Papo de Homem é necessário e urgente

In Cultura, Educação, Geral

Com diversas frentes e um diálogo aberto, movimento busca transformação social masculina

Hellen Piris

Rolando o mouse pelo site, é possível perceber um ambiente aconchegante e amigável. “Fale com a gente, estamos sempre abertos”, diz um dos títulos da página principal. Embaixo, uma foto tirada no encontro chamado “23 dias para ser um homem melhor”. A imagem mostra uns 30 homens e algumas mulheres, todos muito felizes.

São essas as impressões que qualquer um que acesse o site do Papo de Homem ou PDH, pode ter logo no início. Fundado há 14 anos pelo professor de equilíbrio emocional, Guilherme Valadares, Papo de Homem, é um projeto nacional que busca a transformação das masculinidades por meio do conhecimento e amor. Eles contam com duas frentes principais de atuação: o portal PapodeHomem.com.br, junto às redes sociais, e o Instituto PDH.

Assim trabalha o PDH

A editora de conteúdo do portal PapodeHomem, Gabriella Feola, explica que o foco dele é “gerar consciência de gênero e transformação das masculinidades a partir da comunicação, notícias, textos reflexivos e propostas de mudanças práticas que possam ser implementadas no dia a dia.” Por outro lado, as redes sociais ajudam com o engajamento e uma interação mais direta com o público. Já o Instituto PDH “tem um foco maior em pesquisa, eventos e treinamentos”, indica Gabriella.

São muitos os projetos que foram surgindo, desenvolvendo-se e mudando as percepções de milhares de homens nos últimos 14 anos de trabalho. Pesquisas que renderam livros, documentários e parcerias com a ONU Mulheres são alguns dos resultados da busca por uma sociedade mais empática. Gabriella lembra o motivo pelo qual PapodeHomem foi criado: “Contribuir para um meio mais equilibrado, seguro e autêntico, não apenas para homens, mas para toda a sociedade.”

Do Instagram à prática

O conteúdo de PapodeHomem alcança quem participa ativamente da comunidade, mas também quem consome os conteúdos produzidos por eles. “Tenho adotado a estratégia de dar exemplo nas minhas mudanças de atitudes. Só de não rir de uma daquelas piadinhas tóxicas já causa um impacto”, comentou Alexander Vieira de 48 anos em um post do Instagram de PDH. Ele é taxista em Belo Horizonte, e conta que conheceu o projeto em 2019. “Os assuntos são muito pertinentes”, assegura ele e diz que tem “encontrado alento para muitas questões que pessoalmente tenho que lidar e sempre busquei questionar.” Vieira aponta que até compartilha nos grupos de WhatsApp alguns posts deles e acredita fortemente que “Papo de Homem é um veículo excepcional de mudança social.”

Quem concorda com a declaração de Vieira é o sociólogo e curador de conhecimento Túlio Custódio, que tem experiência na redação e publicação de textos e palestras que abordam a masculinidade como um debate público e de relevância social. Ele pondera que o tema abordado por PDH já vem sendo puxado há algumas décadas pelas mulheres, contudo, lamenta que os homens demoraram bastante para “começar a se apropriar dessa discussão, e da sua função e condição sobre o que significa ser homem.”

Para ele, movimentos como PDH são necessários para “colocar no debate temas que são difíceis de dialogar e serem tratados entre a população masculina” e que, a longo prazo, podem gerar uma transformação social. Além disso, desmistifica conceitos e interpretações sobre o que é ser homem, permitindo assim novas concepções sobre a masculinidade.

O grupo menor

O futuro é promissor para movimentos como PDH.  Há muito ainda por ser feito e muitos indivíduos para serem alcançados. Porém, o desafio continua sendo a abertura que os próprios homens dão a projetos como esse. Segundo a psicóloga e especialista em terapia cognitiva comportamental, Somaira Nogueira, “os homens têm sido o menor grupo em buscar ajuda psicológica, pois só procuram quando estão com problemas mais graves.”

Esse fato corrobora uma vez mais a necessidade social de contar com espaços e ambientes em que os homens sintam que podem se expressar sem medo de serem julgados,  rotulados de fracos ou criticados por serem quem realmente são. Somaira ainda acrescenta que, ambientes assim, “lhes brindam uma maior rede de apoio para que eles também possam ter esse espaço que muitas vezes é dado por outros projetos ao público feminino.”

Papel feminino

Falar sobre as novas formas de masculinidade também é falar sobre a função da mulher nesse cenário. A psicóloga sustenta que devido às constantes mudanças na sociedade, tendemos a questionar as velhas e novas perspectivas. Dentre esses novos pontos de vista, temos a ascensão da mulher, sua inserção e voz ativa na sociedade que no passado lhe foi negada.

O homem, diante dessa realidade “pode se sentir confuso sobre como agir, se entender como tal ou se adaptar aos novos horizontes”, por esse motivo, é sumamente importante que ele se “permita olhar para si, atender aos seus barulhos e silêncios interiores, e assim se redescobrir como ser”, garante ela.

1 milhão de transformados e transformadores

O projeto continua crescendo e se desenvolvendo no Brasil e também recebe convites para organizar palestras e encontros em outros países. Ainda há um caminho longo a ser trilhado, muitos homens por serem alcançados e uma sociedade por ser transformada. O processo se torna muitas vezes lento e  dificultoso, porém, a motivação é certa.

Através do portal e das redes sociais, PDH atinge mensalmente 1 milhão de leitores. São 1 milhão de homens e mulheres que participam diariamente de uma jornada de transformação que não apenas beneficia eles, mas também o meio em que estão inseridos. Afinal, esse é o objetivo pelo qual PDH foi criado.

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