Fotojornalismo, o meio mais tocante de se comunicar

In Cultura, Entrevista, Geral

Entrevista com a jornalista Ana Ester sobre o fotojornalismo.

Bruno Sousa Gomes

Ana Ester Medeiros Vasconcelos é recém-formada em Jornalismo pela Universidade Estadual da Paraíba, tem 21 anos e atualmente atua como Fotojornalista em Campina Grande. Desde os 14 anos, sempre foi apaixonada pelo mundo da fotografia, e já realizou vários trabalhos como ensaios fotográficos de casamentos, debutantes e gestantes. Ama fotografar momentos espontâneos, que revelam o cotidiano e que muitas vezes passam despercebidos por nós. Ela escreveu um livro, chamado “Memórias da Pandemia”, que será publicado no dia 24 deste mês.

Em memória ao fotojornalismo, nós da ABJ Notícias decidimos realizar uma entrevista contando um pouco do trabalho da Ester, trazendo a relevância que o fotojornalismo tem no meio da comunicação.

ABJ: O que te motivou a trabalhar com fotografia?

Ester: Eu comecei na fotografia com 14 anos. Minha curiosidade surgiu quando meu pai trouxe uma câmera de uma viagem que ele fez. Eu pegava a câmera escondida e ficava tirando fotos das flores, passarinhos voando e de outras coisas.

Até que essa ideia ganhou forma quando teve um evento da igreja, para fotografar uma cantada de Natal, o fotógrafo não tinha ido, e me chamaram para tirar as fotos. Eu fui e nesse dia entendi o que Deus queria pra mim.

ABJ: Que mensagem você quer passar com as suas fotos?

Ester: Eu quero informar e causar sensibilidade por meio do meu trabalho, mostrar para as pessoas o que elas não vêem no seu dia a dia. Enquadrar na foto o que passa despercebido por nós às vezes, provocar a reflexão de momentos que viram histórias.

ABJ: Em que momento a fotografia foi mais marcante para você?

Ester: O momento de fotografar a pandemia. Eu sempre fui muita agitada, então ficar em casa foi uma tortura, eu precisava sair para fazer alguma coisa. Eu cheguei a chorar de saudade de estar com minha câmera em algum lugar, registrando momentos.

ABJ: O seu livro será publicado esse mês, conte como essa ideia nasceu.

Ester: Quando foi anunciado o lockdown, que todo mundo teria que ficar em casa, eu pensei que não aguentaria. Eu sempre trabalhei desde criança, então, ficar parada era um pesadelo. Por isso, peguei minha câmera e fui pras ruas registrar momentos. Cheguei a ir nas UPAS, nisso eu entrei em um presídio de segurança máxima, acompanhei o dia a dia do pessoal do SAMU e na UTI. 

Momentos do dia a dia também fazem parte do fotojornalismo. Foto: Ana Ester

ABJ: E as fotos que você tirou foram publicadas?

Ester: A gente, como estudante e profissional também, às vezes valoriza muito os trabalhos dos outros e o nosso, desvalorizamos. Sabe, essas fotos ficariam escondidas, iam ficar só na minha timeline no Instagram e Twitter, como eu já tinha publicado.

ABJ: Que sentimento você leva depois de ter passado por isso tudo?

Ester: Sentimento de gratidão, foi bom para entender que o meu trabalho é bom, e eu entendi tudo quando eu sentei e escrevi o livro, foi quando eu percebi o meu potencial.

ABJ: Como foi o processo de decisão para escrever o livro?

Ester: O professor me propôs a ideia de escrever um livro no meu TCC sobre os bastidores desse trabalho. Ele não ia aceitar outro trabalho que não fosse da pandemia. O legal é que durante o processo do TCC, eu fiz um bloco de anotação, até era uma forma de terapia para eu entender o que eu estava passando.

ABJ: De que forma você se preocupa com a valorização da fotografia referente ao passado?

Ester: Me preocupa, pela importância de como vai ser a nossa história no futuro. No meu ponto de vista, será algo relativo, não vai ter auxílio visual. Um exemplo é a Segunda Guerra Mundial. Você só entende a dimensão de tudo pelas fotos, você só consegue sentir a pobreza que existia naquele lugar, a ganância e maldade nos homens, porque a imagem transforma o seu imaginário.

ABJ: Logo quando você começou a fotografar, em algum momento você pensou em desistir? Se sim, o que te fortaleceu e fez com que você continuasse?

Ester: Desistir da fotografia, não, mas desistir dos projetos, sim. Foi Deus, eu não iria sentir paz se abandonasse o projeto, era Deus me motivando a continuar. Porque, se eu parasse, não estaria cumprindo o meu propósito.

ABJ: Com tudo o que a fotografia já te proporcionou e continua proporcionando, você ainda tem alguma pretensão, sonho, plano que deseja realizar? Ou prefere deixar o barco correr e abraçar as oportunidades que vierem?

Ester: Eu quero trazer a nossa geração para o fotojornalismo. A gente perdeu o costume de valorizar o fotojornalismo. Na verdade, a fotografia como um todo. Hoje, a nossa geração não revela foto. Um exemplo disso é os nossos pais que, na infância deles, a foto era algo muito importante. Mesmo se apertasse financeiramente, todo mundo se arrumava e, com isso, se pode ver como a fotografia se tornou algo tão banal, não é nada valioso. Hoje, as pessoas não registram os seus momentos, eles até compartilham seu dia a dia, mas não guardam lembranças. É tudo muito intenso.

Fotos sobre a pandemia marcaram a trajetória da Ester. Foto: Ana Ester

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