Uso excessivo de descongestionantes nasais pode ser perigoso

In Geral, Saúde

É possível desenvolver vício ao expor o organismo a quantidades excessivas da substância.

Gabrielle Ramos Venceslau 

Um sintoma que acomete e incomoda muitas pessoas é o nariz entupido. Essa condição se intensifica ainda mais quando as temperaturas estão baixas e o ar seco. Por isso, agora no inverno, é mais comum que elas usem descongestionantes nasais para desobstruir as narinas e facilitar a respiração. Entretanto, o uso excessivo desse medicamento pode ser prejudicial à saúde.

As consequências da utilização sem supervisão médica de descongestionantes nasais ocupam o terceiro lugar na lista de problemas causados por uso incorreto de remédios e efeitos colaterais. Eles ficam atrás, apenas, dos anti-inflamatórios e analgésicos, segundo o Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) de São Paulo.

Em 2021, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou Projeto Lei que torna obrigatória a retenção de receita de descongestionantes nasais que tenham corticoides ou vasoconstritores. A medida visa evitar a automedicação e os possíveis efeitos adversos do uso contínuo deste medicamento. 

Por que o uso desse medicamento pode viciar?

É muito comum que as pessoas que utilizam descongestionantes nasais tenham o medicamento no carro, trabalho, cabeceira da cama. A longo prazo, “a pessoa começa a ter um efeito cada vez menor da gota no nariz e tem necessidade de usar uma quantidade cada vez maior”, explica o otorrinolaringologista Fernando Mariano.

Isso desencadeia um vício para tentar aliviar a respiração. “Pelo problema do ‘efeito rebote’, tinha que usar mais descongestionante para solucionar um problema que o próprio medicamento estava causando”, conta Samuel Oliveira, que ficava com o nariz congestionado permanentemente se não utilizasse o medicamento. 

Como funciona o descongestionante nasal

A congestão nasal, popularmente conhecida como, nariz entupido, é uma reação do organismo a condições inflamatórias, infecciosas ou anatômicas. “O descongestionante nasal funciona como um vasoconstritor, ou seja, faz com que os vasos do nariz se contraiam levando a redução dessas estruturas, o que aumenta o espaço para o ar passar”, explica a otorrinolaringologista Inaê Mattoso.

Consequências do uso excessivo

A rinite medicamentosa é uma das consequências do uso de descongestionantes nasais. “No momento em que este medicamento é usado, desentope o nariz, mas logo depois causa um efeito rebote, causando a obstrução da narina”, explica a médica.

Outro risco desse medicamento é o cardiovascular. Pois, as gotas do descongestionante nasal podem ir para a corrente sanguínea por meio pequenas fissuras nas narinas, que são causadas pela rinite medicamentosa. “Então, para quem já tem um histórico de problemas das coronárias, arritmia, pressão alta, infarto, isso pode ser potencializado”, afirma Fernando.

Além disso, é contraindicado para crianças, pois pode causar efeitos adversos no primeiro uso e em baixa dose. “Já nas gestantes, pode levar à restrição na passagem de sangue para o feto”, expõe Inaê. 

Para aqueles que possuem alguma doença crônica, o uso desse medicamento posterga o tratamento eficaz. “Muitas vezes eles têm um desvio de septo, um quadro de rinite crônica, que precisa ser tratado com outro tipo de medicação específica ou até cirurgia, mas as pessoas continuam usando o vasoconstritor”, complementa o otorrinolaringologista.

Soluções e alternativas para desentupir o nariz

O uso excessivo de descongestionantes nasais pode ser revertido por meio da eliminação do medicamento do organismo. “Lavagem nasal com soro fisiológico 0.9% é o melhor aliado. Mas naqueles momentos de desespero, o uso do soro fisiológico ou solução salina concentrada, pode ajudar também”, afirma a médica.

Caso o problema seja crônico, como desvios e lesões no septo, é recomendado avaliação clínica e cirúrgica. “Para isso, é necessário fazer uma avaliação com um especialista para chegar no diagnóstico correto e realizar os devidos tratamentos”, explica o Dr. Fernando.

Atualmente, Samuel Oliveira, após saber dos possíveis efeitos colaterais, não utiliza mais descongestionantes. “No lugar do remédio, faço lavagem nasal com soro fisiológico pelo menos uma vez ao dia. E, a partir daí, a porcentagem de descongestionante ficou cada vez menor até que foi interrompida totalmente”, conta.

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