Estudo revela que mulheres estão mais endividadas que os homens

In Economia, Geral

Especialista explica as principais razões das dívidas e dá dicas de como organizar as finanças.

Camylla Silva

Nos corredores dos shoppings e vitrines reluzentes, o poder de compra feminino se destaca. Em um mundo de consumo atual, as mulheres estão consumindo cada vez mais e impulsionando o mercado com suas escolhas e preferências. Mas esse ato de compra vem acompanhado de uma situação preocupante. 

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), publicada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), quase 80% das mulheres ficaram com dívidas no ano de 2022. Em comparação, os homens não chegaram a 77%. 

A análise mostra que essas mulheres, em sua maioria, têm empregos informais e até 35 anos. Para fortalecer esse cenário, um estudo divulgado pelo Dieese em março deste ano, apontou que mulheres ganham cerca de 21% a menos que os homens e no índice de desemprego são a maioria, com 55%.

Devido ao endividamento, a pesquisa também revelou que 29,6% das mulheres tiveram mais dificuldade para pagar suas contas. Além disso, 11% não possuíam condições para pagar suas dívidas.

Desigualdade e oportunidades

Para a Doutora em Economia Social e do Trabalho, Elaine Rosandiski, um dos principais fatores do endividamento feminino é a desigualdade salarial. “É curioso entender esse comportamento que acontece, às vezes, um diferencial de salário maior entre homens e mulheres”, ressalta. 

Além dessa discrepância, a especialista explica que o acesso limitado a oportunidades de carreira também é uma das razões que podem aumentar a probabilidade das mulheres se endividarem. “Muitas vezes, essas mulheres com mais escolaridade não conseguem bons cargos, que recebem melhor”, afirma.

“O diferencial, entre as mulheres mais escolarizadas, fica em torno de 30%. Enquanto que para as mulheres no geral, a diferença fica entre 5% e 15% em relação aos homens. É através disso que determinamos o consumo das mulheres”, afirma a doutora.

Consumo feminino pode gerar dívidas

Outro ponto que pode contribuir para o endividamento feminino é o padrão de consumo ser diferente. Segundo uma análise feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), as mulheres tendem a gastar mais com produtos relacionados à moda, beleza e cuidados pessoais, o que pode resultar em despesas adicionais e maior chance de endividamento.

Luisa Andrade já passou por vários desafios financeiros. Segundo a secretária, foi muito complicado enfrentar o momento devido às dificuldades que tinha de administrar suas finanças. “Não é fácil saber o que você deve ou não deve comprar, mas tudo fica mais fácil ao saber o que é realmente necessário”, declara. “Para conseguir quitar tudo, o maior desafio foi aprender a não cair nas ciladas de promoções e focar no que precisa ser pago para sair da ‘escravidão’ que é a dívida”, conclui.

4 dicas para se organizar financeiramente e evitar dívidas

A organização financeira exige disciplina e comprometimento. Elaine Rosandiski dá dicas para as mulheres poderem assumir o controle de suas finanças e se organizarem para um futuro financeiro mais seguro. Confira!

1. Crie um orçamento

Comece analisando suas contas e despesas para criar um orçamento realista. Acompanhe seus hábitos de gastos e separe por categorias as despesas, para identificar áreas onde você pode cortar. Aloque fundos de acordo com suas metas financeiras para priorizar a poupança e o pagamento da dívida.

2. Crie um fundo de emergência

Estabeleça um fundo de emergência para estabilidade financeira. Tente economizar de três a seis meses de despesas de subsistência. Configure transferências automáticas para uma conta poupança separada e considere uma despesa mensal não negociável.

3. Acompanhe suas despesas

Mantenha um registro de todas as suas despesas para ter uma compreensão clara de para onde está indo seu dinheiro. Utilize aplicativos ou planilhas de orçamento para monitorar seus gastos.

4. Gerencie dívidas estrategicamente

Se há dívidas, desenvolva um plano para resolvê-las. Priorize dívidas com juros altos e considere a consolidação de dívidas ou opções de refinanciamento para reduzir as taxas de juros. Faça pagamentos consistentes e evite acumular dívidas adicionais sempre que possível.

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