“Kit fraude”: a nova versão do golpe do empréstimo consignado

In Economia, Geral

Segundo a polícia, o esquema envolve quadrilhas e servidores do INSS.

Cristina Levano

Ligar para as vítimas em busca de informações pessoais para depois pedir um empréstimo no nome da vítima se tornou uma técnica de golpe velha para algumas quadrilhas de criminosos. Recentemente se deu a conhecer uma nova versão do golpe de empréstimo do consignado, que atinge aposentados e pensionistas. Nesta modalidade de fraude, os criminosos compram e vendem, ilegalmente, pacotes com dados pessoais e documentos pela internet ou conseguem esse material com auxílio de funcionários do INSS.

“Eles têm acesso às informações pessoais dos segurados e com isso conseguem contratar empréstimos sem a anuência do consumidor, segurado do INSS,” explica a advogada Daniela Campos.

Os atos fraudulentos foram expostos pela equipe do Fantástico, que descobriu que através de grupos de aplicativos de mensagens, existia um mercado clandestino de documentos. Nesse grupo, era possível adquirir o denominado “kit fraude”, que estava conformado por identidade e a selfie que a pessoa tira mostrando o documento. Isto foi aproveitado pelos criminosos, já que esses documentos servem como um tipo de “assinatura eletrônica” para contratos de crédito como empréstimos.

“Com base nesses dados, essa pessoa cria uma conta falsa para que o próprio fraudador venha a ter acesso a ela. Lembrando que esses empréstimos consignados, os valores que são entregues devem ser feitos nas contas vinculadas ao CPF do aposentado”, diz o defensor público do RS, Rafael Magagnin, para o Globo.

O que é golpe do empréstimo consignado?

Ainda assim, por mais que tenham surgido novas versões, pessoas continuam sendo enganadas através do golpe do empréstimo comum.  Só em 2022 se registraram 57.874 queixas deste tipo de fraude nos Procons de todo o país.

O processo típico da fraude envolve criminosos se passando por intermediários ou agentes de instituições financeiras legítimas, os quais entram em contato com pessoas que solicitaram empréstimos consignados ou consignados bancários com desconto e lhes oferecem uma suposta “melhoria” nas condições do empréstimo, como uma taxa de juros menor ou um valor maior em dinheiro.

Se a pessoa aceita a oferta, os golpistas pedem informações pessoais e financeiras, incluindo informações como número de conta bancária, cédula de identidade, comprovante de pagamento e outros documentos pertinentes. Em algumas ocasiões, solicitam o pagamento antecipado de uma quantia em dinheiro, argumentando que se trata de uma comissão ou de uma exigência para processar o novo empréstimo.

Uma vez que os golpistas obtêm as informações e o pagamento antecipadamente, eles desaparecem e não cumprem suas promessas. Na maioria dos casos as vítimas percebem tarde demais que foram enganadas, perdendo dinheiro e revelando informações pessoais confidenciais.

Me enganaram, o que posso fazer?

A advogada Daniela Campos explica que atualmente, via de regra, não existe punição para os golpistas, pois geralmente eles não são identificados. Ainda assim, a vítima pode ingressar com uma ação pedindo para que o juiz declare a fraude por sentença. 

“Se comprovar que houve omissão da instituição financeira é possível pedir reparação de danos. Mas o maior problema é que os bancos estão enganando os consumidores. Muitos assinam a contratação do empréstimo sem ao menos saber que se trata de um”, declara a advogada.  

Por isso, Daniela Campos recomenda ler todo documento antes de realizar qualquer assinatura, e caso exista uma suspeita de ter sido vítima deste tipo de golpe, recomenda informar a autoridade policial ou procurar um advogado para representá-la e acompanhá-la no processo.

Além disso, o engenheiro de computação e criador de conteúdo sobre golpes digitais, Roberto Abrahão, explica que registrar todos os protocolos, em outras palavras, tudo o que você fez para tentar resolver o problema, agir da forma mais rápida possível e documentar tudo, pode fazer a diferença no momento de criar seu boletim de ocorrência, e expor seu caso à justiça.

“Se você tiver e conseguir identificar de onde essas pessoas conseguiram as suas informações, por exemplo, um golpe de engenharia social numa conversa de WhatsApp, tirar prints dessa conversa de WhatsApp, qualquer e-mail, qualquer mensagem que você receber do golpista, tudo isso também vai ser útil,” acrescenta Abrahão.

Como prevenir?

Para evitar ser vítima da modalidade “kit de fraude” se recomenda “monitorar regularmente seus extratos bancários, benefícios ou qualquer documento relacionado a empréstimos ou transações financeiras,” acresenta Daniela. Fique atento a qualquer atividade suspeita, caso identifique algo fora do comum, entre em contato imediatamente com sua instituição financeira responsável.

Roberto Abrahão recomenda o Registrato do Banco Central para acompanhar seus movimentos. “Com esse site você consegue ver contas abertas em seu nome, empréstimos abertos em seu nome, cheques, e é de graça. Se você quiser algo mais automatizado, o Serasa vende um serviço que é um monitoramento do seu CPF”, ressalta.

Da mesma forma, não custa lembrar que antes de fornecer qualquer informação pessoal ou realizar qualquer transação, pesquise e verifique se a instituição é confiável. Consulte órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, e pesquise na internet por reclamações ou histórico de golpes envolvendo a empresa em questão.

“Os golpes vão mudar toda hora. Os golpistas vão estar um passo à frente, quando alguém está falando de um golpe é que o golpe já está na praça. Isso ajuda você ficar alerta, mas o mais importante é treinar a sua cabeça e acender a luzinha vermelha em sinais de perigo,” afirma Roberto.

Por isso, se uma oferta de empréstimo consignado parecer demasiadamente boa, desconfie. Golpistas muitas vezes utilizam condições extremamente favoráveis para atrair as vítimas. Compare as condições oferecidas com as praticadas pelo mercado e esteja atento a qualquer sinal de irregularidade. “Melhor perder uma boa oferta que todo o seu dinheiro,” finaliza o engenheiro.

É importante lembrar que instituições financeiras legítimas não solicitam informações pessoais, como senhas, número de documentos ou detalhes de contas bancárias, por telefone ou e-mail. Caso alguém entre em contato solicitando estas informações, desconfie e entre em contato direto com a instituição para verificar a veracidade do contato.

Evite fornecer informações pessoais em sites não confiáveis, redes sociais ou qualquer outro meio que possa expor seus dados a riscos. Além disso, tenha cuidado ao compartilhar documentos pessoais e sensíveis, como cópias de RG, CPF e comprovantes de residência.

Esteja sempre atualizado sobre os golpes mais recentes e as práticas fraudulentas em circulação. Acompanhe notícias, informe-se sobre as técnicas utilizadas pelos golpistas e compartilhe essas informações com amigos e familiares para que eles também possam se prevenir.

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