Dating Déjà Vu: amor que parece um conto de fadas familiar

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Esse fenômeno internacional é vivido por 97% dos indivíduos pelo menos uma vez na vida.

Vefiola Shaka

Você já iniciou um relacionamento e sentiu algo familiar nele? Talvez tenha percebido que se sente atraído por um parceiro que tenha características semelhantes às de um relacionamento anterior? Este fenômeno conhecido como “Namoro Déjà Vu” é mais do que uma coincidência de escolhas semelhantes. Psicólogos e especialistas de namoro dão explicações sobre os porquês de namorar a mesma pessoa em outros corpos.

O termo “Namoro Déjà Vu” é a descrição de ter relacionamentos românticos semelhantes em sucessão. Muitas vezes é baseado no conforto emocional ou simplesmente na familiaridade com os sentimentos que alguém oferece. Porém, o conceito vai além do aspecto de relacionamento. É um fenômeno internacional vivido por 97% dos indivíduos, pelo menos uma vez na vida.

O próprio termo “Déjà Vu” vem do francês, traduzido como “algo visto”. Ele descreve a sensação de vivenciar novamente um momento, um episódio familiar; paramnesia. 

Esse evento tem sido discutido por filósofos e cientistas desde os tempos antigos. O filósofo francês Émile Boirac usou o termo “Déjà Vu” pela primeira vez no final do século XIX.

Porque as pessoas repetem padrões em relacionamentos?

A recorrência de padrão geralmente significa uma lealdade inconsciente a algo ou alguém do sistema familiar. Por vezes, as pessoas podem ser leais inconscientemente ao passado.

“Nós, sujeitos neuróticos, funcionamos à base da repetição. Freud disse que nós somos direcionados a um padrão que é a compulsão à recorrência. Pessoas vão repetir escolhas, vão repetir características nos objetos que querem se relacionar até terem condições para elaborar”, diz Carolina Pasquote Vieira, psicóloga clínica de Abordagem Psicanalítica e docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Adventista de São Paulo.

Ela acrescenta que tem um texto do Freud que se chama: “Acordar, repetir, elaborar”. O filósofo  diz que os humanos acordam e repetem mil vezes antes de elaborar. Essa repetição é como se fosse uma tentativa do inconsciente de organizar algumas questões. Enquanto não redigem, repetem e repetem.

A terapeuta de casais Dilene Ebinger adiciona que esse tipo de relacionamento vem por causa do que foi visto e aprendido o tempo todo. “Até que esse ciclo seja interrompido, ele vai ser repetido e repetido. É um modelo ideal. Vai continuar mesmo sendo um padrão problemático”, pontua.

“Ao mesmo tempo nós atraímos subconscientemente parceiros semelhantes. Nossos padrões  emocionais e crenças podem nos levar a escolher parceiros que refletem questões não resolvidas em nós mesmos. Esse tipo de namoro é muito comum e automático”, explica a coach de relacionamentos Marcia Borges Esteves, que trabalha nessa questão com os jovens e adultos nas mentorias dela.

Os sinais de alerta do “Namoro Déjà Vu”

Segundo a psicanalista, “o modelo positivo e o prejudicial se formam do mesmo jeito. É difícil o sujeito repetir demais coisas boas porque coisas boas não trazem angústia. As pessoas precisam elaborar aquilo que já era angústia. Normalmente isso vem de uma situação negativa”.

Ela acrescenta ainda que “um dos sinais de alerta é quando há sofrimento, porque se tem algo que está se repetindo e te faz bem, não tem problema em experienciar de novo. A questão começa a acontecer quando o sujeito se coloca em padrão de repetição que é nocivo a ele, que o coloca em sofrimento e em padrões automáticos de existência”. 

“Um outro sinal de alerta é a insatisfação”, adiciona a terapeuta Dilene Ebinger. Ela reforça: “É preciso olhar para a construção da sua história, da sua família. Como as coisas foram acontecendo? A tomada de consciência vai ajudar muito nesse processo para que possamos identificar os sinais de um namoro Deja Vu”.

Como estabelecer relacionamentos mais saudáveis?

As entrevistadas concordam que a ferramenta mais saudável é o autoconhecimento. A professora psicanalista Caroline afirma que para alcançar o autoconhecimento é necessário análise ou terapia. “É a partir do momento que você se conhece, sabe o que está repetindo,do que está fugindo, que padrões de sintomas está construindo”, esclarece.

Em seguida, Marcia Borges Esteves diz que é preciso trabalhar para mudar crenças limitantes e cultivar autoestima saudável. “A terapia e a mindfulness são duas maneiras para ajudar a aumentar a consciência emocional e orientar para abordar questões profundas”, reforça a profissional.

Na meditação Mindfulness se busca uma atenção plena e sem julgamentos no momento presente, no aqui e agora. A atenção plena é benéfica principalmente para o sistema atencional. Com a prática de direcionar a atenção para o interno, o indivíduo consegue fazer o mesmo para as atividades externas do dia a dia.

Ao mesmo tempo, para ter um relacionamento saudável tem que ter comunicação aberta, respeito mútuo e autocuidado. Crescer como indivíduo é a base para ter um boa relação com a sua dupla.

Para a terapeuta Ebinger, um outro ponto relevante é a criação da consciência. “Quando você olha para dentro, tem muito mais chance de saber o que está acontecendo e porque está acontecendo, além de saber qual é a necessidade da repetição”, explica. 

“Alguns indivíduos ou famílias repetem os padrões por questão de lealdade. Meu pai disse que era assim, tenho que honrar o meu pai. Precisamos entender que os pais não são detentores da verdade. Eles fizeram o que podiam, mas cometeram vários erros, e a nossa oportunidade é agora, depois de crescer e aprender, para fazer escolhas. Claro que as pessoas vão fazer baseado nos padrões que conhecem. A convivência com outras pessoas, o aprendizado, o estudo nos leva a questionar e conhecer novas alternativas”, pondera Ebinger.

Contudo, ao invés de encarar o “Namoro Déjà Vu”  como algo negativo, é importante enxergá-lo como um tipo de crescimento pessoal. Cada experiência, mesmo sendo familiar, mostra algo sobre cada um. Esse tipo de namoro não é um obstáculo, mas um convite para a autorreflexão. Cada encontro, cada revés e cada momento de amor moldam os humanos. A chave é aprender com o passado, compreender as razões por trás das escolhas para transformar o familiar em algo novo e significativo.

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