Paralisia de Bell: entenda a gravidade da doença

In Geral, Saúde

Distúrbio deixou a jornalista Fernanda Gentil com partes do rosto sem movimentos.

Yasmim Larissa

Já imaginou beijar o rosto de seu filho e, de repente, sentir sua boca dormente? Assustador, não é mesmo? Foi a partir dessa situação que a jornalista Fernanda Gentil começou a se preocupar com o que estava acontecendo com ela. Em um vídeo publicado no YouTube, a também apresentadora, revelou que foi diagnosticada com a Paralisia de Bell, uma condição inflamatória caracterizada pela perda ou dificuldade de movimentos dos músculos de um lado do rosto.

A condição faz com que os pequenos vasos sanguíneos e o nervo ao redor da face inchem e se comprimam, interferindo assim, na capacidade dos impulsos nervosos se comunicarem com os músculos responsáveis pela movimentação desta região.

De acordo com a fisioterapeuta Sara Alves, a paralisia de Bell é responsável por 80% dos casos de paralisias faciais, levando em consideração que existem 2 tipos principais: as centrais, que são ocasionadas por um AVC, tumores ou doenças degenerativas e as periféricas, podendo ser infecciosas, metabólicas e traumáticas.

Um distúrbio sem causa?

Segundo a BVS, a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, a motivação que causa a paralisia é desconhecida. Mas alguns estudos sugerem que a condição pode estar correlacionada com infecções, vírus que atingem o nervo facial, herpes simples (labial e genital), mononucleose, catapora, vírus da rubéola e da gripe, tal como o estresse, baixa da imunidade, traumas e fadiga extrema.

Laís Urizi é consultora de estilo e utiliza suas redes sociais para contar sobre a sua experiência com a Paralisia de Bell, como uma forma de ajudar outras mulheres. Ela conta que decidiu fazer isso pois não conhecia a condição anteriormente, assim, gostaria de interagir com pessoas que sofreram ou ainda sofrem com isso.

Diferente do que aconteceu com a jornalista, Laís acordou um dia e notou que algo estava errado, pois estava sentindo sua língua queimar como se tivesse comido algo muito quente. “Senti meu rosto repuxar quando falava. Quando olhei no espelho, pude ver que meu sorriso estava torto”, revela. No primeiro momento, não achou que seria algo grave, somente através de exames no hospital que soube o que estava acontecendo.

Susto com os sintomas

Assim como Laís, a biomédica Kahisa Fontana também sofreu com sintomas na língua ao ser acometida pela paralisia. ”Ao tentar almoçar, senti minha língua adormecida, meus lábios não se movimentavam de forma normal para mastigar. Ao me olhar no espelho, vi a boca e um sorriso torto”, relata. 

Kahisa sofre com uma das variantes chamada “Síndrome de Ramsay Hunt”, quando a paralisia facial é causada pelo vírus da varicela zoster. Por ser uma condição pouco conhecida, ela compartilhou a situação em suas redes sociais, a fim de alertar as pessoas da diferença entre um Acidente Vascular Cerebral. “O AVC não atinge o olho, se a pálpebra também não está se movimentando de forma comum, é paralisia de Bell”, conta.

Mesmo com o tratamento, a biomédica precisou ir cinco vezes ao hospital por reclamações de dor, tomar analgésico intravenoso e morfina, pois o vírus atingiu o canal auditivo dela, causando dores torturantes e fazendo com que ela usasse uma compressa quente sob seu rosto. 

De acordo com a fisioterapeuta Sara, os sintomas podem variar a depender da lesão, podendo ocasionar a perda total ou parcial dos músculos da face de um lado do rosto, dor de ouvido ou na região do occipital (osso único localizado na face posterior da cabeça), hipersensibilidade auditiva, dor de cabeça e dormência na língua.

Um tratamento em conjunto

O neurologista Mauro Sérgio afirma que o tratamento dependerá da gravidade da doença, pois em alguns casos o distúrbio costuma regredir sem a intervenção de um tratamento. “O tratamento inclui a utilização de medicamentos como corticosteroides e antivirais, fisioterapia e fonoaudiologia”, explica. 

Sara ainda ressalta que ao notar algum dos sintomas, deve-se “primeiramente procurar assistência médica e se possível consultar um neurologista, para fazer uso dos medicamentos corretos até 72 horas.” Afinal, essa é uma condição que pode afetar qualquer pessoa de forma repentina.

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