A representatividade do preto cresce no contexto artístico

In Cultura, Geral

A arte que dá protagonismo ao preto tem se destacado e incentivado discussões sobre as questões raciais 

Rebeca Pedromilo 

A banda O Bairro Novo lançou seu novo álbum “O banquete” e tem tido repercussão entre os ouvintes. A atriz principal dos videoclipes é negra e, por meio disso, a obra também faz uma crítica a necessidade de inclusão do preto em posições de destaque. O compositor e diretor musical da banda Gustavo Barrinovo comenta sobre a necessidade de enxergar o mundo com os olhos do outro, para fazer pelo outro aquilo que se tenta fazer por si mesmo.

Ele afirma que “as pessoas brancas sempre tiveram representatividade através da mídia da arte, e essa identidade foi roubada da população preta.” Barrinovo acrescenta que “é uma dívida que temos com os mesmos e também é nosso dever. Deixar de colocar essas pessoas em evidência é deixar de colocar parte da população em evidência.”

A estudante de Arquitetura e Urbanismo Victória Vidal, atriz principal do álbum visual, expressa sobre como participar desse projeto a impactou. “Interpretar um papel como mulher e negra tem simbolismo de representatividade para mim. Quando eu era mais nova, as pessoas consideradas bonitas eram as brancas com cabelos lisos. Quase toda menina negra sonhava em ser branca”, comenta.

Victória esclarece que na infância gostaria de ter visto com mais frequência alguém que a representasse, de forma que também fosse considerado belo. “Fazer o papel me deu a oportunidade de representar minha cultura e minha identidade”, conclui.

Novas possibilidades

Outros artistas também se posicionam sobre o tema. Jônathas Luz é teólogo e utiliza as redes sociais como forma de discutir sobre assuntos relacionados à questão racial. Em seus textos e desenhos, ele considera que a música negra exerce uma influência formativa em quase toda música da contemporaneidade. “Antes de se tornarem populares e aceitos, quando passam a ser cantados e tocados por artistas brancos, todos os gêneros de música negra, até o gospel, passam por uma rejeição e até mesmo uma demonização antes de serem aceitos pela sociedade como um todo”, explica. 

Para o artista, por características como essas, “a música não é apenas fundamental”. Ele reforça que a arte produzida pelo negro explica como  a comunidade preta ainda é vista.

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