essa é menos extensa, a possibilidade da menstruação parar é maior. No caso do uso do DIU de cobre, efeitos negativos são frequentes, como fluxo menstrual intenso, cólica contínua e gravidez indesejada. A dona de casa Jaqueline Souza não queria mais filhos, pois já tinha quatro. Enquanto usava o DIU de cobre, foi surpreendida com uma gravidez não planejada. “Comecei a sentir dores, fortes cólicas, e um incômodo no órgão genital. Então, resolvi procurar minha ginecologista, e, para minha surpresa, o DIU estava quebrado e já estava grávida de duas semanas. Hoje, minha filha Manu está com quatro anos”, expõe. Isso pode ocorrer por falta de experiência do/a médico/a que faz o implante, colocando em risco a eficácia do tratamento. Em caso de cólicas menstruais, Natanael recomenda solicitar a troca pelo DIU hormonal se não houver melhora dentro de um ano.

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