Mãe ao cubo

In Entrevista, Geral

Simone Vicente conta adversidades, histórias e momentos especiais sendo mãe de trigêmeas.

Hellen de Freitas

Quando pensam na figura materna, atribuições são definidas, como, paciência, mansidão, inteligência e abnegação da sua própria vida para viver em função de seus filhos.

Ao pensar em todas as dificuldades desde a gestação, educação a um início real a vida adulta, é difícil imaginar o trabalho e tempo gasto para se assegurar de que o objetivo como mãe foi cumprido com sucesso. Agora triplique esse peso e você entenderá um pouco da trajetória e vida da Simone Vicente de 43 anos, confeiteira e mãe das trigêmeas influencers, Ana Júlia, Maria Clara e Maria Gabriela de 19 anos, que contam com mais de 7 milhões de seguidores no Tik Tok. 

Em entrevista para a ABJ, Simone conta um pouco de sua história como mãe de trigêmeas, momentos engraçados e obstáculos enfrentados por ela. 

Hellen de Freitas : Como foi receber a notícia de que não era uma, nem duas, mas três meninas?

Simone Vicente : A princípio foi assustador porque eu já tinha a certeza que estava grávida, porém, não sabia que era esse tanto. Eu fui fazer o ultrassom normalmente e descobri que tinham três. O médico me assustou pois contou os riscos e o quanto era perigoso esse tipo de gestação, mas no final deu tudo certo e todos ficamos muito apaixonados nelas.

HF : E como é a gestação de trigêmeas, as diferenças, dificuldades, etc.

SV:  Assim, não foi uma gravidez fácil, eu fiquei muito pesada e tinha que ficar de repouso. Para ter uma noção eu não pude nem fazer o enxoval delas por minha barriga estar muito pesada. Eu não poderia fazer muito esforço para assim conseguir segurá-las o máximo possível e elas não nascerem prematuras. A parte de complicações médicas, eu tive pressão muito alta e tive que ficar internada, fui para casa e voltei para o hospital de novo para ganhar elas, só que a médica quis segurar um pouco mais pro pulmão das três ficar pronto para o nascimento. Já o parto foi tranquilo e nem eu nem elas sofremos nada.

HF : Tem alguma história interessante no hospital nesse período da maternidade?

SV:  O que eu tenho é história. Teve uma muito engraçada em que eu fui para o berçário amamentar elas, fui em uma incubadora dei de mamar, peguei a outra e dei mamar e na hora que eu fui pegar a terceira uma outra mãe que estava na sala falou: “Quando você terminar de dar para essa outra, você dá pro meu também?”. Ela achou que eu ia lá para amamentar todas as crianças, então depois disso eu expliquei para ela que era mãe das três e que nem poderia dar leite assim, pois tem muitos riscos… mas na hora foi muito engraçado. Tem uma outra história também que estava até contando para as minhas filhas esses dias. Aconteceu que estava chovendo muito, temporal mesmo, e por eu estar com tanto medo delas levarem choque, ficava desligando a incubadora da tomada e quando parava de chover eu corria de novo para ligar. Tenho também uma última história, foi assim, lá no hospital que eu ganhei elas, tinham muitos estagiários, e eu morria de ciúmes deles darem banho nelas, então eu esperava eles irem embora para poder dar banho do meu jeito, às vezes até mentia falando que já tinham dado… eu parecia uma onça.

HF : Como você lidou com a pós-maternidade, essa época de adaptação com as meninas?

SV : Não foi fácil, principalmente porque eu era mãe de primeira viagem. Mas eu aprendi muita coisa no hospital, afinal, fiquei um mês com elas, então deu pra aprender muita coisa lá. Na época também eu era professora, então, já tinha uma noção de como lidar com criança. Mas assim, não é fácil minha vida mudou 180 graus, porque antes eu trabalhava o dia todo, fazia faculdade a noite e não tinha preocupação com nada, nenhum filho para cuidar e da noite pro dia cheguei em casa com três bebês para criar… na época não tinha condições para pagar alguém para ajudar, então era a família mesmo que ajudava de manhã, e à noite éramos eu e meu marido, então foi complicado, mas deu certo. Na questão de estudo e trabalho eu larguei tudo para dar prioridade a elas. 

HF :  Tenho certeza que já te perguntaram como você diferenciava as meninas, chegou a se confundir?

SV : Desde o dia em que elas nasceram ficou gravado na minha mente o rostinho de cada uma, não consigo esquecer, só que muitas vezes de relance a gente confunde mesmo, hoje até que não mas quando elas eram menores, eu e o pai, nos confundimos mais. Mas assim, mesmo sabendo quem são, meu esposo principalmente, ainda fala com uma achando que é outra, às vezes briga com uma e nem era com ela. Já eu sempre soube diferenciar e hoje em dia é mais fácil também. 

HF : Como aconteceu a escolha dos nomes, como vocês colocaram em cada uma delas?

SV : Então, eu tinha uma aluna que se chamava Maria Clara e eu sempre falava que a minha filha se chamaria assim. Quando descobri que eram três fiquei naquele impasse de decidir os outros dois, mas na época tinha uma música que eu gostava muito, era Ana Júlia dos Los Hermanos, então ficou decidido que a segunda se chamaria assim. Para a terceira, meu marido gostava bastante do nome Maria Gabriela e ele acabou escolhendo esse como o nome da última. E eu sempre falei que a primeira ia se chamar Maria Clara, a segunda Ana Júlia e a terceira Maria Gabriela, inclusive na hora do parto eu ficava repetindo o tempo todo a ordem, pois eu tinha essas escolhas bem certas, mesmo até antes delas nascerem. 

HF : Como você arranja tempo para se cuidar em meio às responsabilidades de ser mãe?

SV : Na verdade, eu me deixo um pouco de lado, sabe? A minha prioridade sempre foi e sempre será elas, agora que eu tento me cuidar mais por cobrança delas mesmo, antes eu era totalmente integral a elas e agora que elas estão mais independentes fica mais fácil para mim, em partes né, porque a preocupação fica sempre lá, se elas chegam tarde eu fico no sofá esperando… mas assim tempo é difícil, sempre penso mais nelas.

HF : Teve algum momento em que pensou em desistir ou sentiu que não teria o necessário para criar as três?

SV : Não, nunca, eu sempre tive forças, até nas piores fases como os problemas psicológicos. Quem acompanha elas sabe da anorexia e de como foi um período muito, muito difícil, mas sempre me mantive firme. Não vou dizer que não chorava ou me desesperava, pois tinham esses momentos, mas eu nunca demonstrava para elas, sempre mostrei muita força e tinha a certeza que venceríamos. E… vencemos. 

HF : Agora que você falou de acompanhar nas redes sociais, eu gostaria de saber qual a sua maior preocupação como mãe de meninas que estão sempre em público e com quase nenhuma privacidade? 

SV : O que mais me chateia hoje são os haters, antes quando o número de seguidores era menor, eu ainda conseguia apagar comentários ruins e ter uma noção, mas hoje eu não consigo mais acompanhar tanto pelo meu serviço quanto porque elas cresceram muito. Igual, pouco tempo atrás elas estavam se recuperando e pararam de gravar por um período, assim que elas voltaram veio uma pessoa e comentou “Ué, vocês não morreram não?”, e eu só penso no tamanho da maldade e o quanto a internet é uma terra sem lei. Então atualmente os haters me preocupam muito, pois as vezes elas nem se afetam, mas afeta a mim. Mexeu com filho mexeu com a onça. 

HF : Valeu a pena, passar por momentos difíceis, situações em que você teve que se colocar em quarto lugar, para cuidar das meninas?

SV : Com certeza. Eu faria tudo de novo, não mudaria nada, não faria nada de diferente. 

HF : Para finalizarmos, o que é ser mãe para você? 

SV : É uma coisa muito especial, eu perdi a minha mãe agora a pouco tempo, então é muito difícil, e no período mais recente que perdi ela, eu pensava que não gostaria mais de viver… mas toda vez que isso vinha a cabeça eu imaginava minhas filhas e como elas sentiriam a mesma dor que eu estou sentindo e o quanto eu não quero nunca, que elas sintam essa dor. As três me dão mais força para lutar e continuar. 

 

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