Estudo revela benefícios de dieta que simula jejum durante 5 dias

In Geral, Saúde

Os resultados clínicos apresentaram redução dos sinais de envelhecimento do sistema imunológico, resistência à insulina e acúmulo de gordura no fígado.

Gabrielle Venceslau

É uma verdade conhecida que o jejum traz benefícios ao corpo humano. Mas e se for possível simular os efeitos desta prática sem de fato realizá-la? É isso que o estudo do professor de gerontologia e ciências biológicas  da University of Southern California, Valter Longo, afirma. Publicada na revista científica “Nature Communications”, a pesquisa apresenta a “fasting-mimicking diet” (FMD), uma dieta que imita o jejum durante cinco dias.

A FMD consiste na alimentação exclusiva de gorduras insaturadas, que possuam baixa quantidade de calorias, proteínas e carboidratos durante cinco dias por mês. Esse método consegue simular os resultados de um jejum apenas com ingestão de água, enquanto ainda fornece os nutrientes essenciais ao organismo.

Processo da pesquisa

Participantes de ambos os sexos, entre 18 e 70 anos, realizaram a dieta durante cinco dias, depois seguiram por um período de alimentação normal no restante do mês. Durante a FMD, os alimentos ingeridos se resumiam a sopas de legumes e vegetais, barras e bebidas energéticas, chips saudáveis e chás, além de suplementos de vitaminas, minerais e ácidos graxos essenciais. Enquanto isso, o grupo de controle seguiu seus hábitos alimentares normais. Isso se repetiu durante três ou quatro meses.

A pesquisa analisou os resultados clínicos dos dois grupos e concluiu que as pessoas que seguiram a dieta apresentaram uma redução nos fatores de risco associados à diabetes. Além disso, as imagens de ressonância magnética revelaram um decréscimo de gordura abdominal e hepática. Esses resultados indicaram um estímulo ao sistema imunológico, que reduziu em média 2,5 anos na idade biológica dos participantes.

Vantagens e riscos da FMD

Para obter vantagens da FMD, a nutricionista e doutora na área de jejum intermitente e exercício físico, Luciana Conut, enfatiza que “é necessário fazer uma dieta realmente de baixa caloria”. Caso contrário, os efeitos não serão atingidos. 

Entretanto, seguir isso pode ser uma tarefa difícil para algumas pessoas, uma vez que elas iriam ingerir menos da média de consumo diário que estariam acostumadas durante cinco dias. Isso seria um risco, não por causa da dieta em si, mas porque o metabolismo delas não estaria acostumado a reduzir bruscamente a quantidade de calorias, afirma a nutricionista.

A especialista também indica que aqueles que não têm hábitos saudáveis devem primeiramente fazer uma adaptação metabólica, por meio de jejuns curtos, diminuição da ingestão de carboidratos, entre outros.  “A ideia de fazer adaptação é como se eu estivesse dizendo para uma pessoa começar a caminhar antes de querer sair correndo muito, isso acontece para evitar efeitos colaterais”, explica.

Além disso, ela contraindica a FMD para pessoas que utilizam insulina, crianças, gestantes, lactantes, sofrem com quedas de pressão ou crises de enxaqueca. Para esses grupos, é preferível optar por outras intervenções nutricionais mais adequadas.

FMD ou jejum intermitente?

A doutora salienta que o melhor para a pessoa é a prática que consegue fazer com maior frequência. “O fato de você poder jantar mais cedo sempre pra fazer um jejum ou de vez em quando pular o café da manhã, faz com que o jejum intermitente seja uma estratégia mais fácil de ser levada como um estilo de vida, do que a FMD”, acredita.

Isso é sustentado pela nutricionista Anny Brunelli, que afirma ser possível obter diversas vantagens por meio da adoção do jejum intermitente – padrão alimentar que alterna períodos de alimentação com jejum. Segundo ela, a prática gera perda de peso, melhora a sensibilidade à insulina, além da redução de inflamações celulares e promoção da longevidade.

Para conseguir os melhores resultados, ela indica experimentar diferentes protocolos, como o jejum alternado ou jejum prolongado e ajustar conforme o necessário. Entretanto, ressalta que o jejum intermitente pode não ser adequado para todos. “Os resultados podem variar de pessoa para pessoa, por isso é importante consultar um profissional de saúde”, salienta.

Outras práticas saudáveis

As nutricionistas enfatizam que as escolhas alimentares impactam na redução dos sinais de envelhecimento do sistema imunológico de várias formas. Por isso, é importante manter uma alimentação saudável e aderir um estilo de vida que ajude na manutenção do metabolismo. Para isso, elas recomendam:

  • Ingerir alimentos antioxidantes e com propriedades anti-inflamatórias;
  • Realizar uma dieta equilibrada que forneça todos os nutrientes essenciais, incluindo vitaminas e minerais;
  • Evitar alimentos processados, ricos em açúcares adicionados, gorduras trans e aditivos químicos;
  • Adicionar legumes aquecidos (assados, refogados, grelhados) à dieta para aumentar a absorção de pró-caroteno; 
  • Manter uma rotina de exercícios que inclua uma combinação de atividades cardiovasculares, treinamento de força e flexibilidade;
  • Ingerir pelo menos 1,5L de água pura diariamente para melhorar o desempenho nos exercícios, reduzir a fome e evitar desidratação leve;
  • Priorizar o sono de qualidade, pois desempenha um papel fundamental na regeneração celular, na função cognitiva e na saúde metabólica;
  • Evitar comer muito à noite, pois pode desregular o ciclo circadiano e aumentar o risco de ganho de gordura abdominal;
  • Praticar técnicas de gerenciamento do estresse ou atividades relaxantes, para reduzir os níveis de estresse e promover o equilíbrio emocional.

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