Mancha de Lixo do Pacífico possibilita sobrevivência e reprodução de espécies costeiras em mar aberto

In Geral, Meio Ambiente

Pesquisa aponta que a maior mancha de lixo do mundo virou lar de microrganismos e pequenos invertebrados.

Helena Cardoso

A revista Nature publicou, no dia 17 de abril, uma pesquisa que aponta que a Mancha de Lixo do Pacífico virou ecossistema de espécies costeiras em águas abertas. Diferente do que muitos pensam, esse aglomerado de plásticos e detritos não forma uma ilha, mas um “ensopado” de 1,6 milhão de quilômetros quadrados e 79 mil toneladas. Embora atualmente esteja localizada entre a Califórnia e o Havaí, sua posição muda constantemente, a depender das correntes marítimas e ventos.

Descobertas do estudo

Os pesquisadores analisaram 105 itens de plástico retirados da Mancha de Lixo entre novembro de 2018 e janeiro de 2019. No exame, conseguiram reconhecer 484 organismos invertebrados marinhos, totalizando 46 espécies. Desse número, 80% são encontradas, em situação normal, apenas em zonas costeiras. A Mancha é lar de microrganismos, plantas e algas que se agarram a moluscos, esponjas e outros animais invertebrados aquáticos. 

Entretanto, a sobrevivência e reprodução desses seres na Mancha de Lixo está longe de ser benéfica. O engenheiro ambiental Jefferson Duarte aponta que ela é responsável por trazer desequilíbrio ambiental capaz de afetar a cadeia alimentar e a disponibilidade de oxigênio das espécies que já habitavam ali.

Já Arthur Coelho, também engenheiro ambiental, explica que ela coloca em risco a vida marinha, aumentando os riscos de ingestão de plásticos e causando outros danos físicos, “como o emaranhamento em resíduos de pesca, e o próprio desequilíbrio biológico que causa diminuição da qualidade do habitat em que vivem”.

Oportunidades não superam poluição

Para Arthur Coelho, existe um suposto “lado bom”. “O surgimento de um ecossistema inesperado com a reprodução de espécies costeiras em alto mar, proporcionando novas oportunidades de pesquisa e estudo”, aponta. Entretanto, ele frisa que “os benefícios não superam os impactos negativos gerados pela poluição e degradação ambiental.”

Carlos Stênio é biólogo e desenvolve atividades relacionadas à divulgação científica em suas redes sociais. Ele explica que, embora a Mancha de Lixo possa nos parecer positiva ao possibilitar a sobrevivência e reprodução de espécies, “a realocação [desses seres] pode levar a perturbações ecológicas, como a exposição a novos predadores e, possivelmente, a extinção.”

Além de afetar negativamente as espécies que lá habitam, o lixo ainda interfere na vida de animais que não vivem diretamente na região. Jefferson Duarte afirma que “a decomposição desses resíduos dispersa poluentes nas águas, podendo contaminar o manancial e eliminar ou criar novas espécies”.

Carlos Stênio ressalta que a Mancha de Lixo pode se deslocar para novas áreas, o que significa que, “mesmo que as espécies não vivam exatamente lá, em algum momento esses materiais podem alcançá-las”. 

Um problema de todos

Áreas de acúmulo de resíduos marinhos são cada dia mais comuns, já que estima-se que, só no Brasil, 3,44 milhões de toneladas de plástico são despejados nos oceanos todos os anos. Para tentar driblar esse cenário, o engenheiro ambiental Arthur Coelho defende o investimento em políticas públicas de gestão de resíduos.

“Existe também a importância da reciclagem, da inovação em embalagens sustentáveis e da conscientização da população sobre o consumo responsável e o descarte adequado do lixo”, ressalta. Sendo assim, esse é um problema que exige esforços conjuntos de governos, indústrias e da própria população.

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