Além do Brasil: outros 5 conflitos de Musk no exterior em 2024

In Ciência e Tecnologia, Cultura, Geral

Elon Musk, o proprietário do antigo Twitter, vem comprando brigas com os usuários de seu aplicativo.

Cristina Levano

Em abril, a disputa jurídica entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e Elon Musk esteve em alta. Tudo começou em 6 de abril quando Musk respondeu a uma postagem do ministro do STF Alexandre de Moraes, na qual ele felicitava a o ministro Ricardo Lewandowski por assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, perguntando: “Por que você está exigindo tanta censura no Brasil?”

Isso desencadeou uma série de críticas sucessivas entre o empresário e Moraes, além de levantar o interesse veículos de imprensa, e que os órgãos governamentais investiguem minuciosamente os contratos locais com as empresas do Musk. O conflito entre os dois personagens seguiu aumentado, capturando a atenção do mundo e deixando a rede social em dificuldades no Brasil. Mas esta não é a única disputa internacional em que o empresário tem entrado desde que se tornou dono do “X”, antigo twitter.

Delaware (EUA) e o ressentimento de Musk

“Nunca registre sua empresa no Estado de Delaware”, escreveu o bilionário americano em uma mensagem no X, no dia 30 de janeiro, mas porque?

Após a derrota judicial em Delaware, no qual foi anulado o seu pacote salarial de US$53 bilhões de dólares que pretendia receber da Tesla, Elon Musk entrou em um conflito com o estado. A decisão foi resultado de uma ação judicial movida por acionistas que consideraram o pagamento excessivo. A juíza concordou com essa avaliação.

O empresário, em represália, retirou a incorporação da sede da SpaceX, trasladando-a ao Texas, estado rival da Delaware no negócio. A partir desse ponto, Musk iniciou sua campanha para persuadir outras empresas a não estabelecerem domicílio legal no Estado.

Além disso, em meados de fevereiro, foi divulgado que a Neuralink, empresa do Musk que trabalha para conectar cérebros humanos a computadores, registraria seu endereço legal em Nevada, onde o “X” já está localizado.

No entanto, essa é uma batalha difícil, pois Delaware há décadas é considerado muito atraente para o setor empresarial. Mais de 60% das empresas que compõem o índice Fortune 500, algumas das 500 maiores empresas americanas, estão registradas no estado como Google, Amazon, Facebook, LinkedIn, Visa, MasterCard e Walmart, entre muitas outras. Além disso, mais de 1,6 milhão de empresas de todo o mundo têm sede legal no Estado.

Austrália e a acusação de censura

No dia 23 de abril, Musk entrou em conflito com as autoridades australianas. A controvérsia começou quando a Comissão de Segurança Digital da Austrália ordenou a remoção de vídeos que mostravam um ataque classificado como terrorista, transmitido ao vivo, em Sydney.

Enquanto outras plataformas de mídia social, como Facebook e Instagram, removeram prontamente os vídeos após a ordem, a rede X de Musk apenas ocultou os vídeos para usuários na Austrália, permitindo que o conteúdo fosse acessível fora do país ou por australianos que utilizassem VPNs.

Musk entrou na disputa ao usar sua rede para criticar o governo australiano. Ele argumentou que, se qualquer país tivesse permissão para censurar conteúdo de todos os países, isso impediria qualquer país de controlar toda a Internet.

Em resposta, o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, intensificou suas críticas contra Musk e a X, chamando-o de “bilionário arrogante que pensa estar acima da lei e da decência básica” e de “um sujeito que escolheu o ego e a violência em vez do bom senso”.

Este incidente gerou debates sobre liberdade de expressão, responsabilidade das plataformas online e regulamentação da internet.

A União Europeia e as críticas pela suspensão de contas de jornalistas

Em 2023, a União Europeia (UE) iniciou uma investigação contra o “X”, devido à suposta disseminação de conteúdos terroristas, violentos e de discurso de ódio após o ataque do Hamas a Israel.

