A crônica que me escreveu

In Crônica, Geral

Bruna Moledo

Olá, seja bem-vindo. Pode entrar, mas não repara a bagunça. Tem uma xícara de chá te esperando perto do sofá. Isso mesmo, esse com as almofadas verdes. 

Senta, fica confortável e coloca os pés pra cima. A história que eu vou te contar agora pede tempo e calma. 

Abri a janela pra deixar a brisa invadir e espero que as memórias possam vir junto. A lareira tá queimando fraquinha, quase sem fôlego. O crepitar do fogo vai servir de trilha sonora, música sem palavras e ponto de partida.

A história começa assim.

Desde quando eu me conheço por gente queria ser escritora. Minhas vontades cresciam dentro de mim, grandes e pesadas, cultivadas por uma criação amorosa e palavras açucaradas de incentivo. Os livros eram a minha principal companhia, para o bem ou para o mal.

Escritora e arqueóloga, escritora e astronauta, escritora e bióloga. A troca incessante de profissões imaginárias nunca substituía meu desejo principal. Eu ouvia das pessoas ao meu redor que poderia ser o que quisesse ao crescer. 

A mentira do século. 

Porque você cresce, mas muitas vezes seus sonhos não crescem com você.

Ou até crescem, gigantes, alcançando o teto dos seus pensamentos. Dia e noite. Mas a vida real logo se intromete.

Quer ser escritor? Claro! Vá em frente. Só não esqueça de arrumar um trabalho de verdade enquanto isso.

Sim, sim, suas metas para o futuro são incríveis, mas quem vai te sustentar enquanto isso?

E logo somos levados por um turbilhão de preocupações e boletos. 

Ou talvez seja só eu. A menina que anda por aí com um sonho no peito, enjaulado como um passarinho dourado. 

Ao invés de escrever eu pago a minha faculdade. Ao invés de escrever eu penso nas dívidas que se acumulam. Ao invés de escrever eu decido que marca de amaciante comprar (a do vidro cor de lavanda, já decidi).

Mas, ei! Não precisa se preocupar. Eu tô bem.

Vem aqui, prova esse bolo de laranja. As folhas continuam caindo lá fora e a vida é boa. 

O ordinário ainda encanta, mas as ruas estão cheias de sonhadores que não têm tempo para sonhar. O relógio, o pulso, continuam batendo. O tempo é um amante voraz, mas sempre deixa migalhas pra trás. 

Ou talvez seja só eu. Perdi a trilha que a Bruna de 9 anos construiu com tijolinhos amarelos. Me pergunto se ela me amaria, ou se se envergonharia de mim. Acho que os dois, sentimentos ambíguos sempre foram a sua especialidade.

Já está escurecendo. Quer ficar mais um pouquinho? 

Não, não precisa. Eu entendo. Pode ir. Tranca a porta, eu fecho a janela.

Os escritos abaixo foram encontrados dentro de um baú, esquecido em um porão, em uma casa abandonada.

Os Desaparecimentos Misteriosos

Bruna, 9 anos, Junho de 2011.

Todos os erros gramaticais do manuscrito original foram preservados em nome da total veracidade.

Capítulo 1: O Primeiro Desaparecimento

Num dia como todos os outros começou a escurecer bem cedo,e já dava para ouvir as trovoadas ,o vento começou a ficar forte na fazenda do Sr. Mac File. Lá no alto do quarto a filha de 10 anos do Sr. Mac chamada Lorelai ficava olhando misteriosamente para um buraco numa árvore no quintal do visinho .Naquele mesmo dia saiu no jornal que o Sr.Stuart Blakk visinho do Sr.Mac havia desaparecido deixando assim a casa abandonada. Uma hora depois a Lorelai desceu correndo a escada parecendo estar pensativa e derrepente pergunta para o pai o que aconteceria com a casa do Sr.Stuart. No começo o pai ficou intrigado com a pergunta da Lorelai mais depois o pai se convenceu que a pergunta era porque ela estava preucupada, quando terminou de pensar respondeu que deveria ficar os herdeiros mais como ele não tinha filhos ficava para quem ele deixou no testamento e se ele não tiver deixado um testamento fica para o parente mais próximo. E logo depois ela perguntou: Mais pai e se a polícia não tiver certeza que ele está morto? Bom agora a polícia vai continuar a procurar e a nós só resta esperar uma notícia. Depois ela subiu para o seu quarto pegou uma caixa com alguma coisa dentro desceu e foi para o quintal. Continuou a olhar para a misteriosa árvore no quintal do vizinho desaparecido. O Sr.Mac não sabia, mais ,nesse caso a filha era a principal suspeita.

Capítulo 2:Outro Desaparecimento?

Passava dias e parecia que o silÊncio era eterno, até que deu uma nova notícia no jornal. A notícia era que a Sr. Blakk (Esposa do Sr.Stuart Blakk) tambem havia desaparecido. Naquele dia o Sr.Mac File já estava preocupado com a esposa que estava numa viajem de negócios e principalmente com a filha porque, aqueles desaparecimentos estavam acontecendo naquela região. O pai estava lendo o jornal e derrepente ouviu um grito de socorro saindo do quintal do vizinho, aí ele pensou que era a filha assistindo tv (ele pensou que o barulho vinha da tv)e continuou lendo o jornal.

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