Fake ou verdade? Acredito ou não?

In Cultura, Geral

A psicologia explica por que acreditamos mais nas notícias falsas do que as verdadeiras.

Cristina Levano

Por que as pessoas mentem? Será que sempre é para tirar alguma vantagem ou só exageram “um pouco” para dar mais de interesse ao receptor da informação? Uma coisa é certa, vivemos em um mundo, em que uma teoria se torna em afirmação, um boato em informação verídica e isso em “notícia”. Atualmente, as fake news se espalharam como vírus e atingem milhões de pessoas, para algumas inclusive as notícias falsas são mais interessantes do que as verdadeiras. Mas qual é o motivo? 

O psicanalista, Luís Pierott, explica que uma das características dos grupos que produzem e se articulam no entorno de notícias falsas, é o sentimento de pertencimento. “Assim como as igrejas, se acolhem na medida de suas crenças. É comum também o sentimento de terem pessoalmente contribuído para a descoberta de um fato ou ideia disruptiva, algo novo, uma sensação de protagonismo na inscrição da história”, descreve.

Um levantamento feito com mais de 8,5 mil participantes, realizado pela Poynter Institute, escola de jornalismo e organização de pesquisas americana e Google, mostrou que 43% dos brasileiros afirmaram já ter enviado um post, vídeo, imagem ou notícia e só ter descoberto que se tratava de uma fake news mais tarde. 

Elmiro Filho, psicólogo comportamental, concorda com Pierott no sentimento de pertencimento que este tipo de notícias cria. “As notícias falsas às vezes são mais “interessantes” do que as verdadeiras. Como quando alguém fala: Você sabe quem se separou? Você ficou sabendo quem morreu? Dentre outras, chamando mais a atenção do povo”, explica.

O mentiroso e as fake news

“Fake news” é o termo em inglês utilizado para se referir às notícias falsas. Atualmente, elas se espalham rapidamente entre a população por meio das redes sociais tais como Instagram, Facebook, TikTok, principalmente Twitter e WhatsApp. 

Esta notícia pode ser construída para prejudicar um determinado grupo ou um determinado indivíduo até instituições. “Tem muitas possibilidades, o mentiroso contumaz tem consigo a característica de certa onipotência, tudo pode ser feito, não há borda ou freio. É um lugar de poder”, continua o psicoanalista Pierott.

A jornalista, Adriana Farias declara que as fake news só se espalham com essa velocidade por conta dos mecanismos das redes sociais. “Sobretudo o WhatsApp, e por conta dessa polarização a gente vê ali as pessoas inclusive compartilhando fake news porque elas querem ter a sua verdade, aquela que ela acredita é atestada numa notícia falsa”, afirma.

Já a informação falsa se viraliza devido a que os grupos que a espalham são também heterogêneos. Há a vertente desse grupo que de alguma forma sentiu-se sempre invisibilizada no debate público, ou se sentem identificadas com o conteúdo difundido. 

Emilio complementa que outro dos possíveis motivos é que “as pessoas (que fazem isso) estão a favor de si mesmas, buscam seu próprio benefício. E quando depois de agir ganham algo, isso reforça o seu comportamento, e continuam mentindo. Lamentavelmente a sociedade é a que termina sendo afetada.

Os confiantes e os preguiçosos

Existe um conceito chamado de “third person effect”, o “efeito de terceira pessoa”. Esta hipótese defende que as pessoas tendem a pensar que outros indivíduos são influenciados ou impactados em maior grau pelas mensagens persuasivas da mídia de massa do que eles. 

A mesma coisa acontece com as informações falsas divulgadas nos grupos de Telegram ou WhatsApp. Ninguém acredita  que pode cair nessa conversa, mas isso não faz que as parem, pelo contrário, elas continuam se espalhando e criando debates. Por isso que precisamos entender que o mundo virtual é complexo, e as estratégias de convencimento são poderosas, porém, ninguém está livre de cair numa fake news.

Por outro lado, encontram-se aqueles que têm a oportunidade de checar se o que receberam é verdade ou não, mas preferem acreditar na primeira coisa que vem. 

Nesse contexto, Marco Rocha, no seu Artigo “O poder da desinformação: Fake News, desonestidade intelectual e Pós-Verdade” relata que se um indivíduo está ciente da verdade e, no entanto, defende uma visão contrária, ele pratica uma desonestidade intelectual. É só se a pessoa não tem conhecimento da verdade, sua situação é apenas de ignorância.

“Se o sujeito estiver consciente de que pode haver uma evidência adicional, mas propositalmente não a verifica e age como se a posição fosse definitiva, ele também comete uma desonestidade intelectual,” expresa Rocha.

De alguma forma ambos sujeitos não ajudam a eliminar as fake news e por mais que não seja sua intenção, são partícipes e contribuem na viralização.

Se informar para mudar

Elmiro Filho disse que o primeiro passo para mudar é reconhecer e tentar entender porque este tipo de notícias chama mais a atenção, e verificar tudo o que se consome, principalmente nas redes sociais.

Por isso, a jornalista Adriana Farias, que trabalha na produtora Docfilmes fazendo conteúdos, reportagens especiais e documentários jornalísticos para a CNN Brasil, dá algumas dicas de como se prevenir para não cair nas Fake News.

  1. Não leia só o título: é comum que as fake news sejam publicadas com manchetes e títulos. Sem relação com o texto. Ou que manipula as informações. 
  2. Desconfie: dos textos muito sensacionalistas, muito alarmistas. Pois geralmente eles são criados para tentar despertar a curiosidade com objetivo de conseguir cliques e de ser muito compartilhado. Se a informação, a notícia lhe parecer muito inacreditável é muito provável que ela seja uma fake news. 
  3. Informações muito vagas: são um mau sinal. Aquelas com textos muito genéricos que não identificam os envolvidos, não dão o local dos fatos, são pouco confiáveis. As que vêm de um site que não é da mídia tradicional do jornalismo e não parece uma notícia ou que responda a todas as informações mostra só um lado, só um determinado lado de um fato, não são confiáveis. 
  4. Conferir a data da publicação: tem muito texto antigo que costuma voltar a circular na internet, nas redes sociais, quando algum tópico vira notícia. Por isso é importante ficar atento à data da publicação. Mesmo que um dia a informação que foi compartilhada tenha sido verdadeira, inclusive de um veículo prestígio.
  5. Cuidado com os vídeos, fotos e áudios: eles podem ser facilmente editados e tirados de contexto tem que desconfiar de vídeos que mostram cenas em comuns, é importante tentar encontrar a gravação original. 
  6. Verificar a publicação: conferir a publicação e um esse nestes veículos profissionais da imprensa. Quando a informação é verdadeira e relevante ela provavelmente vai estar num veículo profissional do jornalismo. Muitos jornais têm o setor para descobrir se uma informação é verdadeira ou falsa.
  7. Pesquise, e confie na Abj.

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