Diagnóstico tardio de TDAH dificulta o tratamento

In Geral, Saúde

Pessoas são diagnosticadas com TDAH depois dos 30 anos e só agora podem se tratar.

Ester Correa

Um levantamento realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), revelou que o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade prejudica mais de 4% da população mundial. Por não ser uma deficiência, é mais comum a existência do diagnóstico tardio, o que pode prejudicar o tratamento por se tratar de um estágio avançado. 

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) pode dificultar o processo de aprendizagem de crianças e adolescentes. O TDAH  pode também apresentar sintomas em pessoas com idade mais avançada, ou seja, após a juventude.

Conforme a psicóloga Ana Paula Grande Crispim o diagnóstico tardio na fase adulta prejudica de forma intensificada a atenção, isto é, afeta a capacidade de planejamento, execução de tarefas, organização, manejo do tempo, memória de trabalho, regulação do sono e de emoções, iniciação de tarefas e persistência ao alvo, etc. 

TDAH é genético ou não?

Segundo o psiquiatra e doutor Luiz Alberto, TDAH apresenta inúmeras possibilidades para o seu laudo. “Tem etiologia multifatorial, ou seja, várias causas, tais como: idiopática sem uma causa específica, aspectos ambientais e também de origem genética”, ele ainda afirma que “portadores de TDAH, filhos de pais que tenham o transtorno ou algum outro transtorno psiquiátrico são mais predispostos a terem”, explica.

De acordo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), o TDAH é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade, que tendem a diminuir na fase adulta.

Essa área é bastante estudada pela ciência, como relata Ana Paula. “Novos estudos estão sempre sendo desenvolvidos. Ainda não se afirma que atualmente há um grande consenso entre a comunidade científica que existem fortes componentes genéticos, pois pode ser herdado espontaneamente, devido à alteração no gene”, ressalta. 

A psicóloga ainda afirma que, no momento, não há nenhum teste médico para determinar se você ou seus filhos são geneticamente propensos ao TDAH, “pois, apesar da forte ligação genética, se você tem TDAH, isso não significa automaticamente que seu filho também terá. O diagnóstico é feito por pediatra, psicólogo, psiquiatra ou outro especialista seguindo os critérios do DSM-5.”

TDAH x trabalho

A experiência do professor Robertson Panaíno, mestre em Gestão de Tecnologia Inovação (UFSCar) e professor de Engenharia de Produção do UNASP, lembra a história de muitas pessoas. O diagnóstico dele veio apenas aos 25 anos, quando sentia alguns sintomas, como o sono, déficit de atenção, iniciar algo e não conseguir concluir no tempo previsto, cansaço, procrastinação, entre outros. 

O quadro dele é acompanhado por psicólogos e psiquiatra, com uso de medicamentos para estimular a atividade mental e aumentar a disposição. Seu filho mais velho, de nove anos, apresenta comportamentos semelhantes ao do pai na infância, o que o levou para o acompanhamento profissional.

Diagnóstico tardio fez parte da vida do professor Robertson Panaíno.

“Sempre fui o primeiro da turma, o que tardou o diagnóstico. Apesar das dificuldades trazidas pelo TDAH, nada impede que a pessoa tenha um bom desempenho,”  explica o professor.

Tratamento

“O tratamento na fase adulta pode ser mais intensificado devido ao diagnóstico tardio quanto mais precoce diagnosticado, melhor resposta terapêutica terá na fase adulta. Esses sintomas tendem a intensificarem na fase adulta, devido ao acúmulo de responsabilidades que são empregadas, maturidade, exigências laborais, familiares, acúmulo de tarefas…cada um com sua especificidade, sua sintomatologia e causas”, conta o psiquiatra Luiz Alberto. 

“Primeiramente encaminhar para um psiquiatra que vai averiguar se há uma necessidade do uso de medicamentos. Técnicas práticas no cotidiano, como exercício físico, dormir bem, organização, definir espaço para guardar itens, criar rotina, agendas, fazer listas do que deve ser feito no dia, uso de relógios, alarmes para administrar o tempo, também ajudam no tratamento”, complementa Ana Paula. 

Por fim, cada um adere ao processo de formas diferentes, sendo necessário um acompanhamento exclusivo que irá ser tratado de acordo com a necessidade do paciente.

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