Cresce a venda de apartamentos menores que 50 m² em São Paulo

In Economia, Geral

76% dos lançamentos de apartamentos têm diminuído o tamanho de 57m² para 45m², segundo a Embraesp.

Nycole de Souza 

Com o custo de imóveis convencionais em alta, também vem crescendo a venda de apartamentos cada vez menores. Na cidade de São Paulo, 76% dos lançamentos têm até 45m² e dois dormitórios, o que representa uma perda de mais de 13m², já que antes o tamanho médio era de 57,5m², segundo pesquisa realizada pela Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

Alguns dos motivos que vem incentivando para ocorrer essas mudanças são: custos, mudanças comportamentais e família menores. Também cresceu para 43% o número de pessoas que tem ido morar sozinha nos últimos 10 anos, nesse grupo se incluem solteiros, divorciados, idosos, viúvos ou casais com um ou nenhum filho.

Essa diminuição tem deixado os cômodos ainda mais compactos, como a famosa cozinha americana, em que a cozinha é dividida com a sala. Cômodos como lavanderia, escritório, corredores e varandas estão cada vez mais extintos. Janelas da altura do pé ou aspectos de iluminação e ventilação foram reduzidos ou impactados com essas mudanças.

Mudanças

Essas mudanças para apartamentos com poucos m² tem sido a melhor experiência para alguns estudantes. Marcelle Viana, 22 anos, é estudante de Direito no UNASP e mora no bairro Universitário. Porém, já residiu em um apartamento com esse novo formato. “Particularmente eu adorava, porque apesar de pequeno era planejado e todos os móveis se encaixavam muito bem, o lado ruim era não ter uma parte externa como varanda”, explica. 

A estudante acredita que para quem está iniciando a vida adulta agora essa acaba sendo uma opção com o maior custo benefício. “Eu tinha visto apartamentos pelo bairro mas não eram mobiliados e não era a opção, decidi morar lá quando uma amiga me apresentou uma moça que já morava lá e quando me mostrou o móvel fiquei encantada”, completa ela. 

Para a imobiliária Simples Imóveis de Engenheiro Coelho, é interessante esses novos modelos, mas ressaltam que é sempre muito importante a sua localização para que seja de fato um bom investimento e alcancem o retorno desejado. “Acredito que se torne uma tendência interessante, mas em regiões com grande movimento, aqui por ser uma região menor ainda é lento o interesse, talvez se o valor for baixo seja um atrativo para quem deseja morar só, mas ainda não é uma garantia de aceitação em massa”, finalizam.

“Residências menores oferecem uma série de benefícios quanto a praticidade do dia a dia, dentre eles, um dos principais são seus valores de custo e manutenção. Um espaço menor tem a tendência de ser mais barato tanto para alugar, comprar e, além disso, o tempo gasto com limpeza dos ambientes vai se tornar bem menor”, explica o arquiteto e urbanista Libni Talmay.

Para Talmay, as decorações acabam causando muito mais impacto por estarem visivelmente mais próximas do olho humano e o custo se torna bem menor pelo fato de termos menos espaços para preencher. “São muitas vantagens ao se escolher um imóvel reduzido desses e, a meu ver, estes apartamentos menores, tem tudo para cair na graça dessa nova geração, particularmente a otimização do tempo e velocidades reduzidos são bem sedutores considerando a velocidade com que a vida está acontecendo atualmente”, finaliza.

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