Sustentação de universidades com doações é uma prática comum no exterior

In Economia, Educação

Sara Rabite

Muitos recursos são necessários para as universidades se manterem, seja para pagar professores e funcionários, manter e renovar a estrutura física, investir em pesquisas, entre outros. Entretanto, a forma de sustentação dessas universidades varia muito de acordo com a região, cultura, classe social. Em entrevista à ABJ Notícias, Ruben Holdorf, doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e coordenador do curso de Jornalismo do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp-EC) explica sobre os métodos de financiamento de universidades brasileiras e americanas.

ABJ Notícias: O modo de sustentação das universidades brasileiras é diferente das universidades no exterior. Nos EUA, por exemplo, a sustentação das universidades por meio de doações é muito comum. Explique-nos um pouco sobre isso.

Ruben Holdorf: As universidades norte-americanas não recebem apenas o numerário das mensalidades. Ex-alunos e admiradores mantêm um ciclo de doações, principalmente as chamadas alma mater. Ou seja, são egressos cujo reconhecimento pela formação recebida se materializa em forma de doação. Muitos dos gestores das instituições de ensino superior aplicam os valores recebidos, fazendo-os girar no mercado ou em empreendimentos. Trata-se de outro modo de multiplicar as doações.

ABJ: Quais exemplos de universidades conhecidas que se mantêm através de doações? Em média, quanto essas universidades recebem por mês ou ano?

Holdorf: Só a Universidade Harvard recebe anualmente cerca de trinta bilhões de dólares de doadores, um deles, o ex-aluno de Direito Bill Gates, que se sequer concluiu o curso, optando pelo empreendedorismo no campo da informática. A Fundação Gates já doou mais de quarenta bilhões de dólares para diversas universidades, inclusive na África. A Universidade Andrews, mantida pela Igreja Adventista nos Estados Unidos também conta com a benesse de filantropos, desde pequenos valores até milhares de dólares. E isso não é novidade e não fica no limbo. Volta e meia a universidade publica uma revista contendo a lista dos doadores e os valores confiados à instituição adventista.

ABJ: Por que essa prática é importante? Dentro das universidades como é feita a divisão dos recursos?

Holdorf: Demonstra gratidão, reconhecimento da importância da educação na formação profissional, cidadã, emocional e até mesmo espiritual. Cada instituição tem o seu método ou modo de empregar ou investir os recursos advindos de pequenos doadores ou grandes filantropos. Harvard tenta diversificar ao investir os valores em diversas áreas, a fim de evitar a surpresa das crises econômicas e o mau emprego dos recursos em atividades de risco.

ABJ: Que pessoas contribuem ou podem contribuir com doações? Existe um valor mínimo?

Holdorf: Qualquer um pode investir em uma instituição de ensino superior. Não há valor mínimo nem máximo. Vale o que manda o coração e a razão.

ABJ: Alguma universidade brasileira já praticou esse método das doações?

Holdorf: Há mais de vinte anos, a Universidade Federal do Paraná oferecia aos egressos a oportunidade de manter uma doação mensal à instituição. Aos associados, entregavam-se carnês, cujos valores oscilavam a partir de 20 reais. Desconheço outras universidades. O Unasp recebeu muitas doações de filantropos adventistas brasileiros e estrangeiros. Todavia, jamais se criou uma cultura de doação entre os egressos ou entre os membros da Igreja que acreditam na educação.

ABJ: No exterior as doações não vêm somente por meio de pessoas, existem empresas e instituições que colaboram com muitas universidades. No Brasil também há?

Holdorf: Não saberia mencionar nomes, mas acredito que sim, mesmo sendo mais rara essa atitude no Brasil.

ABJ: O que pode ser feito para os brasileiros começarem a desenvolver o senso de percepção de responsabilidade com a educação?

Holdorf: Mudar o foco centrado em falsos ícones. Quem não compartilha da importância da educação, não pode servir de referencial para a vida. A partir do momento no qual os atores do cenário nacional começarem a perceber a necessidade de deserdar a velha guarda, voltando-se à educação, aí sim poderá ser o início de uma nova era para o país. Lembro que educação não se projeta para um mandato político, mas se trata de um objetivo permanente de longo prazo.

*Foto: https://goo.gl/ukUi4e

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