Jovens se sentem mais felizes sem o celular, diz pesquisa

In Ciência e Tecnologia, Cultura, Geral

Entenda como os adolescentes lidam com o tempo de tela.

Luiza Strapassan

O uso do celular entre os jovens tornou-se uma parte inseparável de suas vidas cotidianas. Desde o momento em que acordam até a hora de dormir, os dispositivos móveis estão constantemente presentes. Para os mais novos, o celular não é apenas uma ferramenta de comunicação, mas também uma fonte de entretenimento, educação e conexão com o mundo ao seu redor.

No entanto, o uso excessivo do celular entre adolescentes levanta preocupações sobre seu impacto na saúde mental e no bem-estar. Os efeitos negativos do tempo excessivo gasto em telas, como ansiedade, isolamento social e distúrbios do sono são estudados. Além disso, o uso constante do celular pode levar os jovens a negligenciarem atividades importantes, como a interação face a face, a prática de exercícios físicos e o desenvolvimento de habilidades sociais.

O Pew Research Center, uma organização que faz pesquisas sem fins lucrativos, publicou que mostrou que 72% dos jovens norte-americanos se sentem mais leves e felizes na ausência do celular. A pesquisa foi realizada do dia 26 de setembro a 23 de outubro de 2023 e contou com mais de mil e quatrocentos alunos e seus responsáveis. O estudo serviu como um alerta ao público jovem e seus responsáveis, sobre os benefícios de passar um tempo desconectado do celular.

A causa para o estudo foi a preocupação de defensores dos direitos infantis com os relacionamentos desses jovens diante do celular e redes sociais. No final do ano de 2023, diversos estados norte-americanos abriram processos contra a Meta, empresa dona do Instagram, Facebook, WhatsApp e Messenger, por criar recursos que viciam e destroem gradativamente a saúde mental das crianças e adolescentes.

Impactos na saúde mental

Segundo a psicóloga Lilian Maria da Silva, a saúde mental pode ser amplamente impactada pelo uso inadequado do aparelho eletrônico. “As próprias notificações e mensagens recebidas no aparelho já servem de gatilho para disparar ansiedade em algumas pessoas”, pontua.

O crescimento dos casos de depressão e ansiedade relacionados ao celular podem ser explicados de duas maneiras. A primeira, um transtorno chamado nomofobia, que consiste no medo de estar sem o celular, como se o indivíduo fosse perder informações importantes. E a segunda, a necessidade de “dar um tempo” da realidade, se refugiando em mundos online ou redes sociais. 

A nomofobia foi descoberta em 2008, mas nunca fez tanto sentido como agora, em 2024. Crédito: Luiza Strapassan.

No público feminino, o agravante são as redes sociais. A psicóloga afirma que uma vez que se trata do conteúdo fornecido nas redes, é reforçada a ideia do corpo perfeito. Ela ressalta que a sociedade impõe seu padrão de beleza quase obrigatório, e quando as jovens percebem que não é possível alcançá-lo, entram no processo depressivo. 

Já para o público masculino, o problema é o vício em realidade virtual. Com o propósito de obter uma válvula de escape, a oportunidade de criar um mundo personalizado é atraente para os menores. Porém, ao desligar a tela e perceber que a realidade é diferente, muitos entram em estado de depressão, além da ansiedade gerada para retornar aos jogos.

Uso diário do celular

O percentual de adolescentes com seu próprio smartphone chegou a 84,7% em 2022, segundo a pesquisa do IBGE. Entretanto, apesar dos desafios associados ao uso do celular, é importante reconhecer que os smartphones também oferecem oportunidades significativas para os jovens. Eles podem acessar uma vasta gama de recursos educacionais, conectando-se a cursos online, tutoriais e ferramentas de aprendizado.

A estudante Evelyn Wendler, 17 anos, disse tentar usar o celular o menos possível, porém, é a ferramenta que mais a ajuda em pesquisas e afazeres da escola. Portanto, o equilíbrio entre o uso saudável do celular e o engajamento em atividades offline é fundamental para garantir que os jovens aproveitem ao máximo as oportunidades oferecidas pela tecnologia móvel.

A psicóloga ainda disse que a solução não se trata apenas de limitar o tempo de tela, mas sim enriquecer o tempo fora dela, para manter a mente ativa. Dessa forma os mais novos vão conseguir gerenciar esses momentos de uma forma mais produtiva e saudável.

Foto: Luiza Strapassan

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