Idade da desilusão

In Artigo, Opinião

As origens da insatisfação dos jovens adultos

Thamires Mattos

Completar 21 anos é um marco na via do jovem adulto atual. Com 21, muitas pessoas já estão formadas. Minha mãe já estava casada e empregada (meu pai, “só” bem empregado). Há quem faça fortuna antes dos 21 – uma lista que vai de celebridades como Kylie Jenner e Justin Bieber até empreendedores como Adam Horowitz e Ashley Qualls. Nessa idade, você já pode consumir bebidas alcoólicas, dirigir e ser preso (não necessariamente nessa ordem, mas fica o aviso aí). A sociedade já te trata como um adulto, mas, talvez, você não se considere um.

O sucesso pessoal e o profissional são metas dos millennials – geração de quem faz 21 anos em 2017. No entanto, nossa palavra-chave é satisfação. O tão almejado sucesso só será alcançado se estivermos satisfeitos com nossas condições de vida.

E nunca estamos satisfeitos.

“E aí, já tem emprego?”

Somos a geração taxada de preguiçosa, mimada, “mimimi”, chata, aqueles que moram com os pais até os 30 anos e que não fazem planos de carreira em uma empresa só – ou, em alguns casos, não fazem nenhum plano de carreira mesmo. Tudo isso tem seu fundo de verdade, mas é mais fácil ignorar as razões que levam os indivíduos a se comportarem desse jeito do que tentar entender seu ponto de vista. Por isso, ilustro o caso com uma historinha:

O Lucas (nome bem popular nos anos 90. Se você é millennial, aposto que já estudou em uma sala de aula com pelo menos dois deles e chamava os coleguinhas pelo sobrenome) é um jovem de 21 anos que sonha em obter satisfação pessoal e profissional. Ele é dedicado e inteligente, mas fez cursinho para entrar em uma universidade pública por um ano. Ainda assim, não conseguiu passar em nenhum dos vestibulares, e, quando foi aprovado pelo Sisu naquela faculdade do outro lado do país, fez as contas e percebeu que seria mais barato cursar o ensino superior em alguma universidade particular perto de casa.

Seus pais sempre disseram que ele deveria se dedicar aos estudos, já que eles não tiveram a mesma oportunidade. Por isso, o Lucas nunca trabalhou fora, já que “seu trabalho é estudar”. Ele passou no processo seletivo de um estágio remunerado, mas teria que perder algumas aulas para ter essa experiência. Como os pais de Lucas pagam sua faculdade, eles tem a palavra final – que é “não”. O menino deve se dedicar aos estudos. No fundo, ele está feliz, pois continuará com aquele tempinho livre pra fazer maratona de Game of Thrones e ainda consegue “brincar” com seu Playstation 4 (Lucas, eu prefiro Xbox!).

O problema é que, depois que Lucas se forma, ele não consegue emprego. Apesar de ter um desempenho exemplar na faculdade, o mercado de trabalho é bem diferente. O que acontece? Ele continua em casa. Após um tempo de pressão de parte dos pais, o cara é “empurrado” para a primeira vaga de emprego que aparece. Ele é mal remunerado e não gosta do trabalho. Enfim, Lucas não está satisfeito.

“Como vão as(os) namoradinhas(os)?”

De quebra, Lucas está solteiro. Pra falar a verdade, ele nunca se importou muito com isso – teve uma namorada ali e acolá, mas nada muito sério. Ele até pensava em casar, mas, depois de enfrentar seu fracasso profissional, não tem esperanças pra vida amorosa, que, diga-se de passagem, é bem mais complicada.

Mas, por um milagre/coincidência/providência divina/o-que-você-quiser-chamar, Lucas conheceu a Ana. Eles têm tudo a ver. Os dois gostam de maratonar Game of Thrones e curtir o Playstation 4. Depois de um tempo de namoro, eles ficam noivos. Lindo, né! Parece que tudo vai dar certo. Só que não. O Lucas e a Ana não tem dinheiro pra casar, e ambos estão infelizes com seus empregos, só que não podem pedir demissão, afinal, querem casar (bem paradoxal). Eles adiam o casamento. E adiam mais um pouco. E adiam pra sempre.

Alternativas para viver em paz

A história do Lucas (e da Ana) é bem generalista. Ela só serve para apontar algumas situações com as quais millennials se deparam frequentemente. Se você não se encaixa em nenhuma dessas definições, espero que esse texto sirva para fomentar a empatia. Caso você tenha pensado, durante a leitura: “Caramba! Sou eu!”, aí vão algumas dicas para lidar com a pressão de ser adulto:

1 – Entenda que é normal se sentir despreparado. Você não nasceu falando; aprendeu, aos poucos, a fazer isso. O mesmo princípio se aplica ao mercado de trabalho: comece do básico, e saiba que o crescimento pode demorar – mas faça o possível para que ele chegue.

2 – Caso considere necessário, procure tratamento profissional. Psicólogos, orientadores de carreira e outros profissionais da área estão aí pra isso.

3 – Não culpe a geração passada por sua situação, mas também tenha noção de que as coisas eram muito diferentes na época de seus pais, avós e tios. O mundo muda rápido demais.

4 – Saiba que existe muita gente passando pela mesma coisa – você não está sozinho!

 

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