Transplante de tecido ósseo começará a ser feito na Amazônia

In Ciência e Tecnologia, Geral, Saúde

Mais de 100 pacientes aguardam os procedimentos.

Maria Fernanda Chire 

O Hospital de Base (HB) Ary Pinheiro, em Porto Velho, Rondônia, poderá oferecer o procedimento de transplante de tecido ósseo a partir deste mês. Desse modo, ele será o primeiro hospital da região Norte do Brasil que realiza cirurgias de transplante deste tipo.

A unidade hospitalar possui credenciamento obtido junto ao Sistema Nacional de Transplantes – SNT, desde 2019, permitindo a realização deste tipo de procedimento cirúrgico.

A coordenadora do transplante ósseo do Hospital de Base Ary Pinheiro, Thais Santos, relatou para a página Gente de Opinião que, com a pandemia, todos os procedimentos de transplantes tiveram que ser paralisados, inclusive ósseos. “Com o fim da pandemia, retornamos com o projeto em fevereiro deste ano, e houve a necessidade de capacitação por parte da equipe, que também mudou. Como também assumiu recentemente, precisei verificar tudo que foi deixado antes da pandemia, para darmos continuidade agora”, conta.

Capacitação para o transplante de tecido ósseo

O treinamento de profissionais médicos do Hospital de Base Ary Pinheiro foi realizado no Rio de Janeiro pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), do Ministério da Saúde.Durante o treinamento, os profissionais médicos acompanharam como funciona a enxertia óssea no Into, com a expertise do órgão, para atuar da melhor forma possível em seu estado.

 “Apesar de terem sido autorizados pelo SNT, eles não têm experiência para fazer o processo do dia-a-dia. Por isso, é importante que eles reservem um tempo para nós, até para entender como funciona o sistema, desde a captação, processamento e disponibilização dos tecidos. Isso é muito importante”, disse à Agência Brasil, Rafael Prinz, responsável pelo Fabric Bank da Into.

Especialistas de Rondônia acompanharam como o Into atua na área de transplantes, desde a admissão do paciente, transporte até o centro cirúrgico, cuidados com o tecido na saída do banco e chegada ao centro cirúrgico e processos.

Apoio contínuo

Ele explicou que a Into continuará apoiando o Hospital Ally Pinheiro durante a operação. “Eles já identificaram pacientes  na lista de espera para  transplante, socorristas, e a Into continuará a apoiá-los durante todo esse processo”, explicou Rafael.

A Into espera que o primeiro transplante de tecido muscular esquelético ocorra em Ally Pinheiro neste mês. Ele reconhece que isso abre oportunidades de atendimento aos pacientes em suas cidades de origem e reduz o custo do Sistema Integrado de Saúde (SUS). O SUS eliminou o custo de internação de pacientes (TFD) na atenção domiciliar.

Todos os materiais de implante, como osso, tendão, menisco e cartilagem, são fornecidos pelo Into Tissue Bank. O lançamento do serviço terá impacto na saúde pública do Amazonas, já que não há hospitais públicos que ofereçam o procedimento nos estados do Norte.

Apoio logístico

Por razões logísticas, Rafael planeja montar um local temporário de distribuição de tecidos da Into no Hospital de Rondônia nos próximos seis meses. Atualmente, o Into Tissue Bank atende a todos os requisitos ortopédicos nacionais.

 “Mas quando falamos desse banco, temos que pensar na logística e não temos várias malhas de aviação para atender Rondônia em um curto período de tempo. Este serviço, em termos de todos os enxertos ósseos, não só dos hospitais que podem fazer os enxertos, mas do apoio logístico”, disse o responsável do Into Tissue Bank para  Agência Brasil.

Essa ação é um passo muito importante para incentivar novos hospitais da região a se credenciarem ao SNT. Os médicos do Into acreditam que isso tornará o SUS mais acessível a esse tipo de cirurgia na região Norte. Ele também explicou que o Hospital de Base de Rondônia poderia ser uma espécie de projeto-modelo do Into. “A ideia é incentivar a enxertia óssea nas regiões do Norte até 2024”, finaliza.

Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

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