Novo ensino médio é implementado no Brasil

In Educação
Novo ensino médio é desafio para professores e alunos

A iniciativa altera a grade curricular e a carga horária estudantil

Lucas Pazzaglini

A proposta do novo ensino médio, aprovada em 2017, começa a ser aplicada este ano pelas escolas em todo o Brasil. Colégios públicos e privados devem integrar disciplinas para promover grades curriculares mais adequadas a cada aluno. A mudança afeta apenas o primeiro ano do ensino médio em 2022.

A organização do novo ensino médio segue as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que é o conjunto de orientações para a elaboração dos currículos disciplinares. Na nova estrutura, os conteúdos serão divididos em áreas de conhecimento, sendo elas: matemática e suas tecnologias, linguagens e suas tecnologias, ciências humanas e suas tecnologias e ciência da natureza e suas tecnologias. Todas essas áreas já são contempladas pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Nenhuma disciplina preexistente será excluída na nova forma de ensino, mas o estudo de português e matemática será obrigatório anualmente, enquanto as outras matérias serão estudadas ao longo de três anos.

O que muda?

A partir da Lei nº 13.415/2017, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi alterada, aumentando o tempo obrigatório durante o ensino médio, que passou de 2.400 horas para 3.000 horas.

Além das quatro áreas de ensino base disponíveis, será implementada a de Formação Técnica e Profissional (FTP), oferecida a partir dos itinerários formativos. 1.200 horas serão reservadas para os itinerários e 1.800 horas para as competências das áreas de conhecimento.

Itinerários formativos

Os itinerários formativos darão oportunidades de aprofundamento ao aluno na área que mais o interessa.

A partir deles serão oferecidos projetos, oficinas, núcleos de ensino e outras situações de trabalho na área escolhida pelo aluno, como é explicado pelo portal do Ministério da Educação (MEC). Eles serão baseados nas áreas de conhecimento específicas além da  formação técnica e profissional, funcionando como uma “matéria extra”.

Adaptação à forma de ensino  

O processo de implementação do sistema nas escolas é desafiador, como conta a coordenadora pedagógica do Colégio Adventista de Petrópolis, Lisiane Moraes. Desde o ano passado, ela e sua equipe participam de capacitações sobre o novo ensino médio.

Para a coordenadora pedagógica, ao longo dos três anos do Ensino Médio, os alunos desenvolverão mais maturidade para as escolhas da vida profissional através dessa reforma na educação. No entanto,ela destaca que ainda existem dificuldades estruturais. “Estamos em construção contínua […]. Se faz necessário uma mudança de mentalidade das famílias e do próprio aluno. Mas, para isso, a educação está aqui”, frisa.

João Pedro Brotto cursa o primeiro ano do novo ensino médio no Colégio Adventista de Petrópolis. Ele garante que as aulas são “tranquilas”, mas ressalta que, mesmo com as facilidades proporcionadas pela equipe do colégio, ainda é preciso se adaptar ao novo sistema de ensino.

Cada rede de ensino terá autonomia para definir os itinerários formativos ofertados e tem até 2024 para se adequar às novas diretrizes de ensino.

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