Canadá atrai 1,4 milhão de imigrantes para vagas de emprego

In Geral, Mundo

O governo anunciou os setores da economia em defasagem em busca de trabalhadores.

Sâmilla Oliveira

O ministro da imigração do Canadá, Sean Fraser, anunciou um plano que pretende receber 1,4 milhão de imigrantes em três anos. Desde 2021, uma das promessas de seu mandato é promover caminhos melhores para a residência permanente de estudantes e trabalhadores estrangeiros. 

O plano afirma que o país deve aumentar as metas iniciais do governo em 13%. O Canadá espera receber 465 mil novos residentes permanentes em 2023, 485 mil em 2024 e até 500 mil em 2025. “Veja, é bem simples: precisamos de mais pessoas. Estou muito empolgado com as novas possibilidades que buscaremos com o sistema Express Entry. Isso nos permitirá direcionar os trabalhadores para preencher lacunas em setores chave o mais rápido possível no sistema atual”, afirma o ministro. 

O sistema Express Entry a que Fraser se refere é um processo de solicitação para trabalhadores que querem obter residência permanente no Canadá. Segundo o ministro, hoje há dezenas de milhares de vagas de emprego abertas sem ter que as preencha. Os principais setores são os de serviços médicos, mas a construção civil, a indústria de transformação, hotelaria, turismo e gastronomia também são setores em defasagem na economia canadense. 

Onde estão os canadenses?

Enquanto há setores com 950 mil vagas abertas, há também um milhão de desempregados. O governo afirma que o problema está no fato de que muitos trabalhadores não são qualificados ou moram em regiões onde não existe tanta necessidade de mão de obra. Outro problema é que uma grande massa da população canadense está em fase de aposentadoria, o que significa uma lacuna difícil de preencher com nativos. 

Depois do ápice da pandemia, as vagas de emprego que surgiram ainda não foram ocupadas. De acordo com o governo, esse plano para os próximos anos também pretende agregar ao mercado de trabalho refugiados que hoje dependem de assistência governamental. 

Com o principal objetivo de agregar força de trabalho ao país, o ministro conta sobre quem são as pessoas que o país precisa. De acordo com Fraser, para cada servidor aposentado, o país tem três trabalhadores. “Nós precisamos de mais trabalhadores em todos os setores. Independentemente de serem profissionais de saúde da linha de frente, caminhoneiros, construtores ou engenheiros de software”, disse Fraser. 

Apesar de não ser a primeira vez que o Canadá abre as portas em busca de imigrantes, é a primeira vez que isso acontece em grande escala. Nesse contexto, Sean Fraser afirma que os canadenses entendem a necessidade da força de trabalho, tendo em vista o equilíbrio demográfico e a vontade de continuar reunindo famílias. 

Papo de imigrante 

O brasileiro William Ribeiro conta que, hoje em dia, ser imigrante no Canadá é algo bastante normalizado. William foi para o Canadá para terminar o Ensino Médio há 5 anos. Ele afirma que com as qualificações normais de mercado e um nível adequado de inglês (e no caso do Québec, francês), o processo de imigração é bem mais aberto que em outros países. “Certas agências cuidam de fazer essa ponte com empregadores e cuidar da documentação, isso realmente se vê bastante”, declara. 

Para William, o Canadá tem políticas de imigração fortemente aceitas pela sociedade. Ele diz que o déficit de mão de obra se dá pelo fato de a população do país ser pequena, com pouco mais de um décimo da população dos EUA, ao passo que o país tem grande expansão territorial, sendo o segundo maior país do mundo. William ainda afirma que  apesar da semelhança cultural americana, as diferentes condições trouxeram uma perspectiva diferente sobre a integração de estrangeiros, tendo uma abordagem multicultural em comparação com a mais assimilacionista americana.

Giovanni Gubani, também imigrante brasileiro no Canadá, salienta que apesar de ter ouvido histórias atraentes no Brasil, não foi tão fácil fazer todos os trâmites até chegar lá. Apesar disso, ele ainda comenta sobre os processos realmente serem mais simples quando comparado aos Estados Unidos, por exemplo. Giovanni explica que a preferência lá é por jovens com algum tipo de formação. “Aqui qualquer pessoa vai te tratar normalmente como se você fosse canadense, é o que eu vejo em Ontário, onde estou”, comenta. 

Ele explica que as vagas de emprego dependem da região. Em Ontário, Giovanni garante que a maior necessidade é de serviços de eletricistas, mecânicos, encanadores, entre outras áreas de manutenção. Ele conta ter visto um anúncio de vagas de emprego no norte do país, em Alberta. “O anúncio mencionava muitas vagas de emprego. Inclusive, eles citavam as exceções ao invés das opções. Realmente são muitas áreas. Se você quer vir para cá, o meu conselho é: venha já com uma formação e faça tudo com muita antecedência”, finaliza Giovanni.

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