“Taylornomics”: o impacto econômico da The Eras Tour

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Nesta turnê, conhecida por ser a maior de Taylor Swift, ela celebra todos os seus álbuns lançados.

Ana Júlia Alem

Taylor Alison Swift nasceu no dia 13 de dezembro de 1989 em Reading, Pensilvânia. É a primogênita do corretor da bolsa de valores Scott Swift e de Andrea Swift, e cresceu ao lado de seu irmão mais novo, Austin Swift, em uma fazenda que cultiva árvores de natal. Aos 14 anos de idade, ela e sua família se mudaram para Nashville, no Tennessee, a fim de iniciar sua carreira. No ano seguinte, assinou seu primeiro contrato como artista com uma grande gravadora americana e, aos 16 anos, lançou seu primeiro CD.

Em seus 17 anos de carreira, a cantora norte-americana coleciona milhões de vendas e centenas de prêmios, tornando-se a mulher da década pela Billboard, em 2019. Em seus álbuns lançados, Taylor Swift viajou por gêneros que variam entre country, pop, folk e indie folk. Doze álbuns da compositora já ocuparam o primeiro lugar na revista Billboard, sendo este o maior número já atingido por uma mulher. Em agosto, ela se tornou a primeira mulher artista a atingir 100 milhões de ouvintes mensais na história do Spotify.

The Eras Tour

Nesta turnê, conhecida por ser a maior de Taylor Swift, ela celebra todos os seus álbuns lançados até então. Os shows têm cerca de três horas e meia, com 44 músicas ao todo. A apresentação é dividida em blocos, com cenários que mudam conforme as eras de sua carreira. Além disso, cada sessão do show propõe uma identidade visual diferente, nas quais ela relembra as estéticas, músicas e performances de cada álbum.

A “The Eras Tour” visa destacar as gravações que não puderam ter turnês próprias por conta da pandemia da COVID-19, entre elas: “Lover” (2019), “folklore” (2020), “evermore” (2020) e “Midnights” (2022). Os shows trazem efeitos especiais, dançarinos, uma grande quantidade de figurinos e um espetáculo teatral.

Desde o anúncio da nova turnê, a compositora vem batendo recordes na procura e venda de ingressos. Segundo dados publicados pela QuenstionPro, a “The Eras Tour” arrecadou U$2,2 bilhões em vendas apenas na América do Norte, ultrapassando a estimativa inicial de U$1,4 bilhões mundiais. A Billboard estimou que a turnê arrecadou U$591 milhões em ingressos só nos Estados Unidos, cerca de 71% a mais dos U$345 milhões arrecadados na “Reputation Tour”, realizada em 2018.

A primeira e última vez em que a Taylor Swift veio ao Brasil foi em 2012 para promover o álbum “Red”. Por isso, a passagem da cantora pelo país gerou uma corrida por ingressos, em que milhares de fãs, adolescentes e adultos, batalharam para conseguir os bilhetes. “Antes mesmo de abrirem as vendas, eu já estava no site tentando ser uma das primeiras pessoas a entrar na fila. Depois que consegui, tive que comprar o meu e das minhas amigas muito rápido para não perder a vez. Foi uma loucura, mas valeu a pena”, relembra a swiftie, Ana Flávia Figueiredo.

Em entrevista à Folha de Pernambuco, a analista sênior da empresa de pesquisa econômica Camoin Associates Mara Klaunig, a demanda reprimida de se divertir e ser social ocasionada pela pandemia fez com que as pessoas estivessem ainda mais dispostas a fazer de tudo para vê-la e presenciar o show. Desde o segundo trimestre de 2023, a T4F, empresa responsável pela venda de ingressos no Brasil, reporta resultados com o impacto dos shows da Taylor Swift sobre seus números. Neste período, a organização obteve um lucro líquido de R$16,3 milhões com bilhetes.

Os impactos econômicos

Durante a “The Eras Tour”, Taylor Swift passará por 17 países e cinco continentes, totalizando 131 shows. Segundo estimativas do Common Sense Institute, o montante total movimentado em economias locais, incluindo hotéis, alimentação, transporte e roupas, pode ultrapassar U$4,6 bilhões.

Roupas e acessórios

De acordo com a QuestionPro, o público norte-americano gastou em média U$291,62 (cerca de R$1.455) em roupas e U$214,80 (cerca de R$1.065) em mercadorias gerais. Além disso, a pesquisa mostra que outros U$87 milhões devem ser faturados com a venda de produtos nos estádios dos shows.

Larissa Stanchi, de 27 anos, é casada e formada em Jornalismo. Reside em São Paulo, onde atua como consultora de imagem e estilo. Também trabalha com criação de conteúdo na internet e é dona de uma loja de roupas femininas inspiradas na cultura pop. Apesar de todos esses compromissos, Larissa ainda é fã de carteirinha da Taylor Swift e conta que ficou muito realizada ao conseguir ingressos para dois shows da The Eras Tour em São Paulo.

Ela explica que, ao longo dos meses, se preparou para as duas programações, comprando carregador portátil, alimentos e até filmes para Instax. Além disso, aproveitou a oportunidade para encomendar mais estampas exclusivas de camisetas inspiradas na cantora para vender na fila do show.

Sobre seus looks e acessórios para as apresentações, Larissa conta que, por ser boa em customização, pode economizar um pouco. “A primeira produção foi um conjunto que estava em promoção e o segundo foi todo da minha própria loja, o que custou cerca de duzentos reais. Para fazer as famosas friendship bracelets, acredito que foram aproximadamente trezentos reais em materiais, como miçangas e fio de silicone”, diz.

