Número de brasileiros imigrantes na Irlanda aumenta 42,5%

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Possibilidade de trabalhar com visto de estudante é grande atrativo.

Natália Goes

O número de brasileiros vivendo na Irlanda aumentou nos últimos anos, segundo os dados da embaixada brasileira em Dublin. Em 2016, esse número era de 13,6 mil pessoas, segundo o censo local. Atualmente, de acordo com a embaixada, esse número já está na marca de 32 mil brasileiros com vistos.

A Irlanda, que tem mais de 5 milhões de habitantes, virou um país atrativo para estrangeiros por conta da facilidade que os imigrantes na Irlanda têm de encontrar emprego legalmente, ter a regularidade do seu visto e ainda aprender inglês. 

Oportunidades para os imigrantes na Irlanda

A Herica França, bacharel em Direito, escolheu a Irlanda em 2020 pela facilidade. “Primeiro eu tinha a possibilidade de tirar a cidadania europeia, porque minha mãe tem uma avó espanhola. Segundo, porque o custo benefício era melhor, eu estava em dúvida entre a Irlanda e a Austrália. A Austrália era mais caro e mais longe”, relata.   

Os cursos de inglês tem atraído centenas de brasileiros. De acordo com imigrantes, o custo dos cursos tem sido menor em relação a outros países que também oferecem cursos de inglês. Além disso, a Irlanda ainda oferece a modalidade de visto de estudos que possibilita trabalhar por meio período ou 20 horas por semana.

Esse visto é chamado Stamp 2, como indicado acima, e permite que o brasileiro estude e trabalhe em tempo parcial. Pode ser retirado logo após a chegada na Irlanda, desde que o estrangeiro comprove que está matriculado em um curso com duração mínima de 25 semanas e uma reserva de 3 mil euros, cerca de R$16 mil reais para passar pela imigração.

Existem vários tipos de visto, o Stamp 4 (residência e trabalho em tempo integral), o G1 para estudantes de doutorado e acompanhantes de Stamp 4 por habilidades críticas, cada um com um preço e tramitação diferente. Segundo o embaixador do Brasil em Dublin, Felipe Costi, “o visto Stamp 2 e as sucessivas renovações (feitas a cada 8 meses por um período de até 2 anos) custam cerca de 2 mil euros”, o que equivale a R$11.150 reais.

Apesar de ter muitos imigrantes, o país ainda oferece emprego para quem está disposto a qualquer trabalho. “Trabalho em princípio existe, embora sejam ocupações bastante precarizadas em alguns casos, mas os salários em euros continuam a atrair muitos brasileiros ”, explica o embaixador.

Boa remuneração atrai brasileiros

Além disso, outro fator que tem chamado atenção dos brasileiros é a remuneração. A Irlanda é conhecida por ter os salários mínimos mais altos da Europa, ficando na frente de países como Portugal e Espanha. Segundo o site edublin, a média de salário mínimo de uma pessoa na Irlanda é de 1.900 euros por mês em 2023. Por hora, o trabalhador recebe no mínimo 11,30 euros, cerca de R$63,21.

Esse fato tem feito muitos brasileiros ficarem na Irlanda e não retornarem ao Brasil. “O que me fez ficar na Irlanda foi a facilidade de renovação de visto e as condições de vida, de segurança. Seu poder aquisitivo aumenta muito em relação à condição de vida que você tem no Brasil”, conta Herica.

O país também atrai muitos outros brasileiros que já falam o inglês, que tem família europeia com nacionalidade e passaporte europeu. “Há também brasileiros com passaporte europeu, especialmente português e italiano, que não necessitam de visto para permanecer na Irlanda. Há ainda os brasileiros binacionais que já adquiriram nacionalidade irlandesa”, comenta Costi.

Além desses brasileiros, existem ainda os que vão para estudar e quando o visto expira não voltam para o Brasil por encontrar boas oportunidades de emprego e ainda os que entram no país como turistas. “Existem também alguns brasileiros que permanecem irregularmente após expirados seus vistos. Ou que entraram como turistas, sem necessidade de visto, e permaneceram por mais de 90 dias”, declara Felipe.

Com todos esses brasileiros indo para Irlanda de vários lugares do mundo, as ruas de Dublin ficam aconchegantes. “Dublin fica muito simpática, com português falado a cada esquina, em PUBs e cafés, escolas de inglês e universidades, e em lojas de produtos brasileiros”, diz o embaixador.

A estimativa da comunidade brasileira que mora na Irlanda, segundo a embaixada brasileira em Dublin, é de uma população de “70 mil mais ou menos”. Com tantas pessoas em um mesmo local, alguns problemas começam a surgir. “Moradia eu consegui rápido, mas isso há 3 anos. Hoje tá um pouco mais difícil a questão da moradia, porque em 2 anos de pandemia todas as pessoas que tinham intercâmbio marcado para Irlanda ou tinham oportunidade de trabalho foram adiando até liberar. Quando liberou chegou todo mundo de vez, mais a guerra da Ucrânia, que a Irlanda deu abrigo para mais de 50 mil pessoas”, expõe Herica.

A superlotação na cidade afeta o preço dos imóveis que ficam mais caros. “A acomodação tem sido um problema, com muitos pagando mais de 500,00 euros apenas por uma cama, em quartos divididos com outros três ou quatro ocupantes”, confessa Felipe Costi.

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