Ex-ministro da Cultura repercute saída de Regina Duarte

In Cultura, Política

Marcelo Caleiro vê como “capítulo triste” a passagem da atriz pela Secretaria da Cultura

Gabriel Buss (Redação PolitiBuzz)

O deputado federal e ex-ministro da Cultura Marcelo Calero (Cidadania-RJ) comentou sobre a saída de Regina Duarte da secretaria da Cultura na tarde desta quarta-feira (20). Ele disse que, no início, foram criadas expectativas da classe cultural porque Regina Duarte era do setor. No entanto, sua gestão se mostrou ineficaz.“Ela não apresentou, em dois meses e meio, nenhum plano, nenhum planejamento. Não representou o setor”, pondera.

O ex-ministro, contudo, reforça que Duarte foi abafada pelas opiniões de Bolsonaro sobre cultura. “A visão dele é enviesada. Enxerga a cultura como inimiga, como adversária, como um mal a ser combatido. Bolsonaro não tem capacidade intelectual e cognitiva de entender o papel da cultura na sociedade e nem mesmo o papel da cultura na economia”, frisa.

A secretaria da Cultura é palco de críticas desde o início da gestão Bolsonaro. Em 16 meses e meio de governo, houve quatro trocas em seu comando. Marcelo Calero acredita que o atual governo parece não enxergar a importância econômica da Cultura para o país. “Ela gera emprego e renda, e nos dá visibilidade internacional”, pontua.

Repercussão artística

Alguns artistas viram com indiferença a saída de Regina Duarte da Secretaria da Cultura. Para muitos, independente de quem entre, vai precisar ser um “fantoche” do presidente. O ex-ministro teme que esse seja o caso. “Se não houver uma mudança de mentalidade do que Bolsonaro pensa sobre a cultura, o trabalho dessa pessoa [apontada para a secretaria] vai ser totalmente inviabilizado, ainda que chegue ali com as melhores das intenções e com visão minimamente republicana sobre a cultura”.

Proposta do Congresso para ajudar setores culturais

Vários artistas recorreram ao Congresso Nacional em busca de ajuda neste período de pandemia, desacreditados de que o Governo Federal proponha algum auxílio. A classe está bastante afetada, já que teve todos os eventos suspensos e deve ser um dos últimos setores a voltar – afinal, seus trabalhos promovem aglomerações.

Durante a entrevista, o deputado federal informou que há um projeto tramitando na Câmara sob a relatoria da deputada Jandira Feghalli (PCdoB-RJ) desenvolvido pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados. “É um projeto bem abrangente. Precisamos entender a importância, mais uma vez, desse setor na economia”, observou. Calero lembrou ainda que há um fundo nacional próprio para o setor. De acordo com Feghalli, o Fundo Nacional da Cultura tem quase 3 bilhões de reais. Para o deputado, a discussão de um projeto de ajuda aos setores culturais é importante, já que nenhum deles foi contemplado com o auxílio emergencial. O ex-ministro reforça que “não são só artistas. É bom lembrar que são técnicos de iluminação, cinegrafia, enfim”.  O relatório foi liberado hoje (20) e deve ser votado em breve na Câmara.

Futuro da Cultura

Ao falar sobre o futuro da Secretaria da Cultura, o parlamentar foi enfático em dizer que, apesar de Bolsonaro querer tirar o setor do seu campo de visão, não vai conseguir, já que existem fortes movimentações culturais “que se impõem por si mesmas”. Entretanto, reforça que haverá perda de visão estratégica da cultura no país. Portanto, o setor fica prejudicado, e sua reestruturação pode levar tempo.

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