Restaurantes

Em relação a restaurantes, a QuestionPro estimou que um espectador norte-americano gastou em média U$131,48 (cerca de R$652,50) em comida e bebida, somando mais de U$500 mil. Por isso, os comércios locais não perdem tempo para atrair os fãs da cantora. Algumas lojas vendem donuts com o rosto da Taylor Swift, outras inventam drinks com o nome de suas músicas. “As pessoas faziam fila na loja e ligavam o dia todo, surtando porque queriam um donut da Taylor. Tivemos dias em que trabalhamos fazendo donuts da Taylor por 18h”, enumera a co-proprietária da Glam Doll Donuts Teresa Fox ao The Wall Street Journal (WSJ).

Hotelaria

Taylor Swift foi citada até no Relatório do Federal Reserve (Fed), do Banco Central dos EUA, no qual informaram que maio foi o mês mais forte para a receita hoteleira na Filadélfia desde o início da pandemia – época em que estavam acontecendo os shows da artista na cidade. Em Cincinatti, os hotéis lucraram mais de U$2,6 milhões, enquanto as hospedagens ao redor atingiram mais de U$5,3 milhões.

Chicago, uma das maiores cidades dos Estados Unidos, bateu recordes na ocupação hoteleira com mais de 44 mil quartos ocupados e uma receita de U$48 milhões no período de shows. Enquanto isso, em Denver, segundo o Common Sense Institute, a turnê movimentou U$140 milhões no PIB do estado.

No Brasil, a Accor, responsável por cadeias hoteleiras como Ibis, Mercure, Adagio e Novotel, observou uma demanda crescente de reservas após o início da venda de ingressos. Guilherme Marques, diretor da companhia, informou que o número de reservas aumentou em 128% no Rio de Janeiro e 60% em São Paulo, em comparação com o mesmo período de 2022.

Em São Paulo, a SPTuris projetou uma injeção de R$128 milhões em favor da economia na cidade por conta dos turistas. Somado ao gasto médio dos moradores da cidade ou da grande São Paulo, o valor sobe para R$240 milhões.

Homenagens

Segundo o WSJ, um museu em Nashville criou uma exposição dos trajes da cantora que coincidisse com o período de suas performances na cidade. O museu em questão registrou o melhor mês de receita em 65 anos de história, com 114 mil pessoas comprando ingressos.

Taylor Swift não se apresentará na Nova Zelândia, porém, a companhia aérea Air New Zealand experimentou o “Surto Swift”. Os habitantes correram para reservar voos para a Austrália, onde a cantora realizará shows em fevereiro de 2024. A companhia aérea precisou acrescentar mais 14 voos, denominados de “NZ1989”, para acomodar cerca de três mil pessoas.

As homenagens não pararam por aí, a cidade norte-americana Glendale, no Arizona, mudou de nome temporariamente para “Swift City” e a Willis Tower, em Chicago, foi iluminada com cores que representam álbuns da cantora. No Brasil, as swifties doaram mais de R$180 mil para o Santuário Arquidiocesano do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, para que houvesse uma projeção de boas-vindas à artista. Durante seu primeiro show no Brasil, Swift fez questão de agradecer aos fãs pela homenagem. “Não é possível que isso é verdade, deve ser Photoshop, vocês entendem o que eu digo? É a coisa mais legal que alguém já fez por mim”, expõe.

As ações solidárias

Antes de encerrar a turnê nos Estados Unidos, Taylor Swift concedeu um bônus generoso à sua equipe. Aos membros de sua equipe – motoristas, dançarinos, músicos e produtores – a cantora deu cheques de U$100 mil (cerca de R$480,5 mil). São cerca de 50 profissionais, gerando um gasto de U$50 milhões à artista, segundo o Thirty-mile Zone (TMZ).

Além disso, Swift realizou doações a bancos de alimentos nas cidades em que se apresentou neste ano, como Glendale, Las Vegas, Atlanta e Arizona. Apenas nesta última cidade, foram doados 18 mil quilos de alimentos frescos.

Taylor Swift: The Eras Tour

Após o sucesso de sua turnê, a cantora decidiu lançar o documentário “Taylor Swift – The Eras Tour”, um filme de 2h e 48 minutos que traz imagens gravadas durante três apresentações da artista. Inicialmente, a exibição estava planejada apenas nos EUA, mas Swift optou por transformar isso em um evento global, distribuído em 8.500 cinemas.

De acordo com a operadora de cinemas AMC, a pré-venda de ingressos para o filme ultrapassou U$100 milhões (cerca de R$517 milhões) em todo mundo. Com sua nova obra, Taylor Swift estabeleceu um novo recorde como o filme de shows mais vendido de todos os tempos. Além disso, a receita gerada em apenas 24h após o lançamento do filme é a maior registrada em 103 anos, mostrando como a cantora é influente não só no universo musical, mas também no cinematográfico.

Larissa Stanchi comenta que Taylor Swift é uma de suas maiores inspirações. “Ela é a pessoa que escreve músicas sobre o que já vivi e vivo, sobre quem eu sou e o que penso do mundo. Para mim, ela é a maior artista da atualidade”, reflete. Para ela, a cantora é capaz de fazer com que as mulheres sejam compreendidas, acolhidas e abraçadas.

“É como se ela trouxesse de volta a nossa criança interior e a identidade que gostaríamos de construir. O impacto da carreira da Taylor Swift vai além de melhorias econômicas ou musicais. Sua carreira é sobre arte, poesia e sentimentos”, exalta.

Foto: Letícia Casemiro

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