Estádios no meio do deserto: quais as estratégias do Catar?

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Por ser um país quente e úmido, o Catar precisou enfrentar os desafios logísticos para receber todos os espectadores em um ambiente agradável e climatizado.

Ana Júlia Alem

Apesar dos desafios logísticos para realizar a Copa do Mundo 2022, o Catar, por meio das tecnologias, criou diferentes estádios preparados para receber uma grande quantidade de jogadores e torcedores, de forma que eles fiquem confortáveis quanto à temperatura. Porém, os arquitetos encarregados possuíam outra grande preocupação: como fariam essa estrutura enorme ser sustentável?

Proporcionar esse espaço confortável para os visitantes exigiu soluções inovadoras. O país optou por construir os estádios no hemisfério norte e, diferente das outras edições já realizadas, escolheram realizar o campeonato no fim do ano, que é o período de inverno no Oriente Médio. Por conta disso, esperam-se temperaturas mais suaves e equilibradas, variando entre 20°C e 30°C.

Em entrevista para a BBC News, o idealizador dessa tecnologia, Saud Abdul Ghani, afirma que deixará um legado para o país. Além disso, convida os especialistas da área a verificar suas promessas ecológicas.

Medidas refrescantes adotadas nas arenas

Após anos de preparação para o evento, o país proporcionará oito estádios para a realização dos jogos, sendo que sete serão climatizados. Em cada um dos sete espaços, o tipo de climatização será diferente e no caso do Al Janoub, o idealizador descreveu como o sistema funciona.

Em dias de jogos, o número estimado de torcedores é de 40 mil pessoas e cada uma delas representa uma fonte de calor e umidade. Por isso, foi necessário desenvolver um sistema que suportasse a grande quantidade de pessoas em um espaço confortável e agradavelmente climatizado.

O passo mais importante foi resfriar o ar de maneira rápida e eficaz, como eles fariam isso? A solução dos engenheiros foi construir uma usina solar localizada a 80 km do centro de Doha, a capital do Catar, e a partir dela, ocorre o resfriamento da água. 

O ar quente localizado nas arenas é transferido para tubos conversores de calor com água gelada que estão presentes nos cantos do estádio, e após entrarem em contato entre si, a água absorve o calor e é levada para um recipiente capaz de armazenar 40 mil litros, onde ela é resfriada para voltar para o estádio.

Por conta do ambiente úmido do país, o suor demora mais para evaporar e o corpo superaquece rapidamente, o que dificulta ainda mais para os jogadores. Por isso, jatos de ar frio serão lançados dentro do estádio formando uma camada fria dois metros acima das arquibancadas que impede a entrada de ventos vindos de fora. O plano de construção permite que após o ar frio se aquecer novamente, ele seja retirado, purificado e resfriado novamente para voltar ao estádio.

Além da camada fria acima das arquibancadas, foram construídos jatos de ar embaixo de cada um dos assentos. Eles permitem que o ar se espalhe e torne o ambiente mais agradável para os visitantes.

A sustentabilidade do sistema

Segundo os organizadores do torneio, o sistema desenvolvido por Saud Ghani é 40% mais sustentável do que os outros métodos existentes e promete não elevar os níveis de gases do efeito estufa. Em contrapartida, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos afirma que as emissões durante a construção dos estádios são responsáveis por 90% da pegada de carbono das arenas.

“Toda essa proposta sustentável é muito interessante e relevante, mas temos que lembrar que isso não é uma tarefa simples. O comitê organizador estima que sejam emitidas cerca de 3,6 milhões de toneladas de CO² na atmosfera, ou seja, o trabalho será grande. Entretanto, o comitê desenvolveu muitos projetos para compensar tamanho desequilíbrio, como os estádios desmontáveis que, posteriormente, serão utilizados para outros programas esportivos do país, o investimento em energia solar e até um novo sistema metroviário que contém uma tecnologia que reduz o consumo de combustível”, explica a arquiteta Valeria Baranov.

Para a arquiteta, o projeto de aumentar o plantio de árvores ao redor das arenas foi extremamente necessário, pois além de conter um caráter decorativo, as 16 mil árvores plantadas representam um grande passo para compensar as emisões de gases.

Para manter sua promessa em ser uma “Copa Verde” o país precisa compensar toda a pegada de carbono já emitida, algo que a produtora executiva de sustentabilidade da Copa Catar 2022, Bodour Al Meer, já se comprometeu a fazer. A Fifa afirma que está utilizando os recursos tecnológicos disponíveis, como eficiência energética, gestão de resíduos e energia renovável como meio de equilibrar as emissões.

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