Outubro Rosa: mês de conscientização sobre a prevenção contra o câncer de mama

In Geral, Saúde

A campanha do Outubro Rosa pretende alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância do diagnóstico precoce da doença.

Cristina Levano

Começa outubro, e neste mês o mundo se veste de rosa unindo-se à luta contra o câncer de mama. Durante a campanha serão realizados diferentes programas e ações com o objetivo principal de informar e conscientizar as mulheres e a sociedade sobre o diagnóstico precoce da doença. Ademais, se visa garantir maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento para contribuir com a redução da mortalidade por este tipo de câncer.

Além de ser a causa de maior mortalidade entre as mulheres, o câncer de mama (BI-RADS) é o segundo tipo mais frequente no mundo, perdendo apenas para o de pele, segundo o divulgado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA). Em todas as regiões do Brasil, esta doença é a primeira causa de morte por câncer da população feminina, exceto na Região Norte, onde o câncer de colo de útero ocupa o primeiro lugar.

Durante todo o mês as cúpulas do Senado e da Câmara serão iluminadas com a cor especial para lembrar a população do movimento de conscientização. 

Causa e como prevenir

O câncer de mama surge pela reprodução anormal de células. Estas crescem formando tumores, os quais invadem tecidos e impedem o funcionamento dos órgãos. O Ministério da Saúde estima que 28,1% dos novos casos de câncer a cada ano em mulheres brasileiras são de câncer de mama. 

“Toda mulher nasce com risco de 13% de desenvolver a doença durante sua vida”, informa o Dr. Gustavo Zucco.

Para prevenir a doença, também é importante praticar atividade física, manter o peso corporal adequado, adotar uma alimentação mais saudável, bem como evitar o consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo, drogas, etc.

Além disso, o mastologista Jesus Arias revelou que “quanto mais tempo de estimulação hormonal tenha a paciente, maior é o risco de contrair a doença.” Ele esclarece que não é muito comum que mulheres de 20 ou 25 anos possuam este câncer, mas isso não quer dizer que estão livres da doença. 

Outra das possíveis causas seria a exposição a situações do meio ambiente, como radiação, ou então alterações hereditárias ou familiares. “As mutações hereditárias, às vezes estão relacionadas com condições familiares, em outras palavras, passa de geração em geração dentro da família dentre 5 a 30% das vezes, quando se fala sobre câncer de mama”, escreveu o Dr.Zucco.

Diagnóstico precoce

O medo e a desinformação são apontados pelo INCA como um dos principais fatores que atrasam o diagnóstico precoce e o tratamento. Se for descoberto a tempo, um em cada três casos de câncer de mama pode ser curado. 

“Muitas vezes o câncer de mama é assintomático, nas primeiras fases é muito difícil de identificar a doença, por isso é indispensável se realizar exames  preventivos regularmente (pode ser anualmente), não é bom esperar até sentir algo para marcar uma consulta”, declara o Dr. Jesús Arias.

Já quando o câncer avançou, os sintomas mais comuns são o aparecimento de nódulo, geralmente sem dor, mas é duro e irregular. Por outro lado, existem tumores de consistência branda, globosos e bem definidos que podem também ser malignos. 

Ana Maura Matos, que foi diagnosticada com o câncer há alguns meses, disse que não fazer exame é  “uma loucura! Algumas mulheres têm tanto medo de ter a doença que preferem não fazer o exame. Não é o médico que coloca o câncer na gente, ele trata o nosso câncer mas é você que já chegou doente lá”, explica. 

Já Kelly Peixoto, outra mulher que lutou contra o câncer, descreve que o pior para ela é sem dúvida ter a doença e não possuir um diagnóstico, seja por medo, ou por não conseguir atendimento em tempo hábil. “Isso principalmente para quem depende da rede de saúde pública. Porém, quando eu fiz meus exames, meus diagnósticos estavam normais. Mas o mastologista que me atendeu, pediu uma biópsia com a qual eu tive a confirmação da doença,” conta. 

Mamografia

Segundo o Medical Center Northern Nevada, as mulheres que não têm histórico familiar de câncer de mama, ou que não possuam nenhum dos fatores de risco e tenham entre 20 e 39 anos de idade, devem fazer um exame clínico de mama a cada três anos e realizar um autoexame mensal. Mulheres com 40 anos ou mais devem fazer uma mamografia anual, um exame clínico anual de mama e um autoexame mensal. Qualquer mulher com histórico familiar de câncer de mama ou qualquer outro fator de risco deve consultar seu médico a respeito da frequência do rastreamento.

Importância da campanha

Para Ana, divulgar informação sobre a doença é vital, por isso acredita que é importante que exista o “Outubro Rosa”, para que as mulheres que passam por esse processo tenham força para falar. Assim, ela afirma que existe muito mito e crença limitante em torno do diagnóstico precoce do BI-RADS.

“Nós precisamos falar sobre câncer de mama, por muitos anos eu vesti a camisa rosa mas não fazia exame, mas é algo muito importante e que todas precisam fazer”, declara.

Ela decidiu usar as redes sociais para compartilhar os desafios que uma pessoa diagnosticada enfrenta e também mostrar como se desafia a continuar “vivendo” apesar dos efeitos colaterais do tratamento e de tudo que envolve os pacientes oncológicos. Kelly concorda e acrescenta que esta campanha pode ajudar a que as mulheres “conheçam seu corpo, e ante qualquer sinal de anormalidade procurem ajuda médica urgentemente”, afirma.

A campanha do “Outubro Rosa” teve início nos Estados Unidos, onde diferentes cidades tinham ações isoladas referente ao câncer de mama no mês de outubro, e posteriormente o Congresso Americano aprovou que este mês se tornasse o mês nacional (norte americano) de prevenção do câncer de mama. 

Foi em 2002 que no Brasil aconteceu o primeiro ato relacionado à causa em São Paulo. Em outubro deste ano, o monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista, conhecido popularmente como Obelisco do Ibirapuera, ficou totalmente iluminado com a cor rosa. Desde então o Brasil se uniu nesta luta, a luta contra a desinformação do câncer de mama.

Agir com empatia

Toda pessoa que possui câncer “luta de forma diferente”. Kelly teve que retirar as duas mamas e, depois de terminar o tratamento, venceu. Falando de coisas que gostariam que tivessem sido diferentes ela conta que “a primeira coisa que as pessoas deveriam ter, mas a grande maioria não tem é empatia! Senti muita falta da empatia das pessoas durante meu tratamento”.

Ana gostaria que as pessoas “exercessem a ausência de julgamento”. “As pessoas que estão ao nosso redor tem muito palpite, tem muita opinião, tem muito ‘eu acho’. E na verdade ninguém sabe nada. Só quem sabe o que passa é a pessoa”, finaliza.

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