O que levou à proibição da dipirona nos EUA e outros países?

In Geral, Saúde

Os Estados Unidos proíbe a comercialização do fármaco no país, após estudos comprovarem seus malefícios. 

Pedro Nogueira

A aminopirina, substância presente na composição do fármaco dipirona, é apontada como a responsável por causa da doença agranulocitose, doença essa que afeta as células de defesa do nosso corpo podendo levar o indivíduo a óbito. Um estudo conjunto entre USP e Universidade de Juiz de Fora aponta essas alterações e os problemas que pode apresentar para uma pessoa.

O analgésico tem como um de seus principais ativos diminuir a febre e aliviar as dores musculares do corpo e possui outros derivados. Como o Dorflex e o Neosaldina, que contém em sua composição 300mg de dipirona monoidratada. A dipirona não precisa de receita médica e pode ser comprada por qualquer cliente que deseje o medicamento.

Motivo do bloqueio

A redução das células brancas é considerada o maior problema decorrente do uso da dipirona. “O uso prolongado ou discriminado da dipirona pode acarretar na diminuição dessas células de defesa, prejudicando o sistema sanguíneo do paciente”, afirma o fisioterapeuta e pesquisador em Ciências Fisiológicas, Emilson Pereira.

De 1960 á 1970, a dipirona ainda circulava por grande parte do mundo. Com o descobrimento da agranulocitose (doença que reduz as células mais importantes de defesa do corpo humano), trabalhos e pesquisas foram tomando conhecimento do problema até que em 1964, foi descoberto que estas alterações sanguíneas se tratavam de uma substância presente na estrutura da aminopirina, essa também semelhante à dipirona.

Em 2021, a Universidade Federal De Juiz De Fora e USP informaram em nota que na ocasião os pesquisadores não levaram em consideração duas moléculas pouco semelhantes na aminopirina, considerando-as iguais para a dipirona. Após as evidências encontradas, a FDA Food Drug Administration, agência reguladora americana, determinou a parada obrigatória do medicamento no país por tempo indeterminado.

Austrália, Japão, Reino Unido e outros países da Europa determinaram o bloqueio do analgésico e outros medicamentos que compartilham dessa mesma composição.

Situação brasileira

Com o propósito de comprovar a segurança do uso da dipirona, em 2001, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizou um evento chamado “Painel Internacional de Avaliação de Segurança da Dipirona”. Esse encontro reuniu especialistas nacionais e estrangeiros para tratarem sobre o assunto. 

Entre janeiro de 2002 e dezembro de 2005, cientistas de alguns países da América Latina se debruçaram nas pesquisas para comprovar a eficácia do fármaco. A Latin Study, pesquisa liderada por médicos argentinos, brasileiro e mexicanos, recolheu dados de mais de 548 milhões de pessoas interessadas no assunto.

Tal aprofundamento resultou na descoberta de 52 casos da doença, um percentual de 0,38 caso por milhão de habitantes ao ano. Em sequência, também foi apurado que esses casos têm mais recorrência em mulheres, crianças e idosos.

Cuidados ao usar

É de extrema importância que a pessoa que usar tal medicamento leia todas as recomendações para saber se efeitos colaterais não lhe causem danos, informa Emilson Pereira, pesquisador em ciências fisiológicas.

Natalia Goes, estudante de Jornalismo, conta que é alergica ao medicamento e que por isso já sentiu os efeitos colaterais ao usá-lo. “Ao ingeri-lo meus olhos apresentaram vermelhidão e inchaço, minha pele ficou avermelhada com sintomas de coceira”, relata.

Por causa da possibilidade de reação alérgica ao medicamento, a farmacêutica Larissa Salgueiro orienta quais pacientes não podem fazer uso do medicamento. “Gestantes, crianças de até 3 anos ou 5kg, pessoas alérgicas, pacientes com problemas em medula óssea, pacientes com dengue ou qualquer outra hemorragia no sangue e idosos com problemas de circulação”, finaliza.

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