A pele espelho: entenda a relação da psoríase com a mente

In Geral, Saúde

Sâmilla Oliveira

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, a psoríase é uma doença de pele crônica, não contagiosa, que afeta 5 milhões de brasileiros. Sua principal característica são manchas avermelhadas que surgem e ressurgem de tempos em tempos na pele. A psoríase pode ser desencadeada principalmente por fatores psicológicos, já que é uma doença psicossomática, ou seja, com aspectos orgânicos e psíquicos. 

A psicodermatologia defende que a evolução da psoríase está ligada a uma série de problemas psicológicos, como ansiedade, depressão, estresse e baixa autoestima. Conforme a dermatologista Patrícia Alves, muitos pacientes relatam sentir vergonha ou constrangimento devido às manchas na pele, o que pode levar à evitar atividades sociais e consequentemente à reclusão. 

Para o professor do departamento de psicologia da PUC-SP, Hélio Roberto, a pele é o nosso contato com o mundo. Ele explica que a pele é o maior órgão do corpo humano. “Tudo o que acontece conosco afeta nossa corporeidade. Se nos emocionamos, nosso coração acelera. As reações acontecem de acordo as emoções”, afirma o professor. 

Segundo Hélio, a relação de psoríase com a mente é evidente e trás perturbações. “O que vem primeiro, a psoríase ou a depressão? Na minha experiência, existe uma relação entre elas”, afirma o professor. Ele defende que as emoções não têm que ser controladas, mas entendidas. A mente é responsável por esse trabalho. É ela que interpreta o mundo e é capaz de entender os sentimentos.

E quando suas emoções aparecem na pele? 

A jovem Alexsany Narvaes, que tem psoríase, conta que descobriu a doença quando tinha por volta de 11 anos. Foi quando um inseto picou seu ombro que a sua mãe percebeu uma lesão atrás da orelha. Ela relata que foi difícil lidar com isso na adolescência, descobrir que não tem cura e que precisava tomar muitos cuidados para evitar lesões.  

Alexsany conta que sempre que estava preocupada com uma prova ou estressada com uma tarefa, sua pele piorava. “A pandemia foi uma grande dificuldade, porque ficar em casa fez com que o estresse aumentasse e a psoríase se espalhasse por todo o meu corpo”, destaca. Ela criou um perfil no Instagram, “Pele Pintada”, no qual compartilha a sua história e explica tudo sobre a psoríase para quem não conhece. 

Ela afirma que com o passar do tempo, conforme ela foi crescendo e amadurecendo, começou a se entender e criar métodos para manter o estresse sob controle. “Eu também comecei a fazer atividades físicas e melhorei minha dieta, todos esses fatores hoje me auxiliam no processo de evitar crises”, ressalta a jovem. 

Para o tratamento da psoríase, o professor Hélio indica além de um bom dermatologista, um bom psicólogo. Ele acredita que a psicoterapia pode ajudar a pessoa com psoríase a se aceitar e se conectar com a sua pele e consigo mesma. A psoríase pode ser uma doença solitária, mas ter pessoas em quem confiar pode fazer toda a diferença.

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