Musk informou que havia removido centenas de contas afiliadas ao Hamas de sua plataforma. Em dezembro do mesmo ano, a UE formalizou suas suspeitas de que a X havia violado suas normas em áreas relacionadas ao combate ao conteúdo ilegal e à desinformação.

O comissário digital da UE, Thierry Breton, destacou as supostas infrações em uma postagem na rede social, mencionando também suspeitas de violação das obrigações de transparência por parte da X. A empresa afirmou estar “cooperando com o processo regulatório” e ressaltou a importância de que o processo siga a lei e permaneça livre de influências políticas.

Tempo depois, Elon Musk foi criticado pela UE, pela ONU e por diversos governos por banir contas de jornalistas na rede social. A subsecretária-geral da ONU, Melissa Fleming, declarou que “a liberdade da mídia não é um brinquedo” e enfatizou que “uma imprensa livre é a base das sociedades democráticas é uma ferramenta essencial na luta contra a desinformação prejudicial”.

Da mesma forma, a comissária da UE, Vera Jourova, complementou ameaçando a empresa com sanções sob a nova Lei Europeia de Serviços Digitais, que exige “respeito à liberdade de imprensa e aos direitos fundamentais”.

Zelensky vs o “plano de paz” de Musk

Em outubro de 2022, Elon Musk se envolveu em uma controvérsia ao sugerir um “plano de paz” para o conflito entre Rússia e Ucrânia no Twitter. Ele apresentou a proposta por meio de uma enquete, que incluía os seguintes pontos:

  1. Realizar novas eleições nas regiões anexadas com supervisão da ONU; a Rússia se retiraria se essa fosse a vontade do povo.
  2. Reconhecer formalmente a Crimeia como parte da Rússia, considerando que ela pertenceu à Rússia desde 1783 até a transferência para a Ucrânia por Khrushchev.
  3. Assegurar o abastecimento de água para a Crimeia.
  4. Manter a Ucrânia como um estado neutro.

Essa proposta provocou indignação entre as autoridades ucranianas. Em resposta, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, criou sua própria enquete no Twitter perguntando: “Qual @elonmusk você gosta mais?” As opções oferecidas eram: “Aquele que apoia a Ucrânia” e “Aquele que apoia a Rússia”.

A controvérsia foi intensificada por uma postagem anterior de Musk, onde ele compartilhou um meme sobre Zelensky, insinuando que o presidente ucraniano frequentemente solicitava ajuda financeira, com a mensagem: “Quando já se passaram cinco minutos e você não pediu um bilhão de dólares em ajuda”.

Bolívia e participação do Musk em golpe

O bilionário causou polêmica ao admitir sua participação no golpe na Bolívia. A declaração foi feita em resposta a uma pergunta nas redes sociais sobre seu papel no golpe orquestrado na Bolívia em outubro de 2020, em razão das reservas de lítio presentes no país.

“Nós vamos dar golpes em quem nós quisermos! Lide com isso”, afirmou o bilionário. A declaração de Musk gerou repercussão internacional, principalmente por causa da importância do lítio para o desenvolvimento de carros elétricos, já que as baterias desses veículos são de lítio.

A Bolívia possui as maiores reservas de lítio do mundo, maiores que as do Chile e da Argentina, e tinha um projeto de industrialização do lítio por conta própria. A declaração de Musk reacendeu o debate sobre a exploração de recursos naturais e os interesses internacionais envolvidos.

Além disso, o “tweet” de Musk também gerou críticas de outras personalidades, como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, que associou o bilionário ao que chamou de movimento internacional “destrutivo” de extrema direita que busca desestabilizar democracias.

Em cada conflito, as consequências das declarações do empresário são imensuráveis, e geram debates entre internautas, mas ao estar envolvido em política e ser o dono do X, estes desacordos estão longe de acabar.

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