Brasil tem quase 1,7 milhão de indígenas após mudança no mapeamento

In Geral, Política

As Regiões Norte e Nordeste concentram o maior número, de acordo com o Censo 2022.

Natália Goes

O Censo Demográfico 2022 mostrou que a população indígena chegou a 1.693.535 pessoas, o que representa 0,83% do total de habitantes residentes do país, em 4.832 municípios. Os primeiros dados do relatório indígena foram divulgados na primeira semana de agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Conforme o IBGE, o censo de 2010 contou 896.917 pessoas indígenas, o que representava 0,47% da população residente do país. Apesar dos dados, o grande avanço dos números não se deu pelo fato da população indígena ter aumentado. “Não é que nasceu muita gente indígena e morreu pouca”, declarou Marta Antunes, coordenadora do Censo de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, ao jornal Folha de São Paulo. 

Ainda segundo Marta, responsável pelo projeto de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, a variação nos números no período do censo aconteceu principalmente pela mudança na metodologia aplicada para a captação de informações dessa população. “Existe o fato de termos ampliado a pergunta ‘você se considera indígena?’ para fora das terras indígenas. Em 2010, vimos que 15,3% da população que respondeu dentro das Terras Indígenas que era indígena vieram por esse quesito de declaração”, afirma ela.

A metodologia do Censo Demográfico importa

Tanto em 2010 como em 2022, a contabilização resultou da autodeclaração. Para responder a pergunta “qual a cor da sua raça?”, os indivíduos teriam as seguintes opções: branca, preta, amarela, parda ou indígena. No ano de 2010, quando uma pessoa que estava em um local delimitado como Terra Indígena se autodeclarava parda, o recenseador fazia a pergunta: “Você se considera indígena?”.

Essa mesma pergunta também foi feita em 2022. Porém, não apenas em Terras Indígenas demarcadas oficialmente, mas sim em qualquer território considerado indígena. O último censo deu a possibilidade de mais de mais gente se autodeclarar indígena.

Outra mudança do Censo 2022 foi a aproximação com as lideranças indígenas e guia comunitários, demonstrando a importância de responder às perguntas sobre recenseamento. “Em cada aldeia contamos com o apoio de pelo menos uma liderança indígena. Nossos agradecimentos a todas as lideranças que assumiram o Censo como uma política de Estado, mas também como um direito dos povos indígenas de serem recenseados da melhor forma possível”, disse Marta.

Concentração no Norte e Nordeste

De acordo com dados da Agência Brasil, a Região Norte destaca-se por sua concentração. 44,48% da população indígena vive nessa região do país, totalizando cerca de 753.357 indígenas. A segunda região com maior número está no Nordeste, que reúne 31,22% da população indígena, com 528.800.

As duas regiões juntas correspondem a 75,71% desse total. O Centro-Oeste tem 11,80% ou 199.912 indígenas, o Sudeste tem 7,28% ou 123.369 indígenas e o Sul tem a menor porcentagem com 5,20% ou 88.097 indígenas.

Em relação a 2010, a maior diferença em números aconteceu na região Norte, que teve um acréscimo de 410,5 mil, e no Nordeste que teve uma aumento de 296,1 mil indígenas. A menor variação entre as regiões aconteceu no Sul com 9,3 mil indígenas.

Terras Indígenas

Nas terras indígenas em 2022, haviam 689.202 habitantes e 90,26% deles eram indígenas. O Norte concentra quase a metade da população, 49,12% do total e 93,49% dos habitantes são indígenas.

A terra indígena com o maior número de habitantes é a Yanomami, com 27.152 ou 4,36% do total em terras indígenas. Em seguida, o maior número está na Terra Indígena Raposa Serra do Sol em Roraima com 26.176, seguida pela Terra Indígena Évare I com 20.177.

Para a operação censitária na Terra Indígena Yanomami, que é a maior do país em área com 9,5 milhões de hectares, foi necessária a realização pelos meios de transporte terrestre, fluvial e aéreo. 

O estudante indígena Kawhã Pataxó fala sobre a importância do censo para as comunidades indígenas. “É fundamental para dar visibilidade à populações invisíveis que, diversas vezes, têm seus direitos fundamentais negligenciados”, comentou. Ele destaca que o censo ajuda no planejamento das articulações indígenas. “Através desses estudos é possível planejar as políticas públicas mais necessárias no território”, frisa.

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