Cozinhar pode aliviar o estresse

In Cultura, Geral, Saúde

Houve um aumento de 5% de estresse no mundo, segundo relatório global da Gallup.

Monise Almeida 

O estresse se tornou rotina na vida do ser humano. Em 2020 houve um recorde de pessoas estressadas, maior que nos últimos 15 anos, conforme o relatório global de emoções feito pela Gallup, empresa americana especializada em pesquisa de opinião. Algumas estratégias são usadas para que esse sintoma diminua, como meditação, yoga e terapia. Entretanto, o que muitas pessoas não sabem é que uma simples ação, considerada até um hobby, como cozinhar, pode aliviar essa tensão que o corpo desenvolve devido às situações rotineiras.

A pesquisa da Gallup entrevistou 160 mil adultos em 115 países e quatro em cada 10 adultos disseram ter experimentado preocupação ou estresse. Ou seja, 40% das pessoas afirmaram passar por esse sentimento todos os dias. Portanto, a busca por um lazer que diminua essa condição é necessária e a solução pode ser mais simples do que parece. Como exemplo, a atitude de focar em uma atividade que exija concentração, acalma a mente. “É como se tivesse muitos pensamentos passando na nossa cabeça o tempo todo, mas quando você se concentra para cozinhar, por exemplo, os pensamentos incessantes param, pois estão voltados para uma só atividade”, explica a psicóloga Letícia Carrilha.

Os benefícios dessa atividade

O ato de cozinhar em casa é recomendado também por nutricionistas, pois evita o consumo de alimentos ultraprocessados e ainda ajuda a priorizar uma alimentação com base em alimentos naturais. A dona de casa Margareti Alves fez um curso de culinária quando casou com o intuito de se alimentar de forma mais saudável. Após começar a praticar a culinária, percebeu o impacto que teve também na sua saúde mental. “Devido essa preocupação com a alimentação eu estou com alguns quilos a menos e fui curada da gastrite. Com isso, também me senti menos ansiosa e mais tranquila durante o dia”, comenta.

Além de saber qual a procedência da sua comida e escolhê-la de maneira mais seletiva, Margareti também considera ser um momento para relaxar. “Hoje eu vejo cozinhar como um dos maiores prazeres. Também gosto muito de poder desfrutar daquilo que eu mesmo fiz e ainda receber elogios das pessoas que eu amo”, acrescentou.

Cozinhar todos os dias faz parte da rotina de várias pessoas, um ato rotineiro e benéfico para o bem estar emocional. Para as pessoas vítimas de depressão, ansiedade ou outros problemas de saúde mental, cozinhar é comprovadamente terapêutico. Dona Nilta Archangelo acha prazeroso momentos na cozinha, pois confessa que sua ansiedade diminui. A senhora de 60 anos já cozinha há tempos e conta o porque gosta tanto dessa atividade mesmo praticando todos os dias. “Eu cozinho faz 26 anos. Cuidado, dedicação e amor na preparação de cada detalhe são os segredos do resultado final. Mas não pode ter pressa, ela é inimiga da perfeição”, explica. 

Cozinhar como profissão 

Alexandre Marquardt estudou culinária em Berlim, capital da Alemanha, durante 15 anos. Especialista na área, conta que cozinhar realmente é muito desestressante. Ele acredita que a gastronomia faz as pessoas relaxarem, porém, quando se trata de trabalhar com isso, a situação é diferente. “Enquanto as pessoas estão de férias ou indo almoçar fora com a família em uma tarde de domingo, quem está trabalhando no restaurante somos nós”, desabafa.

Conforme Alexandre, o cozinheiro profissional não é o que está isento do estresse, mas sim o que proporciona uma experiência para as pessoas através da refeição, saciando a fome, elas também podem se desestressar. “Cozinhar é um ato de servir diariamente. Passo por muitos momentos de pressão e nervosismo. Mas é um privilégio poder servir, proporcionar relaxamento e uma comida boa”, enfatiza o chefe de cozinha.

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