“Cidades esponja” e “espaços para os rios”: possíveis soluções para o Rio Grande do Sul

In Geral

Exemplos usados na Dinamarca, Estados Unidos e China devem ser utilizados como rota de readequamento diante das mudanças climáticas.

Davi Sousa

As chuvas intensas no Rio Grande do Sul nas últimas semanas deixaram milhares de pessoas sem lar, centros históricos da cultura gaúcha destruídos, mortes e danos incalculáveis. Como no Brasil, outros países ao redor do mundo passaram por inundações e perdas incalculáveis enfrentando esse desafio chamado mudanças climáticas. 

Com o avanço da revolução industrial, o crescimento desordenado das metrópoles causou destruição da fauna nativa. Os leitos dos rios, antes largos e extensos, foram direcionados a estreitos caminhos elaborados por homens, as florestas que detinham os deslizamentos de terra foram arrancadas para o avanço de cidades. Muitos problemas relacionados à mudança climática foram ocasionados pelo o homem e as grandes nações reconhecem isso e hoje vem buscando reparar seus erros.

Países como Estados Unidos, China e Holanda vem adotando medidas como as famosas cidades esponjas e espaços para os rios que buscam recriar os biomas originários desses locais que têm inundações e ao mesmo tempo trazem lazer a população.

O que são cidades esponja?

Cidades esponjas são espaços criados de restauração da fauna nativa, recriando o ambiente natural ao redor do rio e da cidade. O conceito parte da ideia de que as metrópoles modernas lidam com água de maneira  errada. Ao invés de que as cidades construam cada vez mais bocas de lobo e bueiros para coletar o mais rápido possível a água e jogar nos rios, o que comumente já acontece, as cidades esponja vem como um recurso que assegura o espaço e tempo para que a água seja absorvida pelo solo. 

Em 2012 chuvas intensas causaram uma inundação em Pequim, na China, que gerou 80 mortes, muitas delas por afogamento ou por choques elétricos. Casas foram destruídas, metrôs e aeroportos ficaram sob as águas.

No entanto, algumas fotos tiradas por turistas que visitavam a cidade proibida, construída a centenas de anos atrás, mostravam a cidade completamente seca graças ao seu antigo sistema de drenagem.  A tragédia chamou atenção das autoridades. A China que viveu longa urbanização nas últimas décadas passou a ser um dos países que abraçaram com força as cidades esponjas. Cidades como Taizhou e Jinhua, por exemplo, tiveram seus muros que canalizavam os rios transformados em cidades esponjas. 

Espaços para os rios

Os espaços para os rios são áreas designadas para permitir que os rios se expandam naturalmente durante períodos de enchente, sem causar danos significativos às áreas urbanizadas. Esta abordagem envolve a criação de zonas de inundação controladas, onde a água pode se espalhar e ser absorvida pelo solo de forma mais eficaz.

Na Holanda, um país famoso por suas batalhas contra a água, o programa “Room for the River” foi implementado após uma série de inundações devastadoras nos anos 1990. Este programa inclui medidas como a reabilitação de várzeas, o aprofundamento de canais e a remoção de barreiras artificiais, permitindo que os rios sigam seus cursos naturais e reduzindo a pressão sobre diques e outras infraestruturas. Essas iniciativas não apenas protegem as áreas urbanas de enchentes, mas também criam novos habitats para a vida selvagem e oferecem espaços recreativos para a população.

A experiência dinamarquesa

A Dinamarca tem investido em infraestruturas resilientes e sustentáveis para lidar com inundações urbanas. Copenhague, a capital dinamarquesa, sofreu uma série de inundações severas em 2011, que resultou em danos significativos. Em resposta, a cidade adotou um plano ambicioso que inclui a criação de parques urbanos capazes de armazenar grandes volumes de água durante tempestades. Esses parques funcionam como reservatórios temporários, que aliviam a pressão sobre o sistema de drenagem e mitigam os impactos das chuvas intensas.

Além disso, Copenhague implementou a criação de ruas “verdes”, que são pavimentadas com materiais permeáveis e equipadas com jardins de chuva. Essas ruas são projetadas para absorver e retardar a água da chuva, reduzindo o risco de inundações e melhorando a qualidade da água. A integração de áreas verdes e bacias de retenção em toda a cidade não só protege contra inundações, mas também contribui para a qualidade de vida dos moradores, oferecendo espaços de lazer e melhorando a biodiversidade urbana.

Adaptação ao contexto brasileiro

Para o Rio Grande do Sul, a adaptação de estratégias como cidades esponjas e espaços para os rios pode ser um passo crucial dos efeitos das mudanças climáticas. A implementação dessas medidas requer um planejamento urbano integrado e a colaboração entre governos, comunidades e especialistas em meio ambiente.

“As inundações no Rio Grande do Sul são um alerta para a necessidade de repensarmos nossa relação com o ambiente urbano e os rios”, alerta Mariana Dias, especialista em planejamento urbano e sustentabilidade. “Precisamos de soluções que respeitem os ciclos naturais da água e promovam a resiliência das nossas cidades”, afirma.

As cidades gaúchas têm um caminho longo até se restabelecer, o exemplo de outros países como China, Estados Unidos, Holanda e Dinamarca mostra que, com planejamento adequado e investimento em infraestruturas resilientes, é possível reduzir os riscos de inundações e melhorar a qualidade de vida nas áreas urbanas. Para o Rio Grande do Sul, a adoção dessas práticas pode ser uma rota promissora para enfrentar os desafios impostos pelas chuvas intensas e assegurar um futuro mais seguro e sustentável para seus habitantes.

“A chave para o sucesso está na integração de soluções técnicas com a participação ativa da comunidade”, acrescenta Dias. “Somente assim poderemos construir cidades que não apenas resistam às inundações, mas também ofereçam um ambiente mais saudável e agradável para todos”, finaliza.

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