Lentes de contato: falta de higiene pode acarretar problemas de visão

In Geral, Saúde

Cuidar das lentes influencia em uma boa saúde ocular.

Lucas Pazzaglini

O uso de lentes de contato nos últimos anos tem crescido e sua procura é justificada pela facilidade quando comparada com os óculos de grau comuns. Segundo a Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, atualmente mais de 2 milhões de brasileiros fazem uso de lentes. Mas, junto com o uso, surgem problemas devido a falta de higienização e maus cuidados com a ferramenta.

Um exemplo claro é o do americano Mike Krumholz que, em seu relato ao jornal britânico Daily Star, conta que após dormir com as lentes acordou com cegueira em um olho. Após visitar muitos oftalmologistas, o jovem descobriu que o problema foi causado por um parasita carnívoro, chamado Acanthamoeba keratitis, o que provocou a inflamação na córnea.

Mas esse não é o único problema que pode surgir. O oftalmologista, Dr.Alexandre X. da Costa, informa que as complicações mais graves surgem da falta de cuidados com as lentes. “A má higienização das lentes e do estojo, e o uso de produtos inadequados para desinfecção das lentes podem levar à proliferação de microrganismos que, em contato com a córnea, podem causar uma infecção”, explica.

Como exemplo, o Dr. Alexandre cita a infecção de córnea conhecida como Ceratite Microbiana, que às vezes pode resultar em visão reduzida ou cegueira. Além disso, ele ressalta que para cada pessoa existe uma lente ideal, e a má adequação ao objeto também pode causar outras dificuldades.

Quem pode usar? 

As lentes de contato são usadas por muitos apenas como uma forma de fugir das armações convencionais dos óculos, mas além de corrigir erros refrativos, em alguns casos, ela pode ser prescrita pelo médico como forma de proteção ocular. Para usar o dispositivo médico é necessário que ele seja recomendado pelo oftalmologista, que irá analisar a realidade do paciente e prescrever a receita correta.

O Dr. Alexandre explica que esse processo é regido por diversos fatores como “ a saúde ocular e sistêmica, os tipos previstos de atividades nas quais o usuário estará envolvido, a frequência pretendida de uso das lentes e os ambientes em que as lentes provavelmente serão usadas”. 

O portal Visão Hospital ainda aponta a existência de dois tipos principais de lentes diferentes: as rígidas, responsáveis por corrigir graus de miopia e astigmatismo, gelatinosas, para correção de hipermetropia, miopia, presbiopia e astigmatismo.

Justamente pela grande variedade, o Dr. Alexandre alerta para a compra dos materiais em locais seguros e confiáveis. “Algumas das complicações do uso de lentes de contato são a compra pela internet ou em lojas não regulamentadas, assim como produtos não registrados pela Anvisa, sem que haja a prescrição médica e um teste de adaptação para adequação dos parâmetros ideais da lente de contato para cada indivíduo (como o tamanho e curvatura indicadas)”, explica.

Cuidados indispensáveis com as lentes de contato

Para um bom relacionamento com as lentes de contato, sem correr o risco de infecções, são necessários alguns cuidados específicos. A fim de facilitar o processo de cuidados, o Dr. Alexandre compartilhou as principais recomendações para o uso correto das lentes:  

  • evite dormir ou cochilar com as lentes;
  • lave e seque as mãos antes de colocar ou remover as lentes;
  • descarte e troque as lentes segundo a recomendação do fabricante, não use por mais tempo do que o indicado;
  • troque o estojo das lentes pelo menos a cada 3 meses;
  • não guarde as lentes na água ou soro fisiológico, apenas nas soluções desinfetantes próprias;
  • não enxágue as lentes na água, apenas com as soluções desinfetantes próprias ou soro fisiológico em embalagem de flaconetes (respeitando o tempo de uso após aberto);
  • troque totalmente a solução desinfetante do estojo a cada uso, não reaproveite o líquido já utilizado.

Anna Rocha é estudante de Medicina e faz uso regular das lentes há mais ou menos nove anos e após o período de adaptação não sentiu nenhuma outra complicação referente ao uso, justamente por seguir à risca as recomendações de higiene. “Antes de retirar a lente sempre lavo as minhas mãos com sabonete, lavo a lente com solução própria para lente e a guardo na caixinha. Como minhas lentes são descartáveis, preciso trocar após 30 dias de utilização. Sempre que troco procuro trocar a caixa ou lavar com a solução”, conta a estudante. 

Outro caso de sucesso é da também aluna de Medicina, Luiza Nobre, que começou a utilizar as lentes desde os 10 anos de idade. O único problema que a jovem enfrentou durante os anos de uso foi em um período de 15 dias que precisou aplicar colírio antialérgico, devido aos olhos secos. 

As duas estudantes reafirmam a necessidade de se atentar para a higienização correta do estojo, onde as lentes são guardadas, e para outras recomendações como não utilizar durante o banho, na praia ou na piscina, além de respeitar o prazo de validade de cada lente. 

Necessidade de informação

O oftalmologista esclarece que a única maneira de evitar problemas mais graves, com relação ao uso de lentes, é através da informação. “As pessoas precisam ser informadas dos riscos e cuidados que precisam ter com o uso das lentes de contato. Um estudo recente averiguou que um terço dos usuários de lentes de contato se lembra de nunca ter ouvido nenhuma recomendação de uso e cuidados com as lentes”, explica o doutor. 

Como forma de orientação geral, é necessário relembrar que o uso das lentes deve ser indicado apenas por um oftalmologista licenciado, que conheça o caso do paciente e indique o dispositivo mais adequado. Caso o uso esteja sendo feito sem a prescrição adequada, a sugestão é que ele seja interrompido imediatamente e as lentes levadas para avaliação. 

Além disso, é necessário que o uso seja acompanhado pelo especialista para que ele dê as orientações adequadas para cada caso. “Lembre-se: a lente é um corpo estranho que vai estar em contato direto com seu olho, e qualquer problema ali pode pôr sua visão em risco”, alerta o Dr. Alexandre.

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