Iniciativa Favela Orgânica incentiva alimentação saudável nas comunidades

In Economia, Geral, Saúde

Com cursos de culinária, horta orgânica e dicas de investimento na cozinha saudável, Regina Tchelly contribui com a alimentação de qualidade em comunidade no Rio de Janeiro, além da manutenção financeira dos habitantes.

Paula Orling

Ser fitness é uma tarefa difícil. Conciliar paladar e saúde não é para todos. Mas já imaginou manter uma dieta regrada com pouco, quase nenhum, recurso financeiro? A cozinheira Regina Tchelly provou que é possível. Nascida na Paraíba, ela dedicou sua vida a tornar melhor as vidas de outros moradores das comunidades Babilônia e Chapéu Mangueira, no Rio de Janeiro. Por meio da iniciativa Favela Orgânica, Regina organiza projetos de ajuda à comunidade.

O Brasil é um dos 10 países que mais desperdiçam comida no mundo, sendo 41,6kg de comida por habitante por ano, segundo dados da Food and Agriculture Organization the United Nations (2015). Além disso,  desperdiça cerca de 35% da sua produção anualmente. Por isso, a iniciativa, que acontece há quase 11 anos, tem o objetivo de resgatar o ciclo do alimento, combater a fome e o desperdício de alimentos.

Os projetos que decorrem da iniciativa buscam incentivar a mudança social e democratizar a alimentação de qualidade. Portanto, os beneficiados recebem tanto bens de consumo quanto conhecimento para iniciar sua própria alimentação saudável.

Surgimento do Favela Orgânica

Regina Tchelly pensou na iniciativa a partir de sua experiência na cozinha. “Eu sempre quis ser uma cozinheira diferenciada, famosa, mas queria ser aquela cozinheira do amor. Só que eu vejo a alta gastronomia como muito complexa, que dita quem pode comer e quem não pode. Para mim a comida é um direito de todo mundo”, explica Regina, idealizadora do Favela Orgânica.

A cozinheira enfatiza o sentimento de realização ao realizar os projetos do Favela Orgânica, como aulas de culinária saudável, feira de produtos orgânicos e cursos que ensinam moradores locais a produzirem e venderem.

O nutrólogo Fábio Almeida, em entrevista ao O Globo, sustenta a ideia da relação entre alimentação saudável e qualidade de vida. “O ideal é evitar açúcares, gorduras e frituras e procurar ter uma alimentação mais rica em verduras e legumes, como sempre, brócolis e espinafre, que são alimentos ricos em fibras e que vão melhorar o tempo de saciedade. Frutas como laranja e abacate, que têm um efeito benéfico, são recomendadas, sem falar que o abacate é uma gordura saudável”, defende.

Mudança de mentalidade

Qualquer sociedade é estruturada com base na sua própria cultura. A singularidade da construção do pensamento cultural foi defendida por Danilo Santos de Miranda, diretor do Serviço Social do Comércio (Sesc) de São Paulo, durante evento da Unicamp. O palestrante ressaltou que a cultura é um aspecto social influenciado por fatores como o meio populacional e o acesso ao conhecimento.

Quando o ambiente é uma comunidade periférica, a formação estrutural da cultura é a mesma. A assistente social Marília Lago elucida que os hábitos alimentares saudáveis são um aspecto cultural pouco desenvolvido. “A pobreza nem sempre é sobre dinheiro, mas envolve também a questão de hábitos que não foram criados, costumes que não foram aprendidos ao longo da vida. Isso passa de pai para filho e eles se acostumam a comer precariamente”, completa.

Histórico

1888 foi o ano de libertação dos escravizados brasileiros. Pressionada pela economia exterior, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, proibindo a escravização. Contudo, no livro “Estudo sobre a libertação dos escravos no Brasil” (1882), o autor Arnizaut Furtado prevê a falta de preparo sociogovernamental para a emancipação dos recém libertos.

Diante do despreparo do Brasil, os que foram libertos se estabeleceram na periferia, com pouco ou nenhum recurso financeiro para o desenvolvimento de uma nova vida, formando comunidades de habitantes baixa renda.

Neste sentido, outro evento corroborou com a formação das chamadas “favelas”: a Guerra dos Canudos. Quando soldados não receberam seu soldo e saíram do Ministério do Exército após uma confusão interna, se estabeleceram no Morro da Favela, chamado assim por conta da planta conhecida como faveleira. Os militares, sem acesso a recursos financeiros, invadiram o Morro da Providência e o chamaram de “favela”.

Com o passar dos anos, as comunidades se desenvolveram e se expandiram e, atualmente, 17,1 milhões de pessoas residem nas comunidades periféricas, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, em parceria com o Data Favela e a Central Única das Favelas. Estes moradores, sem rendimento monetário suficiente para estabelecer uma alimentação de qualidade, são beneficiados com projetos como o Favela Orgânica.

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