Dor nas costas: postura incorreta ou doença grave?

In Geral, Saúde

Essa dor atinge 80% da população.

Gabrielle Ramos Venceslau

A dor lombar é a segunda maior causa de ida dos pacientes aos consultórios, ficando atrás apenas da dor de cabeça. Causada pela má postura, excesso de peso ou rotina agitada, ela atinge ou vai atingir cerca de  80% da população ao redor do mundo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas além de prejudicar a qualidade de vida e saúde da população, representa um impacto socioeconômico no Brasil.

Segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a dor nas costas está entre as principais causas de aposentadoria por invalidez no Brasil. Além disso, o Ministério da Previdência Social afirma que este problema de saúde é um dos que mais gera licenças trabalhistas com duração superior a 15 dias. 

Causas da dor nas costas 

A dor nas costas pode ter diversas causas. “Normalmente são causadas por contratura muscular ou doença compressiva”, explica o ortopedista e traumatologista, cirurgião da coluna vertebral, Dr. Guilherme Marins. Dessa forma, a dor pode ser causada quando o músculo faz uma contração de maneira incorreta e não retorna ao seu estado normal de relaxamento, o que acontece em resposta a uma sobrecarga de esforço ou por doenças, como a hérnia de disco. 

Por isso, “é preciso ficar atento aos sinais de alarme”, enfatiza o Dr. Guilherme. Ou seja, é importante analisar a frequência das crises, observar se sente fraqueza ou dormências nas pernas, dentre outros sintomas, pois a depender da gravidade e intensidade da dor, ela pode ser classificada como crônica ou não.

Quem pode sentir essa dor?

Segundo o ortopedista Daniel Bedran, ortopedista e cirurgião de coluna, essa dor pode acontecer dentre as mais variadas idades. Contudo, a causa e gravidade da situação irá depender desta faixa etária. Se o paciente for jovem, o sedentarismo, vícios posturais, desvios na coluna e sobrepeso podem ser os principais motivos.

Já nos adultos, essa dor é de caráter mecânico, ou seja, está relacionada a algum exercício realizado, como carregar peso excessivo, ter dormido de mal jeito, dentre outros. Além disso, o sedentarismo, obesidade e vícios à bebida e cigarro também podem desencadear esta dor. 

Na maioria das vezes, as dores nos adultos não são doenças graves, apenas crises que podem ser tratadas com remédios ou fisioterapia. Contudo, pela região lombar ser bastante utilizada no dia a dia, a dor pode ser comum principalmente em jovens e adultos que passam horas sentados trabalhando e sem praticar atividade física. “Ao mesmo tempo que a dor lombar é tão comum que simplesmente estar sentado pode causar esta dor, também pode significar algo um pouco mais sério”, explica o fisioterapeuta Eduardo Campos. 

Mas a partir dos 60 anos, “a dor nas costas pode ser um indício de doença”, afirma Daniel. Pois é normalmente entre os idosos que essa dor aparece de forma intensa, regular e sem justificativa, podendo ser um sinal de doenças crônicas na coluna, como escoliose degenerativa, hérnia de disco ou ‘bico de papagaio’, até mesmo um reflexo de outras doenças, como tumores. É por isso que cada caso tem que ser estudado e avaliado por exames para saber a gravidade da situação e as melhores formas de tratamento. 

Tipos de tratamento 

O fisioterapeuta explica que o tratamento para cada paciente dependerá da causa de seu problema. Na maioria das vezes, é utilizado o tratamento conservador, que consiste em procedimentos sem necessidade de invasão, ou seja, por meio de fisioterapia com atividades físicas como: pilates, academia, dentre outros. “Quando o paciente está com dor, ele não tem vontade de se mexer. Mas o mais importante quando se tem casos de dor lombar, é se movimentar, porque ficar parado só piora”, ressalta. 

Apesar dessa preferência por tratamentos não invasivos, em casos mais graves a necessidade do uso de medicamentos prescritos ou de realizar cirurgias aumenta. “A evolução da medicina fez com que hoje nós tenhamos resultados muito melhores com cirurgias muito mais simples”, enfatiza Daniel.

Como evitar essa dor

Segundo Eduardo, a prevenção é importante e muito fácil, pois ela pode ser feita principalmente pela realização de atividades físicas diversas, sempre com o acompanhamento profissional. Aumentar o consumo de água, para manter os discos intervertebrais hidratados também é uma forma de prevenir.

Além disso, é importante a mudança de postura durante o trabalho ou estudo, caso a pessoa realize essas atividades sentada e por muito tempo. Dentre algumas dicas dadas pelo profissional, estão:

  • Atentar-se a altura da mesa, cadeira e computador para que o braço não fique caído ou muito levantado, influenciando assim na postura da coluna;
  • Escolher uma boa cadeira para usar: o modelo irá influenciar em como a coluna ficará durante um longo período de tempo. Assim, é mais indicado cadeiras que tenham uma curva na região da lombar e que regulam a altura;
  • Desenvolver o hábito de fazer pausas para alongar os membros e evitar possíveis dores por causa de uma postura incorreta. 

Uma solução simples

Desenvolver novos hábitos foi de extrema importância para Maria Ivone Gama, que é professora de educação física e pedagoga, mas sofre com dores nas costas pois tem hérnia de disco diagnosticada. “Para evitar o gatilho da dor eu comecei a praticar atividade física”, comenta. 

A professora conta que por causa da rotina puxada e intensa no trabalho, nem sempre consegue praticar com tanta frequência, o que desencadeia dores mais intensas. “Já teve uma situação em que eu estava indo pra quadra com os alunos e eu travei durante a subida de uma rampa na escola”, conta. Nessa situação, ela precisou ir ao pronto socorro para tomar um relaxante muscular para destravar a sua coluna, pois ela não conseguia andar. 

Hoje, ela evita atividades que possam atrapalhá-la. Por isso, desenvolve sua rotina de acordo com as suas possibilidades e evita passar por situações de estresse. “Meu conselho para quem tem muita dor, dependendo do nível da complicação, é: “faça atividade física!”. Sempre acompanhada e orientada por um profissional”, enfatiza.

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