Mulheres decidem empreender após se tornarem mães

In Economia, Geral
mãe empreendedora

Mães utilizam o empreendedorismo para conciliar cuidado com os filhos e garantia de renda.

Gabrielle Ramos Venceslau

Ser mãe é o sonho de diversas mulheres, mas imagina ter um negócio em meio a maternidade? É isso que muitas têm feito para conseguir passar mais tempo com os filhos e garantir a renda adequada para uma boa qualidade de vida. Por meio da criação de suas próprias empresas ou trabalhando remotamente, elas conseguem adequar o horário de trabalho diante das necessidades do dia a dia, além de fazer aquilo que gostam. 

O número de demissões de mães no mercado de trabalho se inicia após o período da licença-maternidade. Após 2 anos, cerca de 50% das mulheres que passaram pelo período de proteção ao emprego perdem o emprego, diz estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas. Assim, melhorar a qualidade das leis em relação ao trabalho da mulher após a maternidade e incentivar a qualificação de mães empreendedoras no mercado financeiro “são coisas positivas, devendo ser feitas em paralelo”, segundo a  economista e mestre em gestão de negócios, Dirlene Silva.

Em estudo realizado pela Rede Mulher Empreendedora (RME), 55% das mulheres empreendedoras do Brasil têm filhos e cerca de 75% delas decidiram ter o próprio negócio após se tornarem mães. Essa atitude é apoiada pelos projetos, listados pelo SEBRAE, Maternativa, B2Mamy, Mompreneurs, dentre outros. “Mulheres mães, na maioria das vezes, se tornam muito melhores tanto profissionalmente como seres humanos. A maternidade não é sinônimo de incompetência e sim de potência!”, expõe a economista, que também é mãe.

Por priorizarem o tempo com os filhos e a criação deles, que mães como: Karina Lopes, Letícia Pinho, Maira Fontoura e Valquíria Gualberto decidem por se tornarem empreendedoras. Assim, cada uma delas possui uma história diferente de como conseguiram conquistar os seus objetivos.

Mãe empreendedora e idealizadora de clube

Karina Lopes,40 anos, casada e mãe de três filhos: o mais velho de 14 anos, seguido pela do meio com 8 anos e o mais novo de 5 anos, é servidora pública municipal e criadora do Clube de Mães Empreendedoras de Peruíbe, São Paulo. Ela conta que por trabalhar a 15 anos com atendimento a mães na escola onde trabalha, sentiu a “necessidade de valorizar as que começaram a empreender antes da pandemia e as que iniciaram na necessidade justamente por causa da pandemia.”

Karina conta que muitas mães da cidade começaram a empreender por necessidade. Devido a pandemia, elas ou seus maridos ficaram desempregados. E pelo fato de ser uma cidade turística, Peruíbe ficou sem turistas. Por isso, ela iniciou o empreendimento em junho de 2020, que conta com uma rede de apoio e divulgação às mães. “Não faria algo que só mostra o produto ou serviço, o intuito é mostrar primeiro quem faz, quem é a mulher e mãe por trás do serviço oferecido”, explica.

Por meio das redes sociais, ela divulga os eventos do clube que acontecem de forma presencial e on-line, tendo como objetivo potencializar as vendas e movimentar o comércio local na cidade e região.  Além disso, Karina faz parceria com empresas como o SEBRAE para realizar formações gratuitas.

“Ser minha própria chefe no meu empreendimento é ter liberdade para criar e executar idéias e ações. Mas grandes poderes, grandes responsabilidades!”, ressalta. Por essa razão, Karina utiliza uma agenda para administrar melhor o seu tempo. Além disso, ela diz que no empreendedorismo tem que ter dedicação e não querer tudo de imediato. Pois, “tudo é constância e trabalho duro”.

Para ela, o maior desafio é conciliar o trabalho e a criação dos filhos sem a culpa de estar deixando algo de lado. Por isso, ela diz que é essencial para uma mãe empreendedora ter uma rede de apoio em casa também. “Meus filhos e meu marido me apoiam e me ajudam muito”, relata.

No Clube de Mães Empreendedoras de Peruíbe, Karina, como chefe, pensa no grupo e como pode ajudar as mães. “Eu acredito muito em nosso lema de que ‘juntas somos mais fortes’. Eu idealizo o projeto, mas sozinha não posso executar e realizar tudo, preciso da ajuda de todas elas. E com essa união conseguimos alcançar o sucesso”, enfatiza.

Mãe solo e empreendedora 

“Como sou mãe solo, tenho que administrar outras tarefas [além do trabalho], como a casa, levar meu filho para escola”, relata Letícia Pinho, 31 anos, que é fundadora do Studio Dondoca Petrópolis, criadora do curso: zero ao sucesso nails e possui  13 anos de experiência com unhas.

A empresária resolveu abrir o studio quando o seu filho tinha 1 ano e 3 meses, nessa época ela já havia voltado da licença maternidade e tinha decidido sair da CLT(Consolidação das Leis do Trabalho) para comissão em uma esmalteria que trabalhava na época. Pois, assim ela teria mais disponibilidade de dia e horário para trabalhar e cuidar do filho, que tinha febre emocional.

