Fisiculturismo: um novo estilo de vida

In Esportes, Geral, Saúde

O esporte tem se expandido e encontrado adeptos no Brasil e no mundo.

Lucas Pazzaglini

O termo “fisiculturismo”, em sua significação literal, segundo o dicionário é: “musculação que visa desenvolver os músculos, especialmente em volume, praticada em geral com vistas a aprimorar a estética corporal”, mas o que tem sido observado é que, além de ser um tipo de musculação, o fisiculturismo é um estilo de vida. Hoje em dia, o esporte ganhou mais espaço, atletas e popularidade. 

No fisiculturismo os atletas são avaliados pela simetria, volume e tamanho do corpo ao se apresentarem em competições guiadas por federações já bem estabelecidas e voltadas para a área. Esse esporte carrega valores da Grécia Antiga que valorizava o corpo de forma extrema e prioritária. 

Estilo de vida

O fisiculturismo tem se tornado conhecido e adquirido adeptos principalmente pelas mudanças gerais que ele proporciona. A atleta, competidora e estudante de Educação Física, Thalita Dias, conta que seu interesse pelo esporte surgiu pelo estilo de vida oferecido por ele. “Um estilo baseado e vivido no alto rendimento, e não só no esporte em si, mas os valores que ele traz para todas as áreas da minha vida”, explica.

O também atleta, atualmente personal trainer, Guilherme Lasmar, se entusiasmou pela área da mesma forma. Desde pequeno ele praticava esportes, principalmente a luta, mas ao se informar mais e combater preconceitos direcionados ao esporte, começou a competir aos 28 anos. “O fisiculturismo moldou minha forma de pensar e de enxergar o mundo e o meu lugar nele”, constata o atleta.

Além disso, Guilherme assume que o esporte despertou qualidades como a disciplina, autoconhecimento e determinação, o que influenciou na forma que ele lida com as situações do cotidiano. A superação e a disciplina são pontos de apoio durante toda a trajetória do atleta, tanto para quem começa, quanto para quem já está na área há um tempo. 

“Todos os dias novos desafios na preparação surgiam, corte de alimentos, treinos pesados, horas de cardio por dia, suplementação, aulas de pose, ajuste de shape e o estresse por estar submetida a tantos processos que desgastam o corpo”, conta Thalita sobre a preparação para sua primeira competição, na qual foi campeã.

Mas, na história da Thalita, os mesmo aprendizados vividos pelo atleta Guilherme se repetem. “Minha vida mudou completamente depois do Fisiculturismo, aprendi muito sobre o que realmente é ter força de vontade, sobre o que é ser uma pessoa disciplinada, sobre fazer o que tem que ser feito independente das circunstâncias favoráveis ou não que a vida apresenta”, explica. 

Competições de fisiculturismo

Existem diversas competições voltadas para a área do fisiculturismo. No Brasil, as maiores são organizadas por duas federações: Federação Brasileira de Musculação (NABBA) e Internacional Federation of Bodybuilding and Fitness (IFBB). Cada campeonato promovido apresenta regras, classificações e categorias diferentes. 

Thalita Dias participou, neste ano, da competição chamada “Estreante”, promovida pela “Brasil Fisiculturismo & Fitness” (Braff), que tem como objetivo inserir novos atletas na área. É a primeira competição que a federação faz todos os anos, na qual os atletas geralmente vão para iniciar sua carreira. Mas existem casos em que atletas que já estão inseridos participam, geralmente em busca da primeira colocação no pódio. “Quando o atleta conquista essa posição, ele não pode retornar nessa competição e na mesma categoria em que foi Top 1”, explica a atleta. 

Para chegar a primeira colocação, existe um acompanhamento específico para cada área de preparação do atleta. Thalita relata que teve professores voltados para toda preparação relacionada ao condicionamento físico, além de ter aulas direcionadas a presença de palco, apresentação individual e coletiva em palco, e um apoio psicológico durante toda a fase. 

Um dos professores que a auxiliou para chegar ao Top 1, foi Guilherme Lasmar que, além de competir, usa sua experiência para ajudar novos atletas. “Amo ver cada um de meus alunos(as) rompendo suas crenças limitantes e evoluindo a lugares que nunca imaginaram antes. Como mentor, meu papel é usar toda a minha experiência para encurtar e facilitar o caminho deles. Faço isso com muito orgulho e dedicação”, expressa. 

Mercado Fitness 

O fisiculturismo faz parte também de uma classificação do mercado de cuidado com o corpo e modelação corporal, que abrange “uma infinidade de produtos e serviços, dos salões de beleza às academias de ginástica e musculação, dos centros estéticos aos consultórios nutricionais, das lojas de artigos naturais e suplementos alimentares às competições de crossfit”, segundo o artigo “Empreendedoras da forma. Mulheres, fisiculturismo e mercado fitness”, da professora Michelle Carreirão.

Dentro desse cenário é apresentada a categoria “Fitness“, que está ligada principalmente ao cuidado com o corpo. Esse mercado é um dos que mais cresce atualmente, tendo em vista que cada produto voltado para essa área, como as academias, entra na conta do mercado fitness

Esse também pode ser um dos empecilhos para os atletas do fisiculturismo, como destaca Guilherme: “O fisiculturismo é um esporte muito caro. Além de todos os desafios do dia a dia, como treinos, cardios e dieta, tenho que me virar para poder sustentar esse sonho, visto que o incentivo no esporte só vem depois de você consagrar seu nome no cenário”.

Popularização do fisiculturismo

O esporte tem ganhado fama e mais atletas no Brasil e no mundo. Para Thalita, essa crescente no mercado é reflexo de uma sociedade preocupada em se cuidar. “As pessoas estão começando a notar o quanto hábitos saudáveis podem mudar suas vidas, não só no aspecto de um corpo bonito e esteticamente desejado por todos, mas vejo que estão notando o quanto hábitos saudáveis podem mudar suas mentes, mudar sua forma de encarar a vida”, explica.

Guilherme ainda acrescenta que o crescimento do esporte se deve a quebra de ideias pré-concebidas sobre a área. “A cada dia mais as pessoas rompem os paradigmas e deixam antigos preconceitos de lado. Isso tem feito o esporte crescer. Minha mãe é um grande exemplo, achava isso narcisismo. Hoje, com 73 anos, começou a treinar e não falta um dia sequer”, encerra.

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