Síndrome de Alotriofagia: nem tudo é comestível

In Geral, Saúde

O desejo incontrolável de comer substâncias estranhas e que prejudica o organismo.

Bruno Sousa Gomes

Você já deve ter conhecido alguém que tinha o desejo de comer coisas estranhas, como: sabão, ração, pedaço de pano, barro, etc. Mas se não, você deve estar se perguntando, quem comeria esse tipo de coisa? Então, uma pessoa que possui alotriofagia, um transtorno caracterizado pela vontade incontrolável de comer coisas que não são comestíveis.

Conhecido também por seu nome popular, “síndrome de pica”, que vem da palavra em latim e se refere ao pássaro pega-rabilonga, apelidado de pica-pica, que é uma ave conhecida por comer praticamente tudo. Estudos sobre distúrbios alimentares no século XVI sugeriram que a alotriofagia era considerada um sintoma de outro quadro clínico, ao invés de ser a própria condição do paciente.

Diagnóstico da síndrome

A alotriofagia pode ser diagnosticada em qualquer pessoa em qualquer fase da vida, mas tende a acontecer com esses grupos específicos de pessoas: crianças pequenas, especialmente menores de 6 anos; pessoas com certas condições de saúde mental, especialmente transtorno do espectro autista; deficiência intelectual ou esquizofrenia; pessoas que estão grávidas e quem passa por desnutrição ou fome.

Exames de urina e fezes podem ajudar a identificar, assim como exames de raios-X, tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultrassom. Além de eletrocardiograma, que pode apresentar desequilíbrios eletrolíticos ou infecções provocadas pelos parasitas.

A nutricionista, Michelle Fernandes, comenta os riscos que isso pode causar. “A pessoa pode adquirir uma intoxicação alimentar, infecção intestinal, fraqueza, letargia e fadiga. Dependendo do que for ingerido, é importante ficar atento para não causar complicações maiores,” explica.

A síndrome na gravidez

Segundo a nutricionista, um dos públicos mais atingidos são as grávidas. Marilene Rita está grávida de seis meses e comenta sobre os desejos que ela tem. “Eu sinto muita vontade de comer ração. Inclusive, durante as minhas outras gestações, eu comia”, conta.

Quando a paciente estiver nesse processo de gravidez, é de suma importância o diagnóstico precoce, para evitar complicações ao bebê. Por que ele pode nascer com baixo peso, o parto pode ser prematuro ou podem surgir alterações cognitivas na criança. Além disso, pelo fato de querer ingerir substâncias inadequadas, as mesmas podem atravessar a barreira placentária e atingir o bebê, colocando em risco o desenvolvimento e favorecendo um aborto durante a gestação.

A nutricionista comenta que atitudes devem ser tomadas para tratar esse tipo de desejo, já que para as gestantes pode parecer normal essa vontade. “Procurar um acompanhamento emocional para desenvolver esse comportamento, entender porque muitos deles acontecem e, acompanhamento nutricional para suprir a carência desses nutrientes”, orienta.

Tratamentos 

O tratamento varia conforme o portador da síndrome, principalmente se a descoberta tiver acontecido na infância ou se forem pessoas com problemas mentais e gestantes. Algumas opções são: tratamentos psicológicos, mudanças ambientais, reestruturação familiar, ou um simples tratamento com suplementos vitamínicos e mudanças na dieta.

Também existem outros tipos de terapias, como a terapia aversiva leve, que ensina os pacientes a evitarem itens não alimentares e reforça de forma positiva os comportamentos alimentares saudáveis. Além dela, existe a terapia comportamental, que ensina os mecanismos e estratégias de como enfrentar a síndrome.

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