Superação versus pandemia

In Geral, Mundo, Saúde

Brasileiros vivem sonhos e vencem desafios como estrangeiros

Samuel Matheus

Milhares de jovens migram para o exterior para buscar oportunidades profissionais e melhorar a qualidade de vida. O Portal da Câmara dos Deputados fez uma reportagem especial sobre o número de brasileiros que vivem e trabalham internacionalmente.  Segundo o site, há uma estimativa de dois milhões e meios de brasileiros vivem e trabalham no exterior e três milhões e meio que viajam todos os anos à turismo.

Entretanto, viver fora da própria zona de conforto e buscar novas oportunidades acadêmicas ou profissionais podem gerar alguns problemas emocionais. Isso leva muitas pessoas a lidarem com a palavra superação. De acordo com a Psicóloga Camila Moyano, residente no Egito, superação é “enfrentar uma situação que antigamente lhe trazia pensamentos negativos e agora não traz mais”.

A psicóloga acrescenta que para viver em um ambiente transcultural, é necessário desenvolver paciência e adaptabilidade. Quando se desenvolve a paciência, o estrangeiro entende que a cultura e o tempo são diferentes.

Já a adaptabilidade é desenvolvida em outras questões como na alimentação e vestuário. “A pessoa se trava quando fica com muita comparação do país natal e atual, a paciência e adaptabilidade andam juntas e ajudam nesse momento”.

Dentre vários lugares do mundo, dois brasileiros que moram em países diferentes, como Austrália e França contaram suas experiências de vida e como estão vivendo durante a pandemia.

Enfermeira reside na Austrália há oito anos

Muitos brasileiros têm o desejo de obter domínio proficiência na língua inglesa. Por ser um idioma internacional e oferece grandes oportunidades de carreira, muitos jovens buscam por esse objetivo.

Andrea Guimarais (45) formada em enfermagem, após trabalhar sete anos na área da saúde optou por mudar radicalmente seus objetivos de vida. Aos 35 anos, a enfermeira despertou em seu coração o desejo de aprender inglês. Seria um grande desafio – principalmente pela idade avançada, entretanto isso não foi um empecilho e ela foi atrás do seu alvo.

O que ela não imaginava seriam as oportunidades que apareceriam para ela vivendo em outra cultura. Ela trabalhou como Au Pair – programa de intercâmbio cultural onde o trabalho principal é cuidar de crianças. Sua meta foi alcançada com facilidade e rapidez e logo já obteve a fluência no idioma.

Andreia morou dois anos na Irlanda. O propósito era estudar inglês, mas a vida reservou outras surpresas. Na cidade de Dublin, ela conheceu o australiano Mark Snyders. Após dois anos de namoro, veio o tão sonhado pedido de casamento. Após a cerimônia entre família no Brasil, o casal se mudou para Sydney.

A enfermeira relata que já teve muitas histórias de superação. Quando chegou na Austrália, trabalhou como “babá” para uma família australiana. Entretanto, todo brasileiro almeja exercer sua carreira profissional em país estrangeiro e com a enfermeira não foi diferente.

Para a enfermeira não foi fácil, após o primeiro emprego ela relata: “fui trabalhar em Aged Care que é como uma casa de repouso para idosos no Brasil.” Ela se destacou profissionalmente até se tornar supervisora de umas das principais funções da empresa.

Logo no início da pandemia, Andreia relata que veio de férias ao Brasil em comemoração as bodas de ouro dos seus pais. O que estava programado para ser duas semanas viraram dois meses. Contudo, quando ela retornou de férias à Austrália, recebeu uma ótima oportunidade de emprego como Register Nurse – enfermeira registrada nacionalmente. Hoje Andreia vive sua melhor fase de vida. Hoje ela tem o privilégio de ser mãe, ter estabilidade profissional e financeira em um país estrangeiro que virou o seu lar.

Analista internacional reside na França há 5 anos

O jovem Lucas Turano (24) topou o desafio de morar na capital da França com seus 19 anos. Com sua estabilidade financeira no Brasil, ele não estava suportando mais as pressões psicológicas, cobranças excessivas e pediu demissão de seu estável emprego. Em pouco tempo, comprou as passagens e foi viver uma aventura em Paris.

A jornada de Lucas não foi fácil. O internacionalista relatou que o seu próprio amigo que o recepcionou em sua chegada, roubou mil euros no segundo mês vivendo na Europa. Além de roubá-lo, o expulsou de sua residência. Essa situação longe do lar e sem saber falar o idioma, apenas com o inglês intermediário, deixou-o abalado psicologicamente.

Lucas conta que foi um baque essa experiência. Sem saber para onde ir, pois seu único conhecido o mandou embora, ele procurou um alojamento compartilhado para morar.  “Foi assustador viver em uma república cheia de russos com uma cultura extremamente diferente da minha”, afirmou. No final dessa jornada, essa experiência o ajudou a crescer mentalmente.

Algo interessante na vida do analista internacional foi o seu primeiro emprego na França. Ele trabalhou em um hospital onde maquiava os mortos. Longe do seu país natal, teve que vencer os desafios.

Ao relatar sobre suas experiências, ainda de férias no Brasil o internacionalista não conseguiu regressar à França pois encontra dificuldade de voos e abertura de fronteiras. Hoje, Lucas trabalha como tradutor de francês e português. O jovem já tem seu apartamento, carro e está conquistando seus sonhos em Paris que segundo ele, “foi sem passar por cima de ninguém.”

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