Letícia conta que estava no mercado das unhas havia sete anos e tinha muitas clientes, por isso surgiu uma oportunidade dos pais dela investirem em um negócio e ela entrar com o trabalho administrativo, uma vez que é formada em administração empresarial. 

“Não acredito que seja difícil conciliar a maternidade e a profissão quando você tem amor pelo o que faz, mas é um fato que muda tudo, pois a organização se baseia na rotina a qual cada mãe vai ter com o seu filho”, conta. Letícia diz que baseia a sua rotina a partir do período que o seu filho está na escola. 

Além de ser sua própria chefe, ela conta com mais nove parceiras de trabalho. “É desafiador administrar uma empresa, tem dias que eu acordo querendo trabalhar só comigo, porém, eu lembro do porquê eu abri o meu espaço”, diz. Ela conta que sempre teve senso de responsabilidade e sempre buscou ir além e por ter sido sempre fiel ao pouco, Deus a presenteou com o muito. 

Letícia diz que a sua maior motivação é seu filho, e por isso, quer sempre dar e ser o melhor para ele, apesar dos desafios encontrados. “Eu escolhi seguir uma vida em que a flexibilidade estivesse presente, para que eu pudesse estar mais presente na vida do meu filho”, finaliza. 

Mãe empreendedora: home office 

Maira Fontoura, 41 anos, é social media estrategista, cria conteúdos digitais para empresas e tem três filhos de 18, 6 e 4 anos. “Eu sempre tive essa veia empreendedora, mas comecei a empreender de fato quando tive o meu primeiro filho e vi então a necessidade de passar mais tempo com ele”, conta.

Quando o primeiro filho dela nasceu, Maira trabalhava o dia todo e fazia faculdade a noite. “Não era fácil”, declara. Por isso,  ela começou a trabalhar com publicidade, criando guias de bairro e atualmente trabalha com marketing digital.

“Trabalhar como empreendedora tem uma grande vantagem por conta da flexibilidade”, ressalta. Ela consegue ter mais tempo com seus filhos e participar ativamente da vida deles, assistindo reuniões e apresentações na escola, fazendo viagens, dentre outros.

Apesar disso, o horário de trabalho no home office pode não ser muito fácil, pois às vezes Maira tem reuniões no horário que os filhos estão em casa. “Tem esse desafio, mas ao mesmo tempo é muito bom, a gente faz uma reunião e daqui a pouco senta e vê um filme”, explica.

Na cidade onde ela mora, Garopaba, Santa Catarina, existe um grupo de WhatsApp que se chama “Mães Empreendedoras” e elas são mais de 100 mulheres que se ajudam, fazendo parcerias e trocas de experiências. Elas realizam encontros, feiras e eventos juntas. Além disso, Maira faz parte do Núcleo da Mulher Empresária de Garopaba, da Associação Comercial.

“O desafio de ser sua própria chefe requer muita disciplina, porque a gente precisa sim ter o nosso planejamento, mas eu acho que é super vantajoso”, relata Maira. Ela diz que por esse motivo consegue criar e trabalhar melhor na área que realmente gosta, se identifica e tem facilidade. 

Mãe empreendedora: empresária

“Hoje me sinto mais realizada e produtiva, consigo ter bem mais disposição para minha família e meus negócios”, conta Valquíria Gualberto, 36 anos, sul mato grossense, que reside atualmente em Aracaju – SE, casada, mãe de três filhos sendo o mais velho com 17 anos, a do meio com 8 anos e o caçula com apenas seis anos.

No ano de 2017, quando Valquíria teve o seu terceiro filho, ainda durante o período de licença maternidade, ela percebeu a oportunidade de ganhar uma renda extra e conciliar a criação dos três filhos. Antes ela trabalhava 12/1 na área de saúde como técnica em enfermagem, por isso o tempo era curto e o trabalho muito cansativo. 

“Iniciei meu empreendimento com lembrancinhas para festas e artigos religiosos, então, foi quando recebi uma proposta que parecia mais um desafio; que seria criar um boneco articulado, didático para ser usado em palestras e consultorias”, ressalta. Após várias tentativas, estudos e projetos, Valquíria conseguiu elaborar o primeiro “boneco simulador”, que se tornou o principal produto da sua atual loja: Mãe Criativa Oficial, a qual tem dez produtos confeccionados em tecido e feltro feitos à mão.  

Para ela, ser sua própria chefe não quer dizer que tudo será mais fácil. “Pois as exigências são bem maiores com relação a prazos, metas e compromissos com clientes”, explica. Assim, a fim de conseguir fazer tudo que é necessário, Valquíria trabalha em torno de seis horas por dia, dedica o horário da manhã para a área espiritual e acadêmica dos seus filhos e afazeres domésticos e no período da tarde foca na agenda de trabalho, estoque de materiais, confecções e contatos com alguns clientes.

Em 2019 ela se tornou oficialmente microempreendedora individual, sendo a pioneira no Estado de Sergipe. Atualmente, ela trabalha em parceria  com duas artesãs que atuam de forma terceirizada na produção de produtos que compõem o estoque de produtos da sua loja. “Sou grata primeiramente a Deus por me capacitar com o dom de ser mãe empreendedora”, relata.

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