Missão dada é missão cumprida

In Cultura

Missionários são pessoas que constantemente trocam conforto pelo perigoso desconhecido

Karol Aguiar

Imagine deixar o seu próprio país para ir para outro, onde além de não conhecer ninguém, você também não entende nada do que as pessoas falam, não tem ideia dos costumes locais, nunca tinha ouvido falar daquele tipo de comida, entre outros fatores que envolvem morar em outro país. O desconhecido pode parecer loucura. Principalmente se o país em questão for de terceiro mundo. Ou até mesmo, se essa nação estiver em guerra. Deixar o conforto da própria casa, desembolsar dinheiro e se aventurar em um lugar com essas condições, com o único objetivo de ajudar ao outro, é algo que nem todo mundo consegue encarar. No entanto, existe um grupo de pessoas no mundo que doa seu tempo, dinheiro e esforços para se arriscar nos perigos do desconhecido. Esses são os missionários.

A paixão pela missão vem de formas diferentes para cada pessoa. Para o dentista Régines de Araújo, que sempre teve a alma de aventureiro, a certeza de que queria ser missionário despontou aos 13 anos. Mas esse sonho só se realizou em 1990, aos 23 anos, quando foi para Suazilândia, no continente africano. E esse foi só o começo. Régines já serviu como missionário em inúmeros países, dentre eles, Ruanda e Iugoslávia.

Ruanda havia passado por uma guerra civil um pouco antes da chegada do dentista. E a Iugoslávia estava em guerra quando ele chegou para servir em missão, a Guerra de Kosovo, uma luta entre católicos ortodoxos e mulçumanos. Tratava-se de um ambiente hostil para o trabalho e um lugar perigoso para um cristão. E ainda assim, segundo Régines, essa não foi a situação mais complicada com a qual se deparou. Kevin Dantas, estudante de jornalismo e teologia, também passou por situações semelhantes. Ele fala que o momento mais difícil que enfrentou quando estava em missão foi a falta de recursos.

O primeiro destino de Kevin foi o Uruguai, onde se apaixonou pelo campo missionário e ganhou motivação para ir para um dos países com o maior número de população não cristã, Bangladesh, onde ficou um ano. O estudante trabalhava junto com outros 11 voluntários. Inicialmente, sua função era gerente de logística da Adra (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais). “Mas o primeiro mês foi só limpando cadernos, que estavam estocados num galpão que não haviam sido limpos há mais ou menos 15 anos. Estavam imundos e tomados pelos ratos”, conta.  Com o tempo, Kevin foi se envolvendo em outras áreas de trabalho, como o marketing. E também com os projetos missionários, como agricultura, emergências, economia, empoderamento da mulher e de educação.

Devido à superpopulação em Bangladesh, as crianças precisam fazer uma prova para ingressar na escola pública. No entanto, eles não têm nenhum tipo de educação preparatória para fazer esse exame de admissão. “E esse é o objetivo dos projetos de educação: atender cerca de trezentas crianças, para que elas tenham um preparo para fazer essa prova”, revela.

Para o estudante, um dos momentos mais difíceis foi quando perderam os recursos para assistir a esses projetos. Infelizmente, um dos doadores era sueco e a moeda da Suécia sofreu uma queda. Isso fez com que eles perdessem, em média, 30% do orçamento.

Os voluntários se mobilizaram para conseguir a quantia perdida, já que era essencial para o desenvolvimento do programa de educação. Kevin conta que passou quase dois meses sem dormir. Durante o dia, tinha as atividades normais que a missão apresentava. E durante a noite, entrava em contato com possíveis doadores. Isso fez com que muitas vezes, o missionário ficasse de cama por até uma semana. Sem ter condições de se manter em pé.

Apesar de todas as dificuldades, Kevin garante que sentia tudo valer a pena quando recebia um sorriso ou algum gesto singelo de alguém que estava sendo ajudado. “Teve um dia em que eu estava muito mal, a beira do desespero mesmo. E então chegou uma criança lá da comunidade, tocou em mim e falou ‘tira uma foto minha, tio’. Isso fez com que toda a pressão que eu estava sentindo fosse aliviada. Deus sempre mandava algum gesto assim quando eu estava precisando”, relembra.

Independentemente dos obstáculos, das crises e das necessidades que são enfrentadas, viajar como missionário é muito gratificante. Nas palavras do estudante de Publicidade e Propaganda, Kenneth Mayr, que foi voluntário em Madagascar, África, “ser missionário é amar sem esperar nada em retorno”.

Crédito das imagens:

Kenneth em projeto social na ilha de Madagascar

Kevin Dantas

Kenneth Mayr

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