Pressão para ser o melhor é terreno fértil para transtornos mentais

In Geral, Saúde

Estresse, ansiedade, sentimento de inadequação e incapacidade são consequências negativas da busca incessante pelo primeiro lugar, ressalta o Dr. Francisco Silveira.

Nicoly Moura

A competitividade é uma força que impulsiona muitos indivíduos a almejar constantemente o topo, seja na carreira, nos relacionamentos ou em qualquer outra área da vida. A pressão para se destacar entre os demais e alcançar o pódio da excelência pode ser avassaladora, levando alguns a uma busca incessante pela perfeição. 

É fundamental refletir sobre os impactos desse mindset competitivo na saúde mental. O incessante desejo de superar os outros e ser o melhor pode gerar estresse, ansiedade e até mesmo desequilíbrios emocionais. 

Você se considera uma pessoa competitiva? Sente a necessidade de estar no topo e sempre ser o melhor em tudo? É pressionado a se destacar dentre os outros e alcançar o primeiro lugar no pódio? Se a resposta para essas perguntas foi sim, é importante analisar como está sua saúde mental diante da busca pelo sucesso. 

Influência externa da sociedade

O psiquiatra Daniel de Barros, em entrevista ao noticiário da BBC NEWS Brasil, explica no livro Viver é melhor sem ter que ser o melhor: “a cultura em que estamos imersos não é de ‘faça o seu melhor’ apenas. No fundo, é uma cultura de ‘seja melhor que os outros”. Em seu livro, ele declara que vivemos em uma sociedade em que só existe valor no primeiro lugar e quem está na média é visto de forma desvalorizada. De acordo com o autor, um objetivo irreal é imposto sobre as pessoas que acabam se frustrando com suas expectativas não alcançadas. 

Atualmente as pessoas querem alcançar a perfeição para se adequar aos padrões que a sociedade estabelece, é o que explica a estudante de jornalismo, Bianca Vidotto, que lida com o problema em questão. “Algumas pessoas crescem ouvindo da família que você sempre tem que ser o melhor em tudo que se propõe a fazer e, com isso, vem esse desejo de ser o melhor em tudo”, diz.

Prejuízos para a saúde mental

A busca incessante para alcançar o primeiro lugar ao mesmo tempo que concede crescimento pessoal e aperfeiçoamento, traz impactos negativos à saúde mental, é o que declara o psiquiatra Francisco Silveira. “A pressão para ser o melhor pode levar a um ciclo vicioso de estresse, ansiedade e em alguns casos extremos, transtornos mentais mais sérios”, alerta.

Bianca relata que enfrenta esta situação desde que iniciou na faculdade. A autocobrança e a busca por ser a melhor, trouxe danos à sua saúde mental. Ela conta que se tornou uma pessoa que só pensa em ter notas boas e uma vida ‘perfeita’, e com isso acabou desencadeando Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).  A estudante ainda ressalta que o transtorno tem atrapalhado seu rendimento na universidade. 

Conciliando o sucesso com uma mente saudável

A psicóloga Elisângela Seabra, especialista em Terapia Cognitiva Comportamental, alega que é necessário desconstruir a ideia de que o valor de uma pessoa se dá a despeito daquilo que ela está fazendo ou de que “está dando conta”. Elisângela ainda destaca que não é sábio comparar-se com os outros, é importante melhorar a cada dia e entender que isso faz parte de um processo evolutivo pessoal. 

“Nessa sociedade moderna, as instituições educacionais e empresas devem promover, de certa forma, uma cultura que valorize o progresso pessoal, o bem-estar e, acima de tudo, colaboração, ao invés de apenas a conquista do primeiro lugar”, é o que defende o psiquiatra Francisco Silveira. 

De acordo com Francisco, é imprescindível oferecer apoio psicológico e psiquiátrico se necessário, em ambientes altamente competitivos, para que cada pessoa reconheça seu valor individual. Com esse apoio, o especialista acredita que o profissional consiga “uma performance na integralidade, no seu esforço próprio e na capacidade de superação, como um processo de resiliência”.

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