Como as metodologias de ensino não favorecem neuroatípicos

In Educação, Geral

A diversidade dentro da sala de aula mostra a necessidade de uma educação mais completa.

Ana Toyota

A escola é um ambiente plural, por isso é um dos lugares onde mais se discute sobre assuntos de inclusão. O IBGE calcula que existam cerca de 17 milhões de pessoas que possuem alguma deficiência no Brasil, seja cognitiva ou física.  A integração social é importante, acabar com o bullying e falar sobre o preconceito com crianças é essencial, no entanto, existem outros âmbitos que também precisam ser inclusivos, um deles é a educação. Uma sala de aula apresenta diferentes tipos de aprendizagem e diversidade cognitiva, por isso é preciso analisar se a metodologia de ensino empregada nas escolas favorece ou não alunos neuroatípicos. 

Pessoas neurotípicas são um grupo com desenvolvimento neurológico com características, que sem considerar a individualidade, são consideradas comuns (ou típicas). Uma pequena parte da população apresenta variações, o que podemos chamar de neuroatípicos, como pessoas que possuem autismo, dislexia, TDAH e discalculia.

Inclusão não é moldar, é reconhecer diferentes visões

Estima-se que cerca de 15 a 20% da população seja neuro divergente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada 160 pessoas possuem o diagnóstico de espectro autista em todo o mundo. Essa realidade mostra que a convivência com pessoas diferentes é inevitável e presente no cotidiano. No entanto, a questão não é moldar alguém a um padrão que seja considerado correto, mas considerar que existem diferentes maneiras diversas de aprendizagem e que essas visões devem ser levadas em conta. 

Sobre o TDAH, a pessoa que o possui tem dificuldades de concentração e apresenta comportamento hiperativo, inquietude e impulsividade. O estudante de música Guilherme Leite possui o diagnóstico e acredita que a educação atual não favorece pessoas diferentes, mas também diz que é difícil criar um sistema perfeito para todos os tipos de aprendizagem. “A gente utiliza um modelo só, onde eles vão lá, e falam sobre o conteúdo,  muito raramente é uma coisa mais prática e vivenciável, que no meu caso, é como eu mais aprendo”, explica.

Para os professores, a problemática para receber os neuroatípicos se mostra na falta de preparo para receber esse público. A professora Ana Carolina Caname lecionou por 20 anos na Associação de Pais e Amigos (APAE), uma instituição de ensino voltada ao tratamento de deficiências, bem como o desenvolvimento e bem-estar dos alunos. 

Atualmente, Ana está em seu segundo ano como docente da rede estadual e afirma que a rede possui muitas dificuldades para incluir neuroatípicos. “Eu conheço escolas particulares que possuem profissionais especializados que acompanham e ajudam esses alunos. Já os professores de salas comuns, são profissionais para escola inteira, desde o fundamental até o Ensino Médio, é impossível atender todo esse público dessa maneira”, explica.

Dificuldade na pandemia

Durante o ano de 2020, o mundo viveu uma situação atípica, já que um vírus altamente transmissível fez com que a OMS decretasse estado de pandemia. Com isso, foi necessário que os países adotassem meios emergenciais para conter a doença, como o distanciamento social, que resultou em mudanças na educação e nos meios de trabalho.

A educação começou a ser exclusivamente online, o que ameaçou a concentração não só daqueles que já tinham dificuldade, mas de todos, em razão das dificuldades psicológicas e sociais que a pandemia trouxe. A queda do desempenho escolar dos alunos mostrou que existem metodologias que atingem negativamente o todo.

Com a entrada da pandemia e a mudança emergencial do modo de ensino, as especulações sobre uma educação mais interativa e tecnológica surgiram. Essa realidade já era discutida com a entrada da nova geração “z”. Crianças que passaram a infância em frente às telas, reinventaram a maneira de brincar, por meio de jogos digitais, que por muito tempo foram considerados nocivos.

O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998), apresenta a ideia de que a criança necessita da brincadeira, para ter prazer e alegria para crescer. Precisa do jogo como forma de equilíbrio entre ela e o mundo, e através do lúdico ela se desenvolve.

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