Depressão é uma das principais doenças que atingem jovens, de acordo com a OMS

In Educação, Saúde

A cobrança acadêmica da vida universitária acaba pesando na saúde mental dos jovens

Djuliane Rodrigues

Em 10 de outubro, é comemorado em todo o mundo o Dia Internacional da Saúde Mental. A data, instituída em 1992 pela Federação Mundial de Saúde Mental, tem como objetivo conscientizar a população sobre o sofrimento por problemas psíquicos. A iniciativa visa, portanto, promover a saúde mental em adolescentes, jovens e adultos, trazendo benefícios individuais e sociais de curto a longo prazo.

De acordo com pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é uma das principais causas de doença e incapacidade entre adolescentes e jovens. No âmbito dos jovens universitários, o Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace) revelou que cerca de 37% dos estudantes das Instituições Federais de Ensino Superior apresentam necessidades significativas ou crise emocional durante o primeiro e o último ano do curso. Além disso, a pesquisa aponta que 29% deles procuram apoio psicológico, e metade relata ter vivenciado crise emocional no último ano do curso.

A cobrança acadêmica da vida universitária pesa na saúde mental dos jovens. Entre o grande número de conteúdos novos, trabalhos e provas, parte deles ainda fazem jornada dupla: trabalham enquanto estão na faculdade. A psicóloga Marlena Saraiva explica que embora “a universidade seja um espaço que oferece subsídios sociais e intelectuais que melhoram o funcionamento cognitivo do estudante”, o período é de transição. Boa parte dos universitários precisam viver longe dos pais e conseguir seu sustento. Isso faz com que a pessoa sinta uma espécie de luto, já que aprende a “se virar” sozinha, longe da família.  Sendo assim, as exigências e expectativas pessoais e por parte da família, excesso de carga horária de estudo e a mudança na rotina do sono que fazem parte da adaptação ao novo estilo de vida podem impactar negativamente sua saúde mental.

A estudante do curso de Farmácia do Unasp Engenheiro Coelho Maria Joerlis Silva vive essa realidade. Para ela, as cobranças da faculdade causam ansiedade. “O período de provas, em consequência de eu deixar para estudar na véspera da avaliação, me atrapalha. Entendo que procrastinação gera ansiedade, mas há muita pressão exterior em relação à graduação. É meu segundo semestre na faculdade e já sinto a pressão em ter que fazer especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado”, confessa. Já o estudante de Rádio e TV Janderson Torres, da mesma instituição, usa técnicas de coach para manter o equilíbrio mental e a produtividade na vida acadêmica. “A primeira coisa que faço é focar no meu propósito. Depois, aplico minhas técnicas para melhorar minha forma de aprendizado de acordo com meu perfil”, expõe. Torres salienta que encara as dificuldades da rotina universitária como um momento passageiro e de aprendizado. “Os problemas da vida me levam ao crescimento pessoal. Procuro fazer com que cada momento da faculdade seja único e feliz”, frisa.

A psicóloga Marlena também aponta a questão financeira como um fator de desequilíbrio emocional. “Ela tem relação direta com a saúde mental, pois se a pessoa está endividada ou com insuficiência financeira, pode apresentar preocupação excessiva com o futuro, insônia, mal humor, estresse, tristeza e até mesmo a depressão”, ressalta. Para mudar esse cenário, ela acredita que seria de suma importância palestras ou minicursos que vinculassem saúde mental e finanças, pois esses dois aspectos estão diretamente ligados. De acordo com levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) feito com consumidores com dívidas e pe­la Con­fe­de­ra­ção Na­cio­nal de Di­ri­gen­tes Lo­jis­tas (CN­DL), dois em ca­da três (65,6%) inadim­plen­tes se sen­tem de­pri­mi­dos, tris­tes e de­sa­ni­ma­dos por endividamento. Ou­tros sen­ti­men­tos que a maio­ria pas­sou a ter fo­ram: in­se­gu­ran­ça em não con­se­guir pa­gar as dí­vi­das (69,9%), an­gús­tia (61,8%), an­sie­da­de (59,8%) e es­tres­se (57,6%).

A psicóloga Gesiane Vingat afirma que a vida dos estudantes universitários tende a ser muito corrida e com várias demandas. A saúde mental pode ser prejudicada, e, por conta disso, é importante ficar atento. Sendo assim, ela dá 5 dicas para ajudar jovens universitários que passam por diferentes tipos de desequilíbrio mental:

  1. “Organize sua rotina e separe um tempo para realizar atividades que sejam prazerosas”, sugere Gesiane.
  2. Pratique exercícios físicos.
  3. Viva o presente e valorize cada instante.
  4. Identifique seus pontos fortes e fracos. “Entenda que você não precisa dar conta de tudo, e está tudo bem”, aconselha a psicóloga.
  5. O autoconhecimento é sempre muito importante. Gesiane Vingat sugere o auxílio da psicoterapia